Fundamentos da Empresa: Estrutura, Meio Ambiente e Crescimento

Classificado em Economia

Escrito em em português com um tamanho de 13,06 KB

A Empresa como Unidade Económica e o Meio Ambiente

ITEM 1. A Empresa e o Meio Ambiente. A Empresa como Unidade Económica: as empresas, a fim de realizar a função de produção, precisam ter a função de consumo, mas também proporcionar alguns dos fatores de produção (trabalho, capital). Portanto, o consumo e a produção são as duas atividades-chave em todas as relações de troca que são geradas no sistema económico, onde a empresa é o centro de todas as atividades do sistema. Podemos definir a empresa como um conjunto organizado de elementos pela administração, visando a obtenção de um conjunto de metas, trabalhando sempre sob risco.

Objetivos da Empresa

Diferenciamos entre o fim da empresa ou propósito geral, as metas e os subobjetivos:

  • Fim da Empresa ou Objetivo Geral

    É a missão ou a razão de ser da empresa como uma unidade económica. Seria o ponto de partida da atividade empresarial, mas temos que concretizar as metas. Por exemplo, a missão de uma empresa que fabrica carros é fornecer transporte privado à população.

  • Objetivos Específicos

    São aqueles que a empresa deseja alcançar num determinado período. Estes tendem a ser ambiciosos, mas sem perder de vista o fim da empresa. Por exemplo, uma companhia de carros com o objetivo de lançar um novo modelo. Normalmente, o seu objetivo básico é maximizar o lucro, respeitando e preservando o meio ambiente. Em menor medida, a empresa também visa determinados fins sociais, pois cria empregos, atende à população e gera riqueza.

  • Subobjetivos

    São geralmente metas menores e de prazo mais específico. Um subobjetivo da empresa de carros seria a promoção do novo modelo.

Elementos da Empresa

A empresa que produz bens e serviços deve ter em conta uma série de fatores para funcionar corretamente. Podem ser classificados em quatro grupos:

  • Fatores Humanos: As pessoas coletivas ou singulares que têm uma ligação direta com a empresa, desde os proprietários, trabalhadores, gestores, etc.
  • Fatores Materiais: Os recursos económicos da empresa. Podemos distinguir entre os bens que são bens de capital (não circulante), que duram mais de um ano fiscal (máquinas, móveis de escritório, etc.) e os bens que compõem o capital de giro (circulante), que é todo o capital que se renova a cada ano (matérias-primas, canetas, etc.).
  • Organização: Aparece como um conjunto de relações de autoridade, coordenação e comunicação. Essa estrutura é definida pelo empregador.
  • Meio Ambiente: O meio que define todos os fatores que influenciam o desempenho do empregador, desde regulamentações governamentais até clientes ou fornecedores.

Funções e Áreas Funcionais da Empresa

Para coordenar todos os elementos da companhia e cumprir as metas, a empresa é dividida numa série de áreas funcionais:

  • Área Comercial (Negócios): Inclui todas as atividades necessárias para levar os bens e serviços produzidos aos consumidores.
  • Área de Produção: Por um lado, controla o fornecimento de matérias-primas e, por outro, gere a produção de bens e serviços.
  • Área de Investimento e Financiamento: Além de captar os fundos necessários para o funcionamento da empresa, realiza a política de investimento.
  • Área de Recursos Humanos: As suas funções são selecionar e recrutar, treinar e gerir todos os documentos (contratos, folha de pagamento, etc.).

Algumas empresas, devido ao seu tamanho, setor, etc., não possuem explicitamente todos os departamentos listados aqui e, em alguns casos, as suas funções são terceirizadas a outras empresas especializadas (agências administrativas para folha de pagamento, seguro social, etc.).

