Frequência de Reabsorção Radicular Inflamatória pós-Trauma

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Frequência de reabsorção radicular inflamatória decorrente de trauma em dentes anteriores

Inflammatory root resorption frequency due to trauma in anterior teeth

Luiz Fernando Machado Silveira*, Letycia Barros Gonçalves**, Melissa Feres Damian***, Luis Eduardo Rilling da Nova Cruz****, Cristina Braga Xavier*****, Josué Martos*

Objetivo

A reabsorção radicular inflamatória é uma das consequências do traumatismo dentário, sendo a detecção e o tratamento precoces determinantes na limitação de seus danos. Assim, o objetivo deste estudo foi investigar, em dentes anteriores permanentes traumatizados, a prevalência de reabsorção radicular inflamatória, relacionando-a com os diferentes tipos de traumatismos nos tecidos de sustentação e dentários.

Sujeitos e método

Os dados relativos à reabsorção inflamatória foram coletados a partir de 111 dentes, nos prontuários de 74 pacientes de um serviço de tratamento de trauma dental da FO/UFPel, no período de 2005 a 2011. Foram registrados, ainda, o sexo e a idade dos pacientes, os dentes envolvidos no trauma, a presença de rizogênese completa ou não e o tempo inicial para o aparecimento da reabsorção. A avaliação dos dados foi realizada por estatística descritiva e teste qui-quadrado, com correção de Yates, ao nível de significância de 5%.

Resultados

A reabsorção radicular inflamatória foi mais frequente em pacientes do sexo masculino, em incisivos superiores, em dentes com rizogênese completa e nas lesões de menor gravidade nos tecidos dentários e de sustentação. Ainda, as lesões nos tecidos de sustentação, quando não combinadas às fraturas dentárias, apresentaram maior frequência.

Assim, o prognóstico pulpar pós-trauma é dependente do dano periodontal e dos danos aos tecidos duros do dente, tendo o diagnóstico do trauma dentário valor duvidoso se esses dois fatores não forem avaliados em conjunto.

gif;base64,R0lGODlhSgECAHcAMSH+GlNvZnR3Y http://dx.doi.org/10.5335/rfo.v18i2.2930

Discussão

A experiência clínica sugere que a energia de impacto é dissipada na criação de fraturas, reduzindo a sua transmissão na direção dos tecidos de suporte. Além disso, a interposição do lábio no momento do traumatismo poderia atuar como um elemento de amortecimento, evitando fraturas coronárias, porém aumentando os riscos de luxações ou fraturas alveolares. Geralmente, esses fatores determinantes da energia de impacto são inconclusivos na avaliação clínica; mesmo assim, devem ser presumidos para que possamos monitorar com maior precisão o aparecimento das complicações do traumatismo dentário.

Os danos infligidos às estruturas periodontais podem resultar em reabsorção substitutiva, na qual ocorre uma união entre osso alveolar e estrutura radicular, sendo a substância radicular gradualmente substituída por osso. Em geral, a necrose pulpar faz-se presente com contaminação bacteriana do canal radicular, agindo como fator interveniente na manutenção da atividade reabsortiva. A detecção e o tratamento precoces tornam-se determinantes nas limitações dos danos produzidos.

Conclusão

É importante que as lesões traumáticas nos tecidos dentários sejam submetidas a um procedimento de diagnóstico mais detalhado para verificar o nível de comprometimento dos tecidos de sustentação. A reabsorção inflamatória, geralmente, surge em períodos inferiores a trinta dias após o trauma, sendo mais frequente quando associada à subluxação.

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