A Formação e a Romanização da Península Ibérica
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Os Povos da Península Ibérica
Abordagem geral:
O problema principal era a falta de unidade devido às diferenças na organização econômica e cultural dos povos indígenas. Gregos e fenícios negociaram e colonizaram o leste e o sul da península através do Mediterrâneo. Os celtas vieram pelos Pirenéus, instalando-se na Catalunha e no planalto, aumentando a população local. Estes povos uniram-se aos que já estavam na fase do Bronze Final, resultando na divisão entre ibéricos, celtas e celtiberos.
Povos do Sul da Península Ibérica
Situados no Vale do Guadalquivir e no litoral sul, possuíam culturas pré-históricas influenciadas por fenícios e cartagineses. Na primeira metade do primeiro milênio a.C., os Tartessos iniciaram uma política expansionista. Eram povos muito organizados (Córdova, Sevilha e Cádiz), com cidades-estado governadas por reis, assembleias populares, conselhos e magistrados. Sua economia baseava-se na agricultura, pecuária, mineração e metalurgia.
Povos do Leste da Península Ibérica
Semelhantes aos do sul, mas com cultura influenciada pelos gregos. A comunicação externa ocorria por terra e mar, penetrando pelas bacias hidrográficas. A organização social era composta por latifundiários, industriais e comerciantes. Politicamente, organizavam-se em cidades-estado com assembleias e senados; em áreas mais próximas, havia monarquias que controlavam o poder executivo e militar.
Povos do Centro e Oeste da Península Ibérica
Situados no planalto e na parte ocidental, resistiram aos romanos. Incluíam celtas, celtiberos, arevacos, lusões, pelendones, vácceos, carpetanos e vetões. Eram organizados em tribos e clãs com centros fortificados. A economia baseava-se na agricultura e pecuária. Praticavam o hospitium (direitos entre grupos) e o clientelismo militar.
Povos do Norte da Península Ibérica
Povos menos desenvolvidos economicamente e politicamente, com influência celta. Sua economia era primitiva, baseada na coleta e agricultura, além de pilhagens. A organização social era baseada em laços de parentesco e tribos. As mulheres desempenhavam papéis fundamentais na guerra, agricultura e gestão doméstica.
Assentamentos e Rotas de Metais
Colonização:
Iniciada na primeira metade do primeiro milênio a.C. por gregos e fenícios. O objetivo era alcançar a área de metais no Oeste. Os cartagineses expulsaram os gregos do sul, garantindo rotas comerciais, enquanto os fenícios mantiveram influência na costa leste.
Colonização Púnica e Grega
Os fenícios estabeleceram-se no Mediterrâneo para o comércio, fundando Cartago. Os cartagineses conquistaram Ibiza. Os gregos, que utilizavam moeda, negociaram com o sul até serem bloqueados pelos cartagineses. Como resultado, os nativos adotaram técnicas agrícolas, pecuárias e formas de arte e escrita gregas/fenícias.
A Romanização da Hispânia
A romanização enfrentou a difícil adaptação dos povos peninsulares às leis, costumes e língua latina. A cidade tornou-se o elemento fundamental de transformação, dividindo a sociedade entre homens livres e escravos. A distribuição de terras e a fundação de colônias militares foram cruciais para a estabilidade administrativa e a criação de províncias.
Economia e Comércio
A principal fonte de riqueza era o cereal (trigo exportado para Roma), além de azeite, vinho, têxteis e mineração. A propriedade privada e os latifúndios da classe senatorial dominaram a estrutura agrária. O comércio exterior focava na exportação de matérias-primas e metais, e na importação de bens de luxo.
Sociedade Hispano-Romana
A sociedade era complexa e não homogênea, dividida entre homens livres e escravos. A família era patriarcal, com o pai exercendo autoridade suprema.
Grupos de Homens Livres
Dividiam-se em: Ordem Senatorial (governo imperial), Ordem Equestre (proprietários de terras e investidores), Decuriões (oligarquias municipais) e a Plebe (urbana e rústica). Durante o Baixo Império, a crise do século III d.C. alterou a estrutura social, levando à ruína de oligarquias locais e à perda de status dos escravos.