Fisiologia Gástrica: Secreção, Motilidade e Controle Hormonal
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Função da Secreção Gástrica e Mecanismos do HCl
Funções Essenciais do Ácido Gástrico (HCl)
- Facilita a digestão, criando um pH ideal para a pepsina e a lipase gástrica.
- Estimula a secreção de bicarbonato pelo pâncreas.
- Continua a hidrólise dos macronutrientes iniciada na cavidade oral.
- Regula a secreção do pepsinogênio e sua conversão à pepsina na luz gástrica.
- O HCl tem importante função bactericida; sua ausência aumenta a incidência de infeções do Sistema Gastrointestinal (SGI).
Mecanismos Moleculares da Secreção de HCl
Secreção Não Parietal (Período Interdigestivo)
No período interdigestivo, o estômago apresenta um fluido aquoso com baixa concentração de HCl (pH luminal entre 4 e 6). O controle da acidez é feito pela somatostatina, produzida pela célula D. Essa substância inibe as células G, controlando a secreção de HCl.
Secreção Parietal (Período Digestivo)
No período digestivo, o fluxo secretor aumenta, elevando a concentração de H+ e Cl-, conferindo ao suco gástrico um pH próximo a 1 ou 2. Os principais estimuladores da produção de HCl são: Acetilcolina, Histamina e Gastrina.
O controle neural é exercido pelo nervo vagal, que se divide em dois ramos: um estimula as células G e o outro inibe as células D. Para que ocorra secreção de gastrina, é necessário inibir a secreção de somatostatina e estimular a secreção de gastrina.
Controle da Secreção Gástrica pela Somatostatina
O controle da secreção gástrica é exercido pela somatostatina, produzida pelas células D. Esse controle ocorre principalmente no período interdigestivo, quando o estômago apresenta um fluido aquoso com baixa concentração de HCl (pH luminal entre 4 e 6).
A somatostatina atua inibindo as células G, o que, por sua vez, controla a secreção de HCl.
Padrão Motor do Estômago: Armazenamento, Mistura e Propulsão
O estômago armazena, mistura e tritura o alimento, propelindo-o lentamente para o duodeno, através do esfíncter pilórico. As funções motoras são:
- Armazenamento: Ocorre na região do fundo e porção proximal do corpo gástrico (é o único órgão que armazena o alimento).
- Mistura: Ocorre na região média distal do corpo.
- Trituração: É efetuada na parte distal do estômago, na região antral.
A propulsão peristáltica inicia-se na região de marcapasso, localizada na porção proximal do corpo. Somente depois de cerca de 3 ondas peristálticas, o piloro relaxa e o alimento extravasa para o intestino.
A contração antral com o piloro fechado e a retropropulsão do quimo é conhecida como "sístole antral". Estes processos repetem-se e propiciam a trituração do quimo.
Controle Neuro-Hormonal do Esvaziamento Gástrico
A velocidade de esvaziamento gástrico é regulada por mecanismos neuro-hormonais, envolvendo a região antro-pilórica e o duodeno. O esvaziamento ocorre gradualmente, pois o intestino não tem capacidade de armazenamento.
Regulação pelo Piloro e Hormônios
O esvaziamento gástrico é exercido pelo piloro. Nos períodos interdigestivos, o piloro atua apenas como barreira. Durante o período digestivo, ele regula a velocidade do esvaziamento de acordo com a capacidade do duodeno em processar o quimo.
A atividade motora do piloro é coordenada pelo Sistema Nervoso Autônomo (SNA) e regulada por hormônios gastrintestinais (enterogastronas). Todos os hormônios listados abaixo, assim como os neurotransmissores Acetilcolina (ACh) e Noradrenalina (NA), tendem a contrair o piloro, retardando o esvaziamento:
- Gastrina (G): Liberada tanto do antro gástrico quanto do duodeno.
- Secretina (S): Liberada do intestino delgado em resposta ao pH ácido do quimo gástrico. Estimula a secreção pancreática rica em bicarbonato.
- Colecistocinina (CCK): Liberada do intestino delgado pelos produtos da hidrólise lipídica e proteica do quimo. Estimula a secreção pancreática rica em enzimas, contrai a vesícula biliar e relaxa o esfíncter de Oddi (facilitando a digestão de gorduras).
- Peptídeo Inibidor Gástrico (GIP): Liberado em resposta a gorduras e carboidratos.
- Enterogastrona: Liberada devido à hipertonicidade do quimo gástrico no duodeno.
Complexo Migratório Mioelétrico (CMM)
Materiais não esvaziados durante o período digestivo são propelidos para o intestino delgado por ondas peristálticas do Complexo Migratório Mioelétrico (CMM), nos períodos interdigestivos, efetuando a "faxina gástrica".