Fisiologia Renal: Osmolalidade e Controle do Balanço Hídrico
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Fisiologia Renal: Controle da Osmolalidade e Balanço Hídrico
Secreção e Reabsorção
Tudo o que é direcionado ao lado basolateral é enviado para o interstício (reabsorção), onde a substância será absorvida pelo vaso sanguíneo. Por isso, a importância da íntima relação do sangue com o néfron.
O filtrado gerado no glomérulo percorre todo o néfron, que apresenta células com membrana luminal e membrana basolateral voltada para o interstício. Nesse sentido, existe um tráfego de substâncias saindo da luz do túbulo, passando pela célula e indo para o interstício (reabsorção), ou saindo do vaso sanguíneo, passando pelo interstício e indo para a luz do túbulo (secreção). Os diferentes segmentos do néfron possuem capacidades funcionais distintas.
Osmolaridade
A osmolaridade do líquido extracelular e intracelular é de aproximadamente 300 mOsm (força iônica total). Valores abaixo desse indicam pouco soluto e excesso de água; valores maiores indicam escassez de água ou excesso de soluto.
Epitélio Renal e Transporte
As células do néfron são polarizadas morfologicamente e funcionalmente. Possuem muitas vilosidades no lado luminal, principalmente no túbulo proximal, que apresenta intensa capacidade de absorção. As ATPases estão localizadas no lado oposto para transportar solutos contra o gradiente de concentração para o interstício renal. Além disso, o gradiente criado pelas ATPases permite o transporte de proteínas no lado luminal (antiporte).
Respostas Celulares à Mudança de Osmolaridade
Hemácias circulam no plasma em forma isotônica, garantindo o transporte de oxigênio:
- Meio hipertônico: As células murcham (crenação), pois a água é retirada para o meio.
- Meio hipotônico: As hemácias incham até romperem (hemólise).
Osmolalidade Plasmática
A osmolalidade é a função do número total de partículas em solução, independentemente de massa, carga ou composição química. A faixa normal é de 290-300 mOsm/kg.
A manutenção dessa faixa estreita é vital para as funções celulares:
- 260 mOsm (Super-hidratação): Causa hiposmolalidade, resultando em náuseas, mal-estar, dor de cabeça, letargia, convulsões e coma.
- 310 mOsm (Desidratação): Causa hiperosmolalidade, resultando em sintomas neurológicos como letargia, fraqueza, convulsões e coma.
Balanço Hídrico do Organismo
O equilíbrio entre a perda e a ingestão de água é fundamental:
- Perda insensível: Respiração, suor e fezes.
- Perda sensível: Urina.
Regulação Renal da Osmolalidade
Quando o sangue passa pelos rins, a água acumulada é retida ou excretada para ajustar o fluxo urinário e a osmolalidade da urina. Em condições normais, ocorre reabsorção de água no túbulo proximal e na alça de Henle descendente; contudo, a partir da alça de Henle ascendente, não há reabsorção de água, apenas saída de solutos.
No hipotálamo, neurônios especializados chamados osmorreceptores detectam a osmolalidade sanguínea. Eles são mais sensíveis à hipertonicidade que as hemácias e, ao murcharem, deflagram uma cascata que ativa a sede e a liberação do hormônio antidiurético (ADH) pela neuro-hipófise.
Regulação e Função do ADH
O ADH é sintetizado no hipotálamo (núcleos paraventricular e supra-óptico) e liberado na corrente sanguínea pela neuro-hipófise. Sua função principal é tornar o ducto coletor permeável à água, permitindo sua reabsorção através das células principais. Pacientes hipertensos frequentemente utilizam diuréticos para diminuir o volume plasmático e reduzir a pressão arterial.