Fundamentos da Psicologia: Principais Teorias e Autores

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O Objeto da Psicologia

O objeto da psicologia é o estudo científico do comportamento e dos estados mentais. Podemos definir comportamento como todos os atos e reações observáveis, tudo o que o organismo faz e que se pode observar. A psicologia estuda também os estados mentais, como atitudes, emoções, sentimentos, entre outros.

Wilhelm Wundt e a Consciência

Wundt demarcou-se do pensamento dominante da época, procurando autonomizar a psicologia da filosofia. Nesse sentido, definiu um objeto (a consciência) e um método de investigação (introspeção controlada) com a finalidade de dar um estatuto de ciência à psicologia. Procurou desenvolver uma teoria sobre a natureza da mente humana que conjugasse a componente biológica e a componente social.

Introspeção controlada: só o sujeito que vive a experiência é que pode descrevê-la introspecionando-se, isto é, fazendo a autoanálise dos seus estados psicológicos em condições experimentais (descrição das experiências interiores).

John Watson e o Behaviorismo

Para Watson, o objeto de estudo é o comportamento, que é o conjunto de respostas (R) de um indivíduo a um estímulo (S). A fórmula R=f(S) indica que o comportamento (R) é função (f), isto é, depende da situação (S).

Watson rompe com as conceções dominantes e adota um modelo de investigação e de interpretação que visa dotar a psicologia com o estatuto de ciência objetiva. A necessidade de rutura leva-o à defesa de uma conceção de comportamento humano simplista e limitada. Afastou do estudo da psicologia os processos mentais e os comportamentos mais complexos; o sujeito estava remetido para um papel passivo.

Sigmund Freud e a Psicanálise

Freud afirma que não é a razão ou a consciência que controla a vida humana, mas as forças do inconsciente, que o indivíduo desconhece e pouco controla. Abre-se uma nova perspetiva que toma como centro o inconsciente, em vez da consciência, e que não reduz o ser humano a uma fórmula simplista de estímulo-resposta. É o novo conceito de ser humano.

As Tópicas Freudianas

  • 1ª Tópica: recorre à imagem do icebergue, onde o consciente corresponde à parte visível e o inconsciente à parte submersa. O inconsciente é uma zona do psiquismo muito maior que o consciente e exerce uma forte influência no comportamento.
  • 2ª Tópica:
    • O Id é a zona inconsciente, primitiva e instintiva, a partir da qual se formam o Ego e o Superego. Existe desde o nascimento, é constituído por pulsões e desejos desconhecidos e rege-se pelo princípio do prazer.
    • O Ego é a zona fundamentalmente consciente, formada a partir do Id. Rege-se pelo princípio da realidade, decidindo quais desejos do Id podem ser realizados. É o mediador entre as pulsões e o mundo real.
    • O Superego corresponde à interiorização das normas e valores sociais. É a componente ética e moral que pressiona o Ego para controlar o Id. Forma-se entre os 3 e os 5 anos.

Estádios do Desenvolvimento Psicossexual

  1. Estádio Oral (0 a 12/18 meses): a zona erógena é a boca. O bebé obtém prazer ao levar objetos à boca. Forma-se o Ego.
  2. Estádio Anal (12/18 meses aos 2/3 anos): a zona erógena é a região anal. A criança obtém prazer pela estimulação do ânus ao reter e expulsar as fezes.
  3. Estádio Fálico (3 aos 5/6 anos): a zona erógena é a região genital. Surge o Complexo de Édipo, caracterizado pela atração pelo progenitor do sexo oposto. Forma-se o Superego.
  4. Estádio de Latência (5/6 anos até à puberdade): caracterizado por uma aparente atenuação da atividade sexual e repressão de experiências passadas. Ganham importância as relações sociais.
  5. Estádio Genital (após a puberdade): ativação da sexualidade latente e reativação do Complexo de Édipo. O prazer sexual envolve agora todo o corpo.

Jean Piaget e o Desenvolvimento Cognitivo

Piaget enunciou as etapas cognitivas, formulando a primeira grande teoria do desenvolvimento da inteligência. Sendo o precursor do cognitivismo, as suas conceções influenciaram decisivamente a psicologia e a pedagogia.

Estádios de Desenvolvimento

  • Estádio Sensório-motor: inteligência prática, sensorial e motora. Surge a noção de permanência do objeto.
  • Estádio Pré-operatório: emergência da função simbólica e do pensamento intuitivo. Caracteriza-se pelo egocentrismo.
  • Estádio das Operações Concretas: o pensamento torna-se lógico e a criança começa a ultrapassar o egocentrismo, mas ainda necessita de objetos concretos para operar.
  • Estádio das Operações Formais: aparecimento do pensamento abstrato e do raciocínio hipotético-dedutivo. Surge o egocentrismo intelectual.

Processos de Adaptação

  • Assimilação: integração de novos dados nas estruturas anteriores (meio → sujeito).
  • Acomodação: as estruturas mentais modificam-se em função de situações novas (sujeito → meio).
  • Estádio: decorre do precedente por um processo integrativo de reestruturações sucessivas.

Piaget defende uma posição interacionista: o sujeito é um elemento ativo no processo de conhecer e decisivo nas mudanças das estruturas da inteligência.

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