Fisiologia do Controle Motor e Sistema Nervoso
1. Fisiologia do Controle Motor
Tipos de movimentos gerados pelo sistema motor:
A) Reflexo
- Características motoras: Simples, rápidas, estereotipadas, involuntárias e integradas na medula.
B) Rítmico
- Características motoras: Combina características de movimento reflexo e voluntário; pode ser modificado ou interrompido por impulsos provenientes do encéfalo ou informações sensoriais da periferia.
C) Voluntários
- Características motoras: Proposicionais, complexos e a execução melhora com a prática.
2. Funções do Controle Motor
- Controlar a contração de músculos individuais;
- Controlar o momento de execução de um movimento;
- Planejar ajustes posturais adequados para determinados movimentos.
3. Informação Sensorial e Controle Motor
Informar:
- O que está acontecendo no ambiente;
- Posição e orientação do corpo e dos membros e o grau de contração dos músculos (importantes para o movimento poder ser iniciado).
Receptores Musculares
A) Fuso Muscular – comprimento do músculo
- Aferente: sensorial
- Eferente: motora
B) Reflexos Medulares:
Conjunto de processos que leva a uma resposta orgânica que desencadeará uma modificação funcional de natureza regulatória ou adaptativa. Essa resposta é estereotípica, porque sempre ocorre do mesmo jeito, no mesmo indivíduo, ou em indivíduos da mesma espécie.
Resposta reflexa INATA: o indivíduo nasce com esta propriedade de controle. Trata-se de atividade reflexa não condicionada. Exemplos: resposta de piscar a pálpebra, esticar a perna frente a uma excitação da patela, reflexo pupilar.
Arco Reflexo: Conjunto de eventos necessários para existir uma resposta reflexa que pode ser neural, químico ou neuroquímico:
- Neural: RECEPTOR capta um estímulo → condução do sinal por uma VIA AFERENTE ou centrípeta → o sinal chega no CENTRO REFLEXÓGENO (SNC) → a VIA EFERENTE (motoneurônio) envia sinal para o ÓRGÃO EFETOR → origem de uma ação motora (REFLEXO).
- Químico: ALIMENTO PROTEICO (via aferente) → ativa a mucosa gástrica (centro reflexógeno) → liberação de gastrina (via eferente) → estímulo da glândula de secreção gástrica (órgão efetor) → maior secreção de HCl (reflexo).
- Neuroquímico: EXCITAÇÃO DOS CORPÚSCULOS GUSTATIVOS (receptor) → sinal pela via aferente → excitação do nervo glossofaríngeo (via eferente) → aumento da salivação (reflexo).
4. Níveis de Controle Motor
A) Nível Segmentar - Medula Espinhal
- Reflexo de estiramento: regula o tônus muscular e manutenção de posições posturais (Ex: posição postural da mandíbula).
- Reflexo de retirada: pisar num prego.
- Reflexo Fotomotor:
- Midríase: DILATAÇÃO pupilar causada pela contração do músculo radial da íris, diante de baixa luminosidade. Reflexo mediado pelo SNA simpático.
- Miose: CONSTRIÇÃO pupilar causada pela contração do músculo circular da íris diante do excesso de luminosidade. Reflexo fotomotor, mediado pelo SNA parassimpático. Além disso, a miose reduz o cone de luz e melhora a focalização do objeto sobre a fóvea.
- Movimentos Rítmicos: Ao mesmo tempo que ativa motoneurônio flexor, ativa motoneurônio inibitório que inativa motoneurônio extensor.
B) Nível Suprasegmentar – Tronco Encefálico
Modula os neurônios motores e os interneurônios da medula espinhal através das vias descendentes Laterais (movimentos finos) e mediais (postura e equilíbrio).
- Controla as contrações musculares posturais subconscientes do corpo, incluindo as contrações responsáveis pela manutenção do equilíbrio corporal;
- Funções: Controle da respiração, do sistema cardiovascular, da função gastrintestinal, do equilíbrio e dos movimentos oculares.
Núcleos do Tronco Encefálico:
- Núcleos reticulares pontinos: Transmitem sinais excitatórios para baixo em direção à medula espinhal pelo feixe reticuloespinhal pontino, para os neurônios motores anteriores, excitando os músculos que sustentam contra a gravidade.
