Financiamento, Moeda e Sistema Financeiro: Conceitos Essenciais
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O Processo de Financiamento
Para consumir ou investir, são necessários recursos financeiros. Estes recursos provêm das economias produzidas pelos membros de uma família, empresas ou pelo Estado.
As pessoas poupam por diversos motivos, sendo um dos principais a incerteza. A poupança é gerada por todos os agentes económicos, mas a maior parte provém das famílias.
O Sistema Financeiro e Intermediários
O sistema financeiro é composto por um conjunto de instituições que fazem a mediação do dinheiro. Os intermediários financeiros emitem instrumentos chamados ativos financeiros, pois geram direitos aos seus titulares.
Evolução da Moeda
Cunhagem e Sinal de Dinheiro
- Cunhagem: É o ato de gravar a moeda com um rosto, um selo e os contornos (relevo).
- Sinal de Dinheiro: No processo de evolução do dinheiro, surge o sinal de dinheiro, cujo valor reside no papel em que é impresso. Este sinal de dinheiro é um ativo que, em si, tem pouco valor intrínseco.
O papel-moeda e os bancos têm a sua origem na Idade Média. Com o tempo, esses recibos passaram a ser emitidos ao portador, e as compras e vendas eram liquidadas com papel.
O dinheiro em papel foi nominalmente convertido em ouro, pois facilitava as transações. Os bancos começaram a emitir papel em volumes superiores ao ouro que realmente possuíam, ou seja, emitiam papel apenas parcialmente coberto pelas reservas de ouro. Neste caso, o dinheiro é criado sobre o lastro do ouro.
O Dinheiro no Sistema Financeiro Atual
As notas e moedas atuais não têm lastro em dinheiro físico (ouro ou prata).
O valor atual do dinheiro reside na confiança de que os outros o aceitarão como meio de pagamento. Se essa confiança desaparecer, o dinheiro perde o seu valor.
Este dinheiro passa a ser usado para pagamento, e o depósito bancário funciona como tal. As pessoas aceitam cheques.
A nota de dinheiro é um método de troca para liquidar dívidas de uma empresa ou pessoa.
Tipos de Dinheiro
- Dinheiro Legal (ou Fiduciário): É o dinheiro emitido por uma instituição que detém o monopólio da emissão.
- Moeda Bancária: São os depósitos em bancos que são geralmente aceitos como pagamento.
Agregados Monetários
Podemos distinguir os seguintes tipos de depósitos:
- Depósitos à Vista: Quantidades de dinheiro depositadas no banco com disponibilidade imediata.
- Depósitos de Poupança: Aqueles que os proprietários podem movimentar imediatamente, mas com restrições de disponibilidade. São conhecidos popularmente como caderneta de poupança.
- Depósitos a Prazo: Aqueles cujo proprietário se compromete a mantê-los por um prazo fixo em troca de uma taxa, não podendo resgatá-los antes do vencimento sem incorrer em penalidade.
Para medir a quantidade de dinheiro ou oferta de moeda, definimos:
Oferta de Moeda: Quantidade de dinheiro em poder do público + depósitos bancários.
Para medir a oferta de moeda, utiliza-se uma série de adições:
- M1: Moeda em poder do público + depósitos à vista nos bancos.
- M2: M1 + depósitos de poupança em instituições de crédito.
- M3: M2 + depósitos a prazo.
O agregado monetário mais recente é:
- Ativos Líquidos em Poder do Público (ALP): M3 + outros componentes, entre eles títulos do Tesouro detidos pelo público, comerciais públicos, etc.
O dinheiro nas mãos do sistema de crédito são as reservas bancárias, e a soma destas com o dinheiro em poder do público forma a base monetária.
As Funções da Moeda
A moeda possui 3 funções básicas:
- Meio de Troca: Permite maior flexibilidade nas operações e liquidação de dívidas. Facilita a troca e elimina o escambo.
- Unidade de Conta: Utilizada para precificar as coisas e definir o valor de todos os bens (Exemplo: o euro).
- Reserva de Valor: Além de facilitar as transações, é um ativo financeiro. É uma forma de manter a riqueza. As pessoas mantêm uma parcela de seu patrimônio na forma de dinheiro, que possui liquidez pura. (Exemplo: uma ação é um ativo financeiro, mas a moeda é a forma mais líquida de reserva de valor).
Custo da Moeda
As pessoas dão tanta importância ao dinheiro que estão dispostas a enfrentar um custo para mantê-lo em espécie ou líquido. Este custo é a oportunidade perdida de usar esse dinheiro.
A taxa de juros é o preço do aluguel do capital emprestado, expressa em percentagem do montante emprestado. É o custo que as pessoas pagam para ter dinheiro emprestado. Sua função é manter o fluxo de depósitos no sistema.