Fisioterapia em Neurologia: TCE, EM, TVM e Parkinson
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CIF Neurologia: Traumatismo Cranioencefálico (TCE)
Causas: Acidentes de carro, quedas, assaltos e violência.
- Principal causa de morte em crianças e jovens;
- Casos graves podem resultar em estado vegetativo persistente.
Tipos de Lesão:
- Aberta (TCE aberto – maior risco de infecção);
- Fechada.
Impacto: Alta intensidade (ex: acidente de carro) ou baixa intensidade (golpe, objeto cego).
Lesões de alta velocidade: Maior probabilidade de lesão axonal difusa.
Fatores que Influenciam o Resultado
- Lesão primária: Lesão imediata ao encéfalo.
- Lesão secundária: Efeito cumulativo da lesão encefálica primária produzido por mecanismos sistêmicos e intracranianos que ocorrem após a lesão.
Lesões Secundárias
- Hematoma intracraniano (epidural, subdural ou intracerebral).
| Tipo de Hematoma | Epidural | Subdural |
|---|---|---|
| Localização | Entre o crânio e a dura-máter | Entre a dura-máter e a aracnoide |
Aumento da Pressão Intracraniana (PIC): Ocorre porque o crânio é rígido e o edema ou anomalias na dinâmica do líquido cerebral aumentam a PIC. A PIC normal varia entre 10 a 15 mmHg.
Intervenção do Fisioterapeuta no TCE
Cuidados para evitar o aumento da pressão intracraniana (PIC):
- Mobilização: Atenção à velocidade e duração do procedimento.
- Verticalização: Avaliar se é possível e quais os cuidados adicionais.
- Posicionamentos: Identificar indicações, contraindicações e cuidados especiais.
Avaliação: Escala de Coma de Glasgow.
Déficits: Cognitivos, neuromusculares, visuais, perceptivos, alterações de comportamento (desinibição), deglutição (disfagia) e comunicação.
Complicações: Contraturas, déficits de mobilidade, úlceras de decúbito, ossificação heterotópica (formação de osso no músculo ou tecidos moles), diminuição da resistência física, infecções respiratórias (ex: pneumonia), comprometimento da fala (traqueostomia) e trombose venosa profunda.
Intervenção de Fisioterapia - Fase Aguda
- Potenciar/restabelecer a dinâmica ventilatória;
- Prevenir alterações adaptativas secundárias no sistema musculoesquelético;
- Monitorização 24h e trabalho em equipe;
- Tratamentos de curta duração, várias vezes ao dia, com repouso;
- Uso de ortóteses de MIs em casos graves para prevenir aumento do tônus;
- Fisioterapia respiratória e mobilização passiva (progredir para ativa-assistida);
- Cuidados com a pele e posicionamentos.
Intervenção - Fase Subaguda
- Avaliação de déficits sensório-motores residuais;
- Ambiente apropriado para recuperação funcional;
- Aumentar tolerância a atividades e melhorar controle motor;
- Diminuir tônus e melhorar integridade articular;
- Educar o doente e a família sobre sequelas e complicações.
Intervenção Pós-Subaguda
- Intervenção em casos com diferentes sequelas (leves a severas);
- Reverter alterações adaptativas e melhorar capacidades motoras específicas;
- Foco em objetivos funcionais realistas e acompanhamento a longo prazo.
Esclerose Múltipla (EM)
Doença desmielinizante do SNC que afeta o encéfalo e a medula espinhal, com predominância na substância branca. Lesões na substância cinzenta ocorrem em estágios avançados.
- Áreas de predileção: Nervo óptico, substância branca subcortical (periventricular), tratos corticoespinhais e pedúnculos cerebelares.
- Etiologia: Desconhecida (provável doença autoimune desencadeada por infecção viral).
- Epidemiologia: Atinge adultos jovens (mais mulheres). Prevalência maior em latitudes elevadas (Norte da Europa e América).
Classificação da EM
- Surto-Remissão: Surtos seguidos de recuperação total ou parcial.
- Secundária Progressiva: Inicia com surtos e evolui para perda gradual de funções.
- Primária Progressiva: Perda gradual e insidiosa sem surtos definidos.
- Benigna: Incapacidade inexistente ou reduzida após muitos anos.
Sintomas: Na fase inicial ocorrem distúrbios visuais, parestesias, incontinência e fadiga. Na fase avançada, surgem paraplegia, bexiga neurogênica, disartria, ataxia e instabilidade emocional.
Intervenção da Fisioterapia na EM
- Manter nível funcional e incentivar estratégias de conservação de energia;
- Melhorar padrões de movimento e minimizar alterações de tônus;
- Atenção redobrada para não desencadear fadiga excessiva;
- Uso de produtos de apoio e técnicas manuais.
Escalas: Escala Modificada de Impacto de Fadiga e Escala de Severidade da Fadiga.
Traumatismo Vertebromedular (TVM)
Classificação: Tetraplegia, paraplegia, completa, incompleta ou oblíqua. O mecanismo de lesão geralmente envolve força direta na cabeça e tronco (acidentes, quedas, armas de fogo).
Escala ASIA (Classificação de Deficiência)
| Grau | Tipo | Descrição |
|---|---|---|
| A | Completa | Nenhuma função motora ou sensorial preservada nos segmentos sacrais S4-S5. |
| B | Incompleta | Sensibilidade preservada, mas sem função motora abaixo do nível da lesão. |
| C | Incompleta | Função motora preservada; maioria dos músculos principais com grau < 3. |
| D | Incompleta | Função motora preservada; maioria dos músculos principais com grau ≥ 3. |
| E | Normal | Funções motora e sensorial normais. |
Manifestações e Complicações: Choque medular, disreflexia autonômica, hipotensão postural, úlceras de pressão, dor traumática/neuropática e osteoporose.
Objetivos e Intervenção no TVM
- Prevenir complicações respiratórias e escaras;
- Manter amplitude de movimento (AM) e força muscular;
- Treino de atividades funcionais (rolar, equilíbrio sentado, transferências);
- Uso de ortóteses e promoção da posição ortostática;
- Treino de marcha (se a força muscular permitir) com ou sem suporte de carga.
Doença de Parkinson (DP)
Doença neurodegenerativa caracterizada pela perda de neurônios dopaminérgicos na substância negra.
Sinais Cardinais e Características
- Bradicinesia, rigidez, tremor de repouso e instabilidade postural.
- Outros sinais: Micrografia, face em máscara, hipofonia, marcha festinada e freezing (congelamento).
Escala de Hoehn e Yahr (Estágios)
- Estágio I: Doença unilateral.
- Estágio II: Doença bilateral sem sinais axiais.
- Estágio III: Doença bilateral leve a moderada; alguma instabilidade; independente.
- Estágio IV: Incapacidade marcada; necessita de ajuda para AVDs; consegue andar/estar de pé.
- Estágio V: Cadeira de rodas ou acamado.
Intervenção de Fisioterapia no Parkinson
- Melhorar equilíbrio, marcha e prevenir quedas;
- Uso de pistas sensoriais (visuais, auditivas) para superar o déficit de automatismo;
- Treino direcionado para a tarefa e estratégias de conservação de energia;
- Atenção ao fenômeno on-off da medicação (levodopa) durante o tratamento.