Fisiologia da Defecação e Incontinência Anal

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Defecação

A defecação consiste no armazenamento e expulsão das fezes, processo que depende do peristaltismo intestinal, da atividade sensoriomotora dos esfíncteres, dos músculos do assoalho pélvico e da pressão intra-abdominal.

Aparato Esfincteriano

  • Esfíncter interno: Expansão da camada muscular do intestino. Ativado pelo sistema simpático excitatório (L5, noradrenalina) e parassimpático (S1-S3, acetilcolina) inibitório (manutenção do fechamento em repouso).
  • Esfíncter externo: Inervado pelo nervo pudendo (S2-S4), trata-se de músculo voluntário responsável pela continência no canal anal.

Ação do Puborretal e Elevador do Ânus

  • Manutenção da continência;
  • Fechamento voluntário do canal anal;
  • Pressão abdominal com contração do puborretal: a junção retoanal é tracionada anteriormente, tornando o ângulo mais agudo para garantir a continência.

Incontinência Anal (IA)

A incontinência anal é a perda involuntária de fezes e gases. É descrita como um “sintoma não dito” e uma “aflição silenciosa”. A prevalência real da IA pode ser subestimada devido ao constrangimento que o sintoma causa. De acordo com a literatura internacional, a prevalência em países de baixa e média renda varia de 1,9% a 20% na população.

  • Definições: A Incontinência Fecal (IF) é definida como a perda involuntária de fezes sólidas e líquidas, enquanto a IA caracteriza-se pela perda de flatos, acompanhada ou não de fezes.
  • Fatores de Risco: Mulheres apresentam maior risco de desenvolver IF devido a lesões no nervo pudendo ou no esfíncter anal causadas por traumas obstétricos, além de distopias genitais.
  • Prevalência: De 3% a 28% em pessoas acima de 65 anos.

Classificação e Causas

  • Sensorial: Sem percepção do paciente.
  • Motora: Consciência da necessidade de evacuar, mas incapacidade de controlar a defecação.
  • Soiling: Pequeno escape de conteúdo fecal, capaz de sujar as roupas íntimas.
  • Etiologia: Lesões esfincterianas, distúrbios neurológicos centrais e periféricos, traumatismos cranioencefálicos, lesões medulares e estiramento do nervo pudendo.

Diagnóstico

  • Manometria anorretal: Avaliação das pressões retais e anais em repouso.
  • Defecografia: Radiografia de contraste (50ml de sulfato de bário / 200ml de pasta de bário) para estudo dinâmico da evacuação.
  • Exames complementares: Colonoscopia, retossigmoidoscopia e ultrassonografia.

Escala de Contração Esfincteriana

  • Grau 0: Nenhuma contração.
  • Grau 1: Contração ultraleve.
  • Grau 2: Contração fraca, sem resistência, mantida por menos de 3 segundos.
  • Grau 3: Moderada, contra fraca resistência, mantida por 3 a 6 segundos.
  • Grau 4: Boa contração, resistência moderada, mantida por 6 a 10 segundos.
  • Grau 5: Contração vigorosa, contra resistência, por mais de 10 segundos.

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