Fisiologia Celular: Membrana, Transporte e Neurônios

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A Célula

A célula é a unidade fundamental dos organismos vivos. Ela desempenha as funções básicas para a manutenção das condições biológicas do organismo em equilíbrio.

  • Está imersa em um meio extracelular denominado Líquido Extracelular (LEC);
  • O seu interior (citoplasma + organelas + componentes químicos) é denominado de Líquido Intracelular (LIC);
  • Caracteriza-se por apresentar uma estrutura que envolve seus componentes internos: a Membrana Plasmática.

Membrana Plasmática

  • Teoria do Mosaico Fluido;
  • Composição: Fosfolipídios + Proteínas + Carboidratos;
  • Fosfolipídios: possuem caráter anfipático;
  • Proteínas: podem ser transmembranas, integrais ou periféricas;
  • Carboidratos (Glicocálice): responsáveis pelo reconhecimento celular.

Transporte Através de Membrana

A. Transporte Passivo

Deslocamentos de substâncias a favor de um gradiente eletroquímico (sem gasto de energia).

  • A.1. Osmose: deslocamento do solvente do meio menos concentrado para o mais concentrado;
  • A.2. Difusão: deslocamento do soluto do meio mais concentrado para o menos concentrado:
    • Simples: o movimento ocorre pelos orifícios e espaços intermoleculares, sem fixação a proteínas;
    • Por canais proteicos: Sódio (rápido – carga negativa na parede) e Potássio (lento – sem carga negativa).
Canais Proteicos:
  • Canais tubulares que ligam o espaço extracelular com o intracelular;
  • Permitem a passagem por difusão simples;
  • São seletivamente permeáveis;
  • Importantes: canais de sódio e potássio.
  • Difusão Facilitada:
    • Mediada por carreador;
    • Há uma limitação na velocidade de passagem quando aumenta a concentração da substância.

B. Transporte Ativo

Transporte contra o gradiente de concentração. OBS: é o mecanismo de transporte de íons importantes, como sódio, potássio, cálcio, ferro e hidrogênio.

  • B.1. Primário:
    • A energia é derivada da degradação de ATP ou de algum outro composto de fosfato de alta energia;
    • Depende de proteínas carreadoras, capazes de transferir energia para a substância.
  • B.2. Secundário:
    • Íons sódio transportados para fora das células geram grande gradiente de concentração (maior fora, menor dentro);
    • Esse gradiente significa reserva de energia;
    • A energia de difusão do sódio atrai outras substâncias;
    • Essas substâncias são carreadas para fora da célula junto com o sódio.

Transporte Ativo Primário: Bomba de Sódio e Potássio

  • Bombeia íons sódio para fora da célula e, ao mesmo tempo, bombeia íons potássio para dentro;
  • Fundamental para a manutenção do meio negativo intracelular;
  • Controla o volume celular.

Funcionamento da Bomba

  • Três íons sódio se fixam à parede interna da proteína carreadora;
  • A função ATPásica da proteína é ativada;
  • Uma molécula de ATP é quebrada em ADP, com liberação de energia;
  • Há alteração conformacional da molécula da proteína carreadora;
  • Sódio é levado para fora da célula e entra potássio.

Bioeletrogênese (Excitabilidade)

  • Capacidade de gerar e alterar a diferença de potencial elétrico através da membrana;
  • Propriedade exclusiva de algumas células:
    • Neurônios;
    • Células musculares: esqueléticas, lisas e cardíacas.

OBS: A excitabilidade é causada por movimentos de íons através da membrana citoplasmática.

1. Potencial de Membrana

É a diferença elétrica entre o meio intra e extracelular.

  • Células, como as neurais e as musculares, são capazes de autogerar impulsos eletroquímicos em suas membranas;
  • Se a membrana for permeável a vários íons diferentes, o potencial de difusão depende:
    • Da polaridade da carga elétrica de cada um;
    • Da permeabilidade da membrana a cada um;
    • Da concentração dos íons dentro e fora da membrana.

2. Potencial de Repouso

Diferença de potencial elétrico através da membrana plasmática da célula em repouso.

Importância das Bombas de Na+ e K+ no Potencial de Membrana

  • Sendo eletrogênica, mantém mais cargas positivas fora e mais negativas dentro;
  • Estabelece um equilíbrio dinâmico: o número de cargas elétricas que saem é o mesmo que entram;
  • Mantém o volume celular: mais sódio fora que potássio dentro.

