Garcilaso e Fray Luis: Mestres do Renascimento Espanhol
Classificado em Língua e literatura
Escrito em em
português com um tamanho de 4,05 KB
3) Oh doces prendas por meu mal achadas
Este é o soneto que nos faz pensar que Garcilaso de la Vega manteve um relacionamento com Isabel Freyre. Isso ocorre porque Garcilaso guarda em casa objetos que o fazem lembrar dela. Este soneto possui três partes:
- Parte 1: Composta por dois quartetos em que evoca um passado feliz diante de um presente em que ela já está morta. Ele diz que ela morreu precocemente e sua morte levou tudo o que havia de bom, apelando para que levem também todas as coisas ruins.
- Parte 2: Consiste em um terceto no qual ele explica seu desejo de superar a dor presente.
- Parte 3: Um confronto com a extensão da dor. Garcilaso expressa um sentimento distorcido, pois diz que Isabel Freyre morreu para deixá-lo com seu sofrimento.
Fray Luis de León
Fray Luis de León é uma figura indispensável para compreender o Renascimento espanhol. Tornou-se um símbolo da resistência contra o poder opressor representado pela Inquisição; sua vida mostra um contraste fascinante entre o bulício e a busca pela harmonia interior. Seu trabalho culminou em várias linhas literárias que se cruzam: formas e temas italianos, cultura e modelos clássicos, o humanismo cristão e a cultura bíblica. Em verso e prosa, castelhano e latim, a obra de Fray Luis de León é um universo complexo de conteúdos. Esta página destina-se a ser uma ferramenta para facilitar sua leitura e conhecimento.
4) Que descansada vida...
O assunto ou argumento do autor começa com um tributo à vida de aposentado e o desprezo pela pompa humana e pelo desejo de fama. Ele busca a paz e quer viver em harmonia com a natureza, apreciando-a. Para ele, o que atrai não são as riquezas ou o poder, mas a vida simples e os prazeres que a natureza lhe reserva. Tema: A tranquilidade da vida simples em contato com a natureza. Nesta passagem, o poeta expressa um estilo de vida calmo e tranquilo.
O tema latino que expressa este estilo de vida é o Beatus Ille, que manifesta o desejo de se afastar das preocupações impostas pela vida social para desfrutar da vida simples e da liberdade oferecida pelo campo. O autor preocupa-se com a propriedade. Neste trecho, pode-se encontrar o tópico literário Locus Amoenus, que é um lugar ideal onde a grama, as árvores e as flores crescem ao lado de um córrego, sob uma brisa de verão e o canto dos pássaros. O poeta faz uma descrição detalhada de seu jardim (versos 6-9), que possui milhares de aromas extraordinários para desfrutar da vida e da natureza. Nesta passagem, encontramos também o tema literário do Ubi Sunt?, que se refere à inconsistência do prazer, do poder ou da beleza diante da chegada inevitável da morte.
A estrutura interna desta passagem é: As quatro primeiras estrofes incluem a introdução; nas cinco seguintes, aprecia-se a vida e a natureza; na última estrofe, aparece a rejeição ao mundo material.
5) A Lira e a Estrutura Poética
É um poema composto por estrofes chamadas liras. Cada lira tem 5 versos (3 heptassílabos e 2 hendecassílabos), respondendo ao esquema métrico 7a, 11B, 7a, 7b, 11B. As três primeiras liras são dedicadas à descrição da temporada de outono, com metáforas como "luz triste", "árvores despidas" e "horas mais curtas". O poeta parece sentir-se no outono da vida e sente que é hora de colher os frutos e subir a montanha da vida.
Este aumento é um tempo frutífero e produtivo, que convida aos estudos e que, nesse momento, é a fonte de água corrente pura para satisfazer as vitórias ardentes. Na penúltima estrofe, Fray Luis está ciente de que a vida muda de época; nasce um novo estilo, o Renascimento, e ele sente os ventos da vida que vão quebrar as asas. Sentindo-se perseguido, a Inquisição agiu contra ele e, embora tenha saído vitorioso dos litígios, sua saúde foi afetada e suas asas, quebradas.