O Franquismo: Repressão e Ideologia no Pós-Guerra
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1. O Pós-Guerra Imediato: Exaltação e Repressão
Introdução
Francisco Franco foi um ditador que consolidou um poder sem paralelo na história da Espanha. Sua exaltação febril como líder nacional ajudou a colocá-lo acima de todas as tendências políticas do regime, reforçada por uma brutal repressão contra a oposição.
Em 1 de outubro de 1936, Franco foi nomeado generalíssimo das três forças armadas e líder do partido único.
Até sua morte, Franco esteve convencido de seu papel providencial como salvador do país. Isso foi sustentado por uma intensa propaganda elogiosa iniciada no pós-guerra. Os ideólogos do regime cunharam a expressão de que o comandante era o único responsável "perante Deus e perante a história".
O Exército e o Nacionalpatriotismo
A principal contribuição militar para a ideologia do regime foi o nacionalpatriotismo, uma visão unitária e tradicionalista da Espanha que Franco adotou devido ao seu passado e treinamento militar.
Era uma concepção de Espanha na qual a defesa da integridade territorial era a prioridade do governo. Portanto, qualquer indício de separatismo ou particularismo regional era invariavelmente rotulado como tal e, em busca de uniformidade, proibiu-se o uso público de qualquer língua que não fosse o castelhano.
O Exército foi o principal reduto do novo Estado. Com espírito tradicional e profundamente imbuído das ideias totalitárias da época, assumiu a liderança do Generalíssimo, ocupando os mais altos níveis do governo. Na década de 1940, uma grande porcentagem de ministros e secretários eram militares.
A Falange e o Nacional-Sindicalismo
Na década de 1940, a Falange Espanhola Tradicionalista e das JONS contribuiu com elementos da ideologia social e sua imagem externa. Anti-liberal, anti-marxista e anti-democrática, a Falange favoreceu um sistema totalitário chamado nacional-sindicalismo. A base deste sistema inspirou-se nas teorias fascistas italianas sobre a organização do Estado corporativo: um Estado controlado por um partido único e um sindicato que superasse os conflitos entre classes sociais, promovendo sentimentos de solidariedade nacional.
A Falange transformou a memória de seu líder, José Antonio Primo de Rivera — executado durante a guerra —, em um mito e um mártir. O grito de "¡Presente!", ao referir-se à ausência de José Antonio, tornou-se um dos slogans do regime.
Se no início da guerra a Falange contava com cerca de 6.000 membros, os chamados "camisas velhas", durante os anos 40 o número cresceu para cerca de 600.000. O partido exerceu seu trabalho de doutrinação e recrutamento através de organizações paralelas voltadas a setores sociais específicos, como mulheres (Seção Feminina) e jovens (Organização Juvenil Espanhola - OJE).
Sob sua inspiração, criou-se a CNS (Central Nacional Sindicalista), uma ficção de sindicato único e interclassista, ao qual empregadores e trabalhadores eram obrigados a aderir.
A Falange ocupava cerca de um terço dos altos cargos do regime franquista no início dos anos 40. Contudo, a derrota da Itália e da Alemanha em 1945 levou o regime a ocultar seu componente fascista.