O Primeiro Franquismo: Ditadura e Sobrevivência (1939-1955)
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O Primeiro Franquismo (1939-1945)
O primeiro Franquismo estende-se desde a vitória de Franco na Guerra Civil Espanhola (abril de 1939) até ao final da Segunda Guerra Mundial (1945). Durante esses anos, continuou a configuração da ditadura iniciada nos anos de guerra. O seu modelo principal foi o fascismo italiano, mas com um caráter muito conservador e católico, para satisfazer as principais forças políticas e sociais que o apoiaram na Guerra Civil.
O regime estava em dívida com a Alemanha e a Itália pelo apoio decisivo recebido durante o conflito. Este facto levou a uma política ambígua e oscilante, próxima às potências do Eixo, durante a Segunda Guerra Mundial.
Características da Ditadura Franquista
As principais características do regime eram:
- Concentração de poder na figura de Franco.
- Restrição de direitos e liberdades, com a existência de um partido único: a Falange Española Tradicionalista y de las JONS.
- Atribuição da manutenção da ordem interna às forças armadas.
- Controlo da informação através de uma censura sistemática.
- Intensa repressão política e social.
- Nacional-Catolicismo como ideologia de Estado.
A Espanha na Segunda Guerra Mundial
A Segunda Guerra Mundial eclodiu em setembro de 1939, cinco meses após a vitória de Franco. O regime demonstrou a sua solidariedade para com o Eixo, sem, no entanto, entrar abertamente na guerra. A sua posição passou por três fases distintas:
- No início do conflito, Franco declarou a neutralidade, apesar da sua proximidade com o Eixo.
- Em junho de 1940, após a queda da França e a entrada da Itália na guerra, proclamou a não-beligerância, uma posição favorável ao Eixo. Em 23 de outubro, reuniu-se com Hitler em Hendaye para negociar as condições de entrada de Espanha na guerra. As condições de Franco foram: ajuda militar e económica, e a recuperação de Gibraltar.
- A partir de 1942, com a mudança no rumo da guerra, Espanha regressou a uma neutralidade mais estrita.
Isolamento Internacional e Sobrevivência (Pós-1945)
A proximidade de Franco com as potências do Eixo e a natureza fascista do seu regime renderam-lhe a condenação internacional no final da Segunda Guerra Mundial. O regime foi condenado na Conferência de Potsdam e pela ONU, que recomendou a retirada dos embaixadores. A França chegou mesmo a fechar a sua fronteira por dois anos.
Autarcia Económica
O isolamento tornou a autarcia económica uma necessidade vital. Esta política, que visava a autossuficiência, favoreceu o setor industrial em detrimento da agricultura e levou à intervenção do Estado no mercado, com o estabelecimento de um severo racionamento de alimentos básicos que durou até ao início dos anos 50.
A Sobrevivência do Regime e o Reconhecimento Externo
A saída do isolamento deveu-se mais ao novo contexto internacional do início da Guerra Fria do que a alterações internas do regime. O bloco ocidental, liderado pelos EUA, via no regime de Franco um forte aliado anticomunista, apesar de ser uma ditadura.
A Espanha ficou de fora da ajuda do Plano Marshall e da NATO. Contudo, a partir de 1949, as suas relações com os Estados Unidos começaram a melhorar, com a negociação de empréstimos. Em poucos anos, o regime restabeleceu relações diplomáticas, assinou acordos com os EUA e o Vaticano, e foi admitido em organizações internacionais. O culminar deste processo foi a adesão à ONU em 1955.
A Oposição ao Regime
A oposição, após a terrível repressão que se seguiu à guerra, reorganizou-se e diversificou os seus métodos de luta contra a ditadura, embora com grandes dificuldades.