Fisiologia Respiratória: Volumes e Mecânica Pulmonar
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Movimentos respiratórios (zona de transição, zona respiratória, poros de Kohn):
- Músculos inspiratórios principais: diafragma, intercostais e escalenos.
- Músculos inspiratórios acessórios: esternocleidomastóideo.
- Músculos expiratórios mais importantes: reto abdominal, oblíquo interno e externo, transverso do abdômen (atuam para abaixar as costelas e eliminar o ar e o CO₂).
Contração dos músculos inspiratórios: ocorre a diminuição da pressão alveolar (subatmosférica), resultando na entrada de ar através das vias respiratórias. Na expiração, a pressão intra-alveolar torna-se supra-atmosférica (maior pressão alveolar), e o ar sai pelas vias aéreas.
Espirômetro: mede a maioria dos volumes e capacidades pulmonares, sendo indicadores da função pulmonar. É um exame qualitativo e quantitativo que pode indicar a asma.
Volumes pulmonares:
- Volume Corrente (VC): volume de ar que entra e sai dos pulmões em cada ciclo respiratório (500 ml).
- Volume de Reserva Inspiratório (VRI): volume de ar que pode ser inspirado a partir do VC normal ou inspiração normal (3000 ml).
- Volume de Reserva Expiratório (VRE): volume de ar que pode ser expirado a partir de uma expiração normal ou VC expiratório normal (1.100 ml).
- Volume Residual (VR): volume de ar que permanece nos pulmões após uma expiração forçada (1.200 ml); é um volume permanente e não pode ser medido diretamente.
Capacidades pulmonares:
- Capacidade Inspiratória (CI): volume de ar que pode ser inspirado a partir de uma expiração normal (VC + VRI = 3.500 ml).
- Capacidade Vital (CV): é o volume de ar que pode ser inspirado ao máximo após uma expiração máxima (VRI + VC + VRE = 4.600 ml).
- Capacidade Pulmonar Total (CPT): é o volume máximo que os pulmões podem ser expandidos com maior esforço inspiratório (CV + VR, ou a soma dos 4 volumes = 5.800 ml).
- Capacidade Residual Funcional (CRF): é o volume de ar que permanece nos pulmões após uma expiração normal (VRE + VR = 2.300 ml); não pode ser medido diretamente.
Espaço Morto:
- Espaço Morto Anatômico (EMA): volume de gás contido nas vias aéreas de condução (do nariz aos bronquíolos terminais); aproximadamente 150 ml (inspiração profunda = 220 ml; expiração profunda = 110 ml). Esse ar é muito importante na ressuscitação. Ele tem esse nome por não realizar troca gasosa, auxiliando na sobrevida.
- Espaço Morto Fisiológico (EMF): soma do EMA com volumes gasosos pulmonares que não participam das trocas gasosas. Há ventilação (ar), mas não há perfusão (passagem de sangue).
Em determinadas regiões, a capacidade de oxigênio supera a passagem de sangue. Uma quantidade de ar nos alvéolos que não participa das trocas gasosas efetivamente.
Ventilação Alveolar (VA): porção da ventilação global que, a cada minuto, alcança a zona respiratória. Depende do Volume Corrente (VC), do Espaço Morto (EM) e do número de incursões respiratórias em um minuto — Frequência Respiratória (FR). Fórmula: VA = (VC – EM) x FR.
Complacência do sistema respiratório: refere-se à relação entre a variação do volume gasoso imobilizado e a pressão necessária para mantê-lo insuflado.
- Estrutura complacente: é aquela que se expande facilmente comparada a outra.
- Complacência pulmonar: tem valor normal de 200 ml por cm de H₂O. É a variação de volume e pressão.
*A maior complacência se mede quando há a menor variação de pressão para colocar o mesmo volume para dentro dos alvéolos.
Interdependência pulmonar: dilatação que ocorre tanto nos brônquios quanto nos vasos sanguíneos.
Pulmões: retraem e colapsam devido às fibras elásticas, colágeno e tensão superficial.
Tensão superficial: moléculas de água que se atraem, formando um “tapete”. Ocorre em uma interface entre ar e líquido.
Alvéolos: influenciados pela tensão superficial, força de colágeno, fibras elásticas e surfactante. Quanto mais as moléculas de água se atraem (tensão superficial), mais os alvéolos se fecham (diminuindo seu tamanho).
Surfactante: serve para não deixar que os alvéolos se fechem devido à tensão superficial; age como um detergente. Tem uma superfície polar e outra apolar que atraem as moléculas tanto de ar quanto de água, fazendo com que as moléculas de água se afastem. Quanto menos surfactante, maior a dificuldade de inspirar o ar, exigindo assim mais pressão.
O surfactante é liberado pelo pneumócito tipo II para o interior do alvéolo, afastando as moléculas de água e diminuindo a tensão superficial, impedindo que os alvéolos colapsem. Quanto maior a tensão superficial, menor a complacência pulmonar. A tensão superficial auxilia o pulmão a fechar.
Quando é colocado líquido (soro fisiológico) nos pulmões, elimina-se a tensão superficial que causa o fechamento dos alvéolos. Sendo assim, sem essa tensão, os alvéolos não se fecham, necessitando de menos pressão do que se colocasse ar nos pulmões. O sistema fica mais complacente quando se coloca soro fisiológico e menos complacente quando se coloca a mesma quantidade de ar.