Fisiologia Endócrina: Hipófise, PTH e Tireoide
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1) Descreva a vascularização do eixo hipotálamo-hipófise.
A vascularização do eixo hipotálamo-hipófise é crucial para a comunicação endócrina central:
- A artéria carótida interna dá origem às artérias hipofisárias superior e inferior, que se comunicam através da artéria trabecular.
- O sistema porta-hipofisário comunica o hipotálamo com a adenohipófise (hipófise anterior), que é estimulada pelos neuro-hormônios hipotalâmicos.
Fluxo Sanguíneo para a Adenohipófise:
- A artéria hipofisária superior, na região da eminência mediana, origina um plexo capilar primário.
- Este plexo vasculariza a região e drena para as veias porta-hipofisárias.
- Essas veias formam um plexo capilar secundário, que vasculariza a parte anterior da adenohipófise.
- A adenohipófise recebe, assim, o sangue venoso advindo do hipotálamo e contendo seus neuro-hormônios.
- O plexo capilar secundário drena para as veias hipofisárias inferiores, levando o sangue com hormônios hipofisários para a circulação sistêmica.
A neuro-hipófise (hipófise posterior) é vascularizada por um plexo capilar terciário formado a partir da artéria hipofisária inferior.
2) De que maneira ocorre a estimulação da célula precursora do osteoclasto pelo PTH, que deflagra sua sinalização celular?
O Hormônio da Paratireoide (PTH) atua de forma indireta sobre os osteoclastos, favorecendo sua maturação e ativação. Esse hormônio encontra receptores nos osteoblastos (receptor PTHR1).
Vias de Sinalização Ativadas pelo PTH no Osteoblasto:
O PTHR1 pode ativar tanto a via da Proteína Gq quanto a via da Proteína Gs. A proteína NHERF1 regula qual dessas vias irá predominar:
- Via da Proteína Gq (Catabólica): Ativa a fosfolipase C, que cliva PIP2 em IP3 e DAG. O IP3 promove o aumento do Ca²⁺ celular.
- Via da Proteína Gs (Anabólica): Ativa a Adenil Ciclase, que aumenta o AMPc e ativa a PKA.
A partir dessa ativação, o osteoblasto libera os fatores RANK-L (Ligante do Receptor Ativador de NF-κB) e OPG (Osteoprotegerina).
Mecanismo de Ativação do Osteoclasto:
- O RANK-L se liga ao receptor RANK na membrana do osteoclasto e de seus precursores, promovendo os efeitos de maturação e ativação.
- A partir desse estímulo, o RANK ativa as proteínas TRAFs, que geram NF-κB.
- Com isso, os osteoclastos se proliferam, diferenciam e se maturam, formam a borda em escova e começam a produzir ácidos que são liberados na matriz óssea para degradá-la.
A OPG é uma molécula reguladora que se liga ao RANK-L, impedindo sua ligação com o RANK, o que regula os efeitos catabólicos provocados pela ativação dos osteoclastos.
3) Um indivíduo que apresenta uma deficiência genética que compromete a síntese do co-transportador de sódio e iodeto. Como deve estar a organização histológica da tireoide?
O co-transportador sódio-iodeto (NIS) é essencial para a captação de iodeto pelas células foliculares da tireoide. Com uma captação inadequada de iodeto, toda a biossíntese dos hormônios tireoidianos é afetada, já que esses hormônios (T3 e T4) são formados a partir de resíduos iodados de tirosina na molécula da tireoglobulina.
Consequências Hormonais e Histológicas:
A queda nos níveis de T3 e T4 caracteriza o hipotireoidismo. Como esses hormônios realizam o feedback negativo para o TSH (Hormônio Estimulante da Tireoide), a redução de T3/T4 leva a um aumento da produção de TSH pela hipófise.
No aspecto histológico, a tireoide se apresentará da seguinte forma:
- Folículos Hipoativos: Grande quantidade de folículos.
- Epitélio Pavimentoso: As células foliculares estarão achatadas (pavimentosas), indicando baixa atividade.
- Coloide em Abundância: O coloide estará acumulado, pois não está sendo endocitado para a clivagem e liberação dos hormônios T3 e T4.
O aumento do TSH atua na tireoide estimulando a proliferação e hipertrofia das células, o que resulta no aumento do volume da glândula, caracterizando o bócio.