Fisiologia Hepática e Metabolismo da Bilirrubina
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Estrutura e Função Hepática
O fígado é formado por lóbulos hexagonais ou octogonais, com uma veia central e o espaço porta. O sangue entra no fígado pela veia porta e pela artéria hepática. Enquanto o sangue entra, a bile sai. Nas tríades portas, há ductos biliares, veia, artéria e linfático. O modelo do cacho de uvas, proposto em 1954, descreve ramificações arteriais e venosas que passam pelos cordões de hepatócitos e desembocam na veia central. Cerca de 1/4 do sangue é arterial e 3/4 venoso (proveniente do intestino). Os ductos biliares formam o ducto cístico, que segue em direção à vesícula biliar, sendo a bile liberada no intestino através do ducto colédoco.
Processamento Celular e Espaço de Disse
Os hepatócitos processam substâncias tóxicas. O sangue entra pelo sistema portal e os hepatócitos são cobertos por células endoteliais fenestradas, permitindo a passagem de moléculas como quilomícrons, HDL e VLDL. Entre os hepatócitos e o endotélio existe o espaço de Disse, onde a superfície dos hepatócitos é rica em vilosidades. O canalículo biliar é formado pelos próprios hepatócitos.
Patologias e Degradação de Hemácias
A morte de hepatócitos por viroses, alcoolismo ou medicamentos pode levar à proliferação de fibroblastos e perda funcional. Células de Kupffer, abundantes no fígado e baço, degradam hemácias. O heme é reciclado ou transformado em biliverdina pela heme oxigenase, liberando Fe³⁺ (armazenado na ferritina ou transportado pela transferrina). A coloração dos hematomas, resultante da degradação da hemoglobina, é usada na medicina forense.
Metabolismo da Bilirrubina e Icterícia
A biliverdina é convertida em bilirrubina. Se produzida no baço, é transportada no sangue pela albumina. Quando a produção excede a capacidade da albumina, a bilirrubina acumula-se em tecidos adiposos, causando icterícia. No fígado, a bilirrubina é conjugada a ácidos glicurônicos pela UDP-glicurosil transferase, tornando-se solúvel para excreção.
Ciclo do Urobilinogênio
No intestino, a bilirrubina conjugada é reduzida a urobilinogênio (incolor), que pode formar urobilina (urina) ou estercobilina (fezes). A falta de bile causa fezes esteatorreicas. A icterícia obstrutiva ocorre quando a bile não flui, acumulando monoglicuronídeos de bilirrubina.
Diagnóstico Laboratorial
Exames medem a bilirrubina direta (conjugada/solúvel) e indireta (ligada à albumina). Enzimas marcadoras de lesão hepática incluem:
- AST e ALT: Indicam lise de hepatócitos.
- Fosfatase alcalina e GGT: Indicam obstrução biliar.
Tipos de Icterícia
- Pré-hepática (hemolítica): Hemólise intensa; aumento de urobilinogênio.
- Hepática (parenquimatosa): Lesão no parênquima (vírus, álcool); aumento de transaminases.
- Pós-hepática (obstrutiva): Bloqueio dos ductos biliares; aumento de fosfatase alcalina e GGT.
- Fisiológica (neonatal): Hemólise pós-nascimento; tratada com fototerapia (luz azul).