A bomba eletrogênica de sódio e potássio, somada ao papel da difusão, estabelece um potencial de membrana de –70mV.

3. Potencial de Ação

Células com capacidade eletrogênica reagem a estímulos que são transmitidos por variações rápidas do potencial de membrana, que chamamos de potencial de ação.

  • O potencial de ação começa por uma alteração abrupta do potencial de repouso (negativo, entre –70 e –90mV);
  • Esse potencial da membrana se torna momentaneamente positivo e rapidamente se torna novamente negativo.

Etapas do Potencial de Ação

  1. Estado de Repouso: antes de começar a ação, a membrana está “polarizada” negativamente (-70mV). Ocorre a ativação do canal de Na+;
  2. Estado de Despolarização: a membrana, ficando permeável aos íons Na+ que entram na célula, é despolarizada;
  3. Estado de Repolarização: fecham-se os canais de Na+ e abrem-se os canais de K+, que saem da célula, repolarizando-a.

1. Neurônio

Considerado a unidade anatômica e funcional do sistema nervoso, é composto por:

  • Corpo Celular;
  • Axônio;
  • Dendritos.

Funções básicas: recepção, integração, transmissão e transferência de informação.

Fibras Mielínicas e Amielínicas

  • (A) Mielínicas: células nervosas mais calibrosas, as quais possuem seu axônio envolvido por uma membrana que serve como isolante elétrico, reduzindo o fluxo de íons através da membrana;
  • (B) Amielínicas: células nervosas cujo axônio não é envolvido por membrana isolante; são mais delgadas em comparação às mielínicas.

Tipos de Neurônios

  • Bipolares: célula bipolar da retina no olho (raiz dendrítica e axônio).
    • Subclasse: Pseudo-unipolar (neurônios sensoriais que trazem informações do corpo para a medula espinhal).
  • Multipolares: neurônio motor espinhal que inerva fibras musculares esqueléticas.

2. Transmissão Sináptica

  • Sinapse: ponto de comunicação funcional ou de associação entre neurônios;
  • Nas sinapses, um mensageiro químico ou neurotransmissor é liberado do axônio de um neurônio (pré-sináptico) e é captado pelo dendrito ou corpo celular de outro neurônio (pós-sináptico).

Tipos de Sinapses

  • Axossomáticas: comunicação entre um axônio e um corpo celular;
  • Axodendríticas: comunicação entre um axônio e um dendrito.

Potencial de ação e liberação de neurotransmissores: O potencial de ação despolariza a terminação, abre os canais de cálcio, ocorre o influxo de cálcio na terminação, fixa a vesícula com a membrana e libera o neurotransmissor por exocitose.

Orientação do Fluxo de Informação nos Neurônios

  • Neurônio aferente: traz informação para o sistema nervoso central. Transmitem informações sensoriais;
  • Neurônio eferente: retransmitem comandos do sistema nervoso central para a periferia;
  • Interneurônios: são a maior classe de neurônios. Transmitem ou processam informações localmente ou para curtas distâncias de um local no sistema nervoso para outro.

3. Neurotransmissor

  • Substância que transmite informações de um neurônio a outra célula;
  • O processo de liberação e de ação de um neurotransmissor é denominado transmissão sináptica;
  • São sintetizados pelos neurônios, armazenados em vesículas nos terminais nervosos e liberados quando os neurônios são despolarizados.

Tipos de Neurotransmissores

  • Molécula Pequena: tem ação rápida; causa a maior parte das respostas agudas do sistema nervoso:
    • Acetilcolina;
    • Norepinefrina;
    • Dopamina;
    • Glicina;
    • Ácido gama-aminobutírico (GABA);
    • Glutamato;
    • Serotonina.
  • Neuropeptídeos: causam ações prolongadas, como alterações a longo prazo do número de receptores, abertura e fechamento de canais iônicos e alteração a longo prazo do número ou do tamanho das sinapses. OBS: não são sintetizados nas terminações pré-sinápticas, mas sim no soma do neurônio.
    • Hormônios Hipotalâmicos de Liberação;
    • Peptídeos hipofisários (hipófise posterior);
    • Peptídeos do sono.

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