A Influência do Meio Ambiente na Empresa

A empresa não é uma entidade independente, fora das estruturas e infraestruturas do sistema, ou seja, do meio ambiente. A empresa é um elemento produtivo dentro de um sistema económico. Por essa razão, é condicionada pela estrutura económica em que está imersa. Portanto, a empresa é um sistema que faz parte de um ambiente. Podemos distinguir:

  • Ambiente Geral: Afeta todas as empresas em geral. (Exemplo: Uma crise afeta todas as empresas num país).
  • Ambiente Específico: Afeta de maneira particular cada uma das empresas, variando consoante o tipo de negócio. (Exemplo: Regulamento relativo à higiene dos vegetais).

A empresa, como uma unidade económica, tem de enfrentar o desafio da constante adaptação às exigências de um ambiente social em mudança.

Responsabilidade Social Corporativa (RSC)

Com o passar do tempo, a empresa tornou-se uma fonte de poder e influência sobre o ambiente em que opera, mas também é responsável por problemas sociais, como a poluição do ar ou da água e a especulação imobiliária. Até recentemente, exigia-se que a empresa fosse eficiente na obtenção de bens e serviços. Atualmente, no entanto, não interessa somente aumentar o Produto Nacional (PN), mas também melhorar o contexto socioeconómico a que o produto se destina. A empresa deve considerar, além dos aspetos puramente económicos, os aspetos sociais.

Alguns destes aspetos sociais são transferidos para a sociedade na forma dos chamados custos sociais. Os custos sociais negativos são os custos incorridos sem compensação por pessoas fora da empresa, como resultado dessa atividade. Por exemplo, a fumaça da chaminé de uma empresa afeta diretamente as pessoas que vivem nas proximidades. Portanto, o custo social negativo é aquele que tem um impacto negativo sobre a sociedade. Através dos custos sociais, a sociedade paga pelos erros das empresas.

Podemos definir Responsabilidade Social como a integração ativa e voluntária, por parte das empresas, das preocupações sociais e ambientais nas suas operações e no seu relacionamento com os seus parceiros, com o objetivo de melhorar a sua posição competitiva e o seu valor acrescentado. No campo da responsabilidade social corporativa, as organizações empresariais podem executar várias ações para melhorar, por exemplo, a qualidade de vida no trabalho e o meio ambiente. Por exemplo, algumas empresas oferecem creches para filhos de trabalhadores.

Localização e Dimensão da Empresa

Normalmente, quando uma empresa decide ser criada, dois dos problemas que surgem são o local onde a localizar e qual o tamanho a dar-lhe.

Localização da Empresa

Para escolher um local adequado, é preciso avaliar uma série de variáveis:

  • Demanda do Mercado: Deve ser analisado se a população ou a área onde a empresa quer instalar-se tem interesse no produto a ser oferecido e qual é a situação da concorrência.
  • Aprovisionamento de Matérias-Primas: Deve-se avaliar a qualidade das matérias-primas, o custo e a facilidade de as obter.
  • Comunicações e Transportes: Deve-se considerar se é um lugar de fácil acesso. Hoje, as empresas estão geralmente na periferia das grandes cidades. Quando essas empresas são caracterizadas por alta tecnologia, falamos sobre os parques tecnológicos. As lojas estão localizadas na periferia da cidade, por exemplo, nas saídas das rodovias, onde os clientes e fornecedores podem ter acesso facilmente.
  • Suprimentos: Deve-se ter informações sobre a disponibilidade de suprimentos, como eletricidade, água, telefone, etc.
  • O Custo de Construção e do Solo: Por exemplo, numa área industrial o preço é diferente do que numa área urbana.
  • Legislação: Deve-se estar familiarizado com as questões jurídicas e fiscais, comerciais e sociais, bem como com toda a ajuda e apoios públicos.
  • Investimento e Financiamento: É interessante localizar o negócio num lugar onde o acesso às instituições financeiras seja fácil.
  • Desenvolvimento Económico da Região: É preciso avaliar o desenvolvimento da região que for escolhida. Nas regiões onde não houve um crescimento constante nos últimos anos, será mais difícil para uma empresa prosperar.