- Núcleos reticulares bulbares: Transmitem sinais inibitórios para os mesmos neurônios motores anteriores antigravitários por meio do feixe reticuloespinhal bulbar; vários feixes desses núcleos ativam o sistema inibidor reticular bulbar para contrabalancear os sinais excitatórios do sistema reticular pontino.
- Núcleos Vestibulares: Funcionam em associação com os núcleos reticulares pontinos para excitar os músculos antigravitários; controlam os sinais excitatórios para os diferentes músculos antigravitários, mantendo o equilíbrio em resposta aos sinais do aparelho vestibular.
Via descendente lateral: Controla o grupo dorsolateral de neurônios motores espinhais que inerva os músculos distais, responsáveis pelos movimentos dos braços e das mãos.
5. Aparelho Vestibular e Controle Postural
Aparelho Vestibular: Órgão que detecta as sensações de equilíbrio; é intimamente relacionado com o ouvido. É formado por um sistema de tubos ósseos e câmaras (labirinto ósseo) onde se encontra o labirinto membranoso, que é a porção funcional.
Controle Postural: Proporciona orientação (ajuste do corpo e da cabeça à posição vertical) e equilíbrio (capacidade de manutenção do centro de massa em relação à base de apoio). É obtido por comandos centrais a neurônios motores inferiores.
Os estímulos sensoriais são usados tanto em mecanismos de feedback (resposta a uma alteração, ex: escorregão no gelo) como de ântero-alimentação ou feed-forward (predição e antecipação como preparação para riscos à estabilidade, ex: curvas).
Três sentidos para o controle postural:
- Somatossensação: fornece informações a respeito da sustentação de peso e das posições relativas das partes do corpo.
- Visão: fornece informações a respeito do movimento e indicações para avaliar a posição ereta.
- Vestibular: fornece informações sobre a posição da cabeça em relação à gravidade e sobre o movimento da cabeça.
6. Sistema Nervoso Autônomo (SNA)
- Sistema involuntário que controla e modula o funcionamento dos órgãos viscerais;
- Formado por dois neurônios: um pré-ganglionar e outro pós-ganglionar;
- O corpo celular de cada neurônio pré-ganglionar fica situado no SNC.
Divisão Anatômica: Simpática, Parassimpática e Entérica.
S.N. Somático x S.N. Autônomo:
- S.N. Somático: Entre o S.N.C. e o órgão efetor (músculo esquelético) observa-se apenas um neurônio.
- S.N. Autônomo: Entre o S.N.C. e o órgão efetor (músculo liso, cardíaco e glândulas) observam-se dois neurônios. No ponto de contato sináptico entre ambos, temos um gânglio visceral.
Divisão Simpática
- Tóraco-lombar;
- Axônio pré-ganglionar curto e pós-ganglionar longo;
- Axônio pós-ganglionar noradrenérgico;
- Função: Luta e fuga.
- Neurotransmissores e Receptores:
- Acetilcolina (colinérgica): receptores muscarínicos (células efetoras) e nicotínicos (neurônios pós-ganglionares).
- Noradrenalina (adrenérgica): receptores Alfa (alfa1 e alfa2) e Beta (beta1, beta2 e beta3).
Divisão Parassimpática
- Crânio-sacral;
- Axônio pré-ganglionar longo e pós-ganglionar curto;
- Axônio pós-ganglionar colinérgico;
- Função: Digestão e descanso.
- Neurotransmissores e Receptores: Acetilcolina (colinérgica) com receptores muscarínicos e nicotínicos.
7. Efeitos Fisiológicos da Reação de Luta ou Fuga
- Indivíduo surpreendido.
- Impulsos nervosos resultantes do perigo são levados ao cérebro resultando numa emoção (Medo).
- Do Cérebro (Hipotálamo), descem impulsos nervosos pelo Tronco Encefálico e Medula, ativando os neurônios simpáticos da coluna lateral, enviando a reação de alarme.
- Aumento do ritmo cardíaco e da circulação coronária.
- Vasoconstrição nos vasos mesentéricos e cutâneos (Palidez) - aumenta o sangue nos músculos.
- Aumento da pressão arterial.
- Brônquios dilatam.
- Dilatação da pupila.
- Menor peristaltismo no Tubo Digestivo.