A Filosofia de Platão: Cosmologia, Ideias e Influências
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A Morte e o Legado de Sócrates
A morte de Sócrates foi um evento arriscado. Embora os humanos tendam naturalmente a aprender, o impulso pelo poder, pelo prazer, pelos preconceitos, pelos costumes e pelo conforto — condutores da maior parte dos seres humanos — fez com que o filósofo, ao interrogar sobre a virtude e a verdade, fosse visto como um provocador. Ao fazer com que as pessoas se sentissem ignorantes e desconfortáveis, ele despertou o ódio dos sábios em sua direção.
Cosmologia Platônica
Os últimos anos de vida de Platão foram dedicados ao estudo da origem e constituição do cosmos, sua estrutura e componentes. No diálogo Timeu, ele descreve a origem do universo utilizando os desenvolvimentos de sua Teoria das Ideias, conforme apresentada no Filebo: a distinção entre o mundo das Ideias (modelo) e o mundo sensível.
O mundo sensível, o cosmos, não é eterno e teve uma origem. Platão propõe uma narrativa sobre a criação com os seguintes elementos:
- O Criador Divino (Demiurgo): Atua como causa ativa, eficiente e inteligente.
- O Mundo das Ideias: O modelo eterno que serve como princípio orientador para a ação do Demiurgo.
- A Matéria Eterna: Uma matéria em movimento, desordenada e caótica, situada em um espaço vazio pré-existente.
A ação do Demiurgo possui um senso de otimismo: o mundo é o melhor dos mundos possíveis. Embora não seja perfeito, pois a natureza da matéria impediu a plena realização das Ideias, o Demiurgo criou o cosmos como um ser vivo e divino, com uma alma que tudo anima. Seu movimento baseia-se em harmonias musicais e proporções numéricas (influência pitagórica), em conformidade com o tempo.
Influências Posteriores
Platão é um dos pensadores mais influentes do pensamento ocidental. Suas ideias foram adotadas ou criticadas ao longo dos séculos:
- Pensamento Cristão: Influenciou os primórdios da teologia.
- Renascimento: Presente no pensamento social utópico.
- Modernidade: Impactou o racionalismo filosófico e o idealismo.
- Século XIX e XX: Sofreu críticas severas; F. Nietzsche o acusou de subverter valores humanos, enquanto Heidegger o criticou por criar um ser humano idealizado, associando-o às bases do nazismo e do fascismo.
Esboço da Teoria das Ideias
A revisão da teoria de Platão pode ser dividida em duas fases:
- Diálogos Iniciais: Seguindo Sócrates, Platão busca a definição da virtude, acreditando que deve haver algo comum para identificar atos virtuosos. Esse "lugar-comum" é chamado por Platão de Ideia (termo que aparece pela primeira vez no diálogo Eutífron).
- Diálogos Maduros: Platão caracteriza as Ideias como:
- Essência: Aquilo pelo qual tudo é o que é.
- Ser de Parmênides: Características de unidade, eternidade e imutabilidade.
- Substância (Ousia): Realidade transcendente que existe em si mesma.
As Ideias não são representações mentais nem realidades materiais; são imateriais, inteligíveis e cognoscíveis apenas pela inteligência. São o objeto do pensamento, da definição e, portanto, da ciência (episteme).