Dimensão e Crescimento Empresarial

A dimensão refere-se à capacidade de produção. Para decidir o tamanho da empresa, é preciso primeiro saber qual é a capacidade necessária e a sua localização. A capacidade é entendida como o nível máximo de produção que pode ser obtido ao longo de um determinado período de tempo. Além do tamanho inicial, entre os objetivos da empresa estará aumentar a sua capacidade de produção durante a sua vida, ou seja, a sua dimensão. A empresa pode crescer de duas maneiras:

  • Crescimento Interno: Refere-se a aumentar a sua capacidade de produção através de novos investimentos.
  • Crescimento Externo: Refere-se à aquisição, controlo, fusão de empresas existentes, ou à cooperação com outras empresas.

Quando o mercado não é suficiente para o crescimento externo das empresas, estas são internacionalizadas, ou seja, tentam fazer o seu caminho no exterior.

Empresas Multinacionais

Multinacionais são aquelas que operam em dois ou mais países. Por exemplo, a Movistar. São corporações que têm uma grande capacidade de produção ou são o resultado de uma fusão e aquisição de empresas que procuram novos mercados. Convém diferenciar entre fusões e aquisições de empresas:

  • Fusão: É a união de várias empresas para criar uma nova. (Exemplo: Banco Santander Central Hispano).
  • Aquisição (Absorção): Significa que uma empresa adquire outra.

As multinacionais são formadas por um grupo de empresas. Uma delas é a empresa-mãe, que permanece ativa no país de origem; as outras são filiais dessa, estão noutros países e estão interligadas.

Características das Multinacionais

  • São empresas que, graças aos resultados da sua articulação, têm grande poder de deslocamento e uma grande resistência no mercado.
  • Possuem tecnologia, por isso estão constantemente a crescer e a absorver gradualmente o mercado e as empresas menores estão a fundir-se.
  • A deslocalização (Offshoring) é um fenómeno novo, mas já está disseminado.
  • Algumas empresas decidem transferir a produção para outro país, geralmente menos desenvolvido do que o seu, com salários inferiores aos trabalhadores no país de origem, com o único propósito de minimizar os custos. Ao minimizar os custos, as empresas produzem a um preço mais barato e tornam-se mais competitivas, já que podem vender a preços mais baixos.

Pequenas e Médias Empresas (PME)

Este grupo de empresas é responsável por 90% das empresas portuguesas/espanholas (dependendo do contexto original). Portanto, são de grande importância, tanto social como economicamente, porque muitas famílias dependem delas. Normalmente, o capital das PME é possuído por uma única pessoa ou por poucos sócios.

Características Básicas das PME

  • Baixa Formação Profissional: O empregador tem pouco conhecimento técnico, que muitas vezes é adquirido na gestão efetiva da empresa. Para administrá-la, avança por impulso e sem a formação académica adequada.
  • Baixa Capacidade Financeira: Normalmente iniciam-se como empresas familiares com poucos recursos de partida, e isso dificulta o seu crescimento e a geração de fluxo de caixa.
  • Obsolescência Tecnológica e Formação de Pessoal: A reciclagem do pessoal não avança tão rápido quanto a tecnologia da empresa. Isto é agravado pelo rápido desenvolvimento tecnológico e pelos avanços na investigação. Tudo isso pode significar que essas empresas fiquem fora do mercado, pois comportam custos mais altos devido a equipamentos obsoletos e menor qualidade de produção.
  • Organização Flexível: O número de trabalhadores é reduzido, o que permite a comunicação e a criação de uma boa equipa.
  • Integração de Pessoal: O pessoal está normalmente integrado na empresa; a partilha de ações e responsabilidades significa que estarão mais motivados pelo seu trabalho.
  • Desenvolvimento de Mercados Intersticiais: Ou seja, usam os espaços vazios deixados pelas grandes empresas nos mercados. Há áreas em que as PME podem dominar as grandes empresas, como a comercialização do produto, tendo um contacto mais direto com o cliente.
  • Criação de Emprego: As PME são um grupo de empresas que têm mais recursos de capital de giro, gerando mais empregos do que as grandes empresas.

Entradas relacionadas: