A Frente Popular e o Início da Guerra Civil Espanhola

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1. Formação e Programa da Frente Popular nas Eleições de Fevereiro de 1936

A mudança de estratégia internacional do comunismo direcionou a política para a criação de Frentes Populares, que envolviam uma aliança de partidos socialistas e comunistas com a burguesia democrática contra um inimigo comum: o fascismo. O objetivo central era deter o avanço fascista.

O projeto da Frente Popular em Espanha consolidou-se enquanto o governo vigente, envolvido em escândalos financeiros e corrupção, viu-se obrigado a convocar eleições para o dia 16 de fevereiro de 1936. Republicanos e socialistas prepararam-se para a consulta com a assinatura de uma aliança eleitoral — a Frente Popular — que representava a esquerda e grande parte das forças progressistas. Seu programa enfatizava:

  • A restauração das reformas políticas do primeiro biênio;
  • A concessão de amnistia para os presos da Revolução de Outubro.

Este programa possuía um caráter reformador social. Embora a direita tenha tentado formar alianças em muitas províncias, faltou-lhe o sentimento de união que garantiu a vitória da CEDA em 1933. A experiência de dois anos de governo pesou negativamente para a centro-direita, marcada por desentendimentos e divisões. Beneficiada por uma lei eleitoral que encorajava a formação de coligações, a Frente Popular aproveitou a fragmentação da centro-direita e conquistou confortavelmente a maioria absoluta necessária para governar.

2. O Conflito Social

Os resultados das eleições provocaram as primeiras tentativas de demonstração de força entre os perdedores. A vida política foi sufocada pelo radicalismo do proletariado e por membros de organizações de direita e militares que migraram para movimentos extremistas. A Falange multiplicou suas ações violentas. Rumores de golpe provocaram o antimilitarismo na imprensa de esquerda, o que contribuiu para o clima generalizado de violência.

A situação tornou-se ainda mais complexa quando o Congresso decidiu afastar Niceto Alcalá-Zamora de seu cargo como Presidente da República, substituindo-o, em maio de 1936, por Manuel Azaña. Com isso, Azaña perdeu parte de sua capacidade de ação direta, pois a Constituição atribuía as funções executivas à liderança do governo, e não à presidência.

Durante os meses de junho e julho, o campo e as cidades testemunharam uma crescente agitação revolucionária. Em 12 de julho, pistoleiros assassinaram o Tenente Castillo, da Guarda de Assalto. No dia seguinte, em represália, foi assassinado José Calvo Sotelo, principal líder da direita parlamentar.

3. A Conspiração contra o Governo da Frente Popular

O governo da República designou o General Mola para Pamplona, no intuito de afastar de Madrid os militares suspeitos de deslealdade. No entanto, lá ele obteve o apoio do braço armado carlista e emergiu como o principal articulador da conspiração que líderes monárquicos haviam iniciado. Francisco Franco e o General Goded também planejavam o movimento, aguardando o momento oportuno.

Em 17 de julho de 1936, a guarnição de Melilla revoltou-se e declarou estado de guerra em Marrocos. Partindo das Ilhas Canárias, Franco voou para Tetuão para assumir o comando do exército da África. Poucos dias depois, com o fracasso parcial do levante nas principais cidades da Espanha, os combates entre as forças rebeldes e as leais ao governo transformaram-se em uma Guerra Civil.

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