Galileu, Descartes e a Evolução do Pensamento
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Galileu Galilei e a Revolução Científica
O Diálogo sobre os Dois Máximos Sistemas do Mundo encerra o período de 1610 a 1632, no qual Galileu Galilei realiza uma impressionante campanha a favor do copernicanismo e da liberdade de pensamento, que ultrapassa as fronteiras da ciência para dirigir-se ao público em geral, ao conjunto da cultura organizada de sua época. Por isso, o Diálogo é uma obra de combate, cujo objetivo indisfarçável é o de fazer rever o édito de 1616 da Inquisição romana que proibia o De Revolutionibus Orbium Coelestium de Copérnico.
Para alcançar essa meta, utilizou uma estratégia científica incisiva e precisa: provar o movimento da Terra por meio de uma explicação mecânica das marés. Galileu realiza essa tarefa passo a passo, destruindo na Primeira Jornada a cosmologia tradicional; justificando na Segunda e Terceira Jornadas os movimentos de rotação e translação da Terra; para, na Quarta Jornada, com base no duplo movimento da Terra, explicar as marés. Ao afirmar assim o caráter planetário da Terra, Galileu destrói os fundamentos antropocêntricos da visão tradicionalista cristã. E, de fato, será condenado em 1633 por esta obra que inaugura a ciência moderna e redesenha o mapa da cultura ocidental.
Galileu foi o primeiro a contestar as afirmações de Aristóteles, que, até aquele momento, havia sido o único a fazer descobertas sobre a física. Neste período, ele desenvolveu a balança hidrostática, que, posteriormente, deu origem ao relógio de pêndulo. A partir da informação da construção do primeiro telescópio na Holanda, ele construiu a primeira luneta astronômica e, com ela, pôde observar a composição estelar da Via Láctea, os satélites de Júpiter, as manchas do Sol e as fases de Vênus.
Esses achados astronômicos foram relatados ao mundo através do livro Sidereus Nuntius (Mensageiro das Estrelas), em 1610. Foi através da observação das fases de Vênus que Galileu passou a enxergar embasamento na visão de Copérnico (Heliocentrismo – o Sol como centro do Universo) e não na de Aristóteles, onde a Terra era vista como o centro do Universo. Por sua visão heliocêntrica, o astrônomo italiano teve que ir a Roma em 1611, pois estava sendo acusado de heresia. Condenado, foi obrigado a assinar um decreto do Tribunal da Inquisição, onde declarava que o sistema heliocêntrico era apenas uma hipótese. Contudo, em 1632, ele voltou a defender o sistema heliocêntrico e deu continuidade aos seus estudos.
Muitas ideias fundamentadas por Aristóteles foram colocadas em discussão por indagações de Galileu. Entre elas, a dos corpos leves e pesados caírem com velocidades diferentes. Segundo ele, os corpos leves e pesados caem com a mesma velocidade.
As Meditações Metafísicas de René Descartes
Meditação Primeira: Das coisas que se pode pôr em dúvida. Trata-se de rejeitar tudo o que é duvidoso. Descartes ressalta que muitas de suas certezas lhe vinham da infância, idade em que a razão ainda está em formação. Descartes exige um conhecimento preciso e não ideias vagas e preconceitos. Por meio de seguidos argumentos, estreita o campo do que é cognoscível. A primeira parte dos argumentos é chamada de “dúvida natural”; a segunda parte, “dúvida hiperbólica”, estendida exageradamente a tudo.
Meditação Segunda: Da natureza do espírito humano. Descartes busca encontrar um ponto “fixo e seguro” para abandonar a dúvida. Pretende encontrar uma certeza, resultado da dúvida, de onde advém a metáfora da “noyade” (naufrágio). Recapitula o conjunto de suas dúvidas e as causas, que são três: o conjunto dos corpos que me são exteriores; meus sentidos são enganadores; e a suspeita de meu próprio corpo.
Meditação Terceira: A certeza da existência de Deus. Pude formar qualquer pensamento a partir de distintas ideias, inclusive as obscuras e confusas. Mas a ideia do infinito é clara e distinta. É preciso que ela possua uma realidade objetiva. Ora, a ideia do infinito possui uma realidade objetiva superior à realidade formal, ou seja, não posso produzir uma ideia cuja realidade objetiva – o infinito, a perfeição, Deus – ultrapasse minha condição, que é a de ser finita. A presença desta ideia se explica: somente um ser efetivamente infinito (causa) pode produzir esta ideia (efeito). Somente Deus colocou em mim essa ideia. Ora, Deus tem todas as perfeições e não poderia querer enganar-me.
O Humanismo e sua Evolução Histórica
O Humanismo pode ser definido como um conjunto de ideais e princípios que valorizam as ações humanas e valores morais (respeito, justiça, honra, amor, liberdade, solidariedade, etc.). Para os humanistas, os seres humanos são os responsáveis pela criação e desenvolvimento destes valores. Desta forma, o pensamento humanista entra em contradição com o pensamento religioso que afirma que Deus é o criador destes valores.
Surgimento e Desenvolvimento
O humanismo se desenvolveu e se manifestou em vários momentos da história e em vários campos do conhecimento e das artes:
- Humanismo na Antiguidade Clássica (Grécia e Roma): Manifestou-se principalmente na filosofia e nas artes plásticas. As obras de arte, por exemplo, valorizavam muito o corpo humano e os sentimentos.
- Humanismo no Renascimento: Nos séculos XV e XVI, os escritores e artistas plásticos renascentistas resgataram os valores humanistas da cultura greco-romana. O antropocentrismo (o homem como centro de tudo) norteou o desenvolvimento intelectual e artístico desta fase.
- Positivismo: Desenvolveu-se na segunda metade do século XIX. Valorizava o pensamento científico, destacando-o como única forma de progresso. Teve em Auguste Comte seu principal idealizador.