Genética Médica: Cromossomos, Síndromes e Diagnóstico

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1. O Mecanismo do Cromossomo Filadélfia

O cromossomo Filadélfia é o resultado de uma translocação recíproca entre os cromossomos 9 e 22. Mais especificamente, a região do breakpoint cluster region (BCR) do cromossomo 22 é fundida com uma parte do gene Abelson (ABL) no cromossomo 9. O domínio genético BCR-ABL resultante, agora localizado no cromossomo 22, codifica uma tirosina quinase mutante.

Esta anormalidade cromossômica está associada à leucemia mieloide crônica (LMC). O proto-oncogene ABL, situado no cromossomo 9, é transferido para o cromossomo 22, onde é ativado por um promotor. A justaposição desses genes origina a enzima Bcr-Abl, que possui atividade tirosina quinase desregulada, um marco fundamental para a patogênese da LMC.

2. Tipos de Anomalias na Síndrome de Down

Existem três tipos principais de anomalias cromossômicas relacionadas à Síndrome de Down:

  • Trissomia simples (padrão): A pessoa possui 47 cromossomos em todas as células (cerca de 95% dos casos). A causa é a não disjunção cromossômica do par 21.
  • Translocação: O cromossomo extra do par 21 fica "grudado" em outro cromossomo. Embora o indivíduo tenha 46 cromossomos, ele é portador da síndrome (cerca de 3% dos casos).
  • Mosaico: A alteração genética compromete apenas parte das células; algumas possuem 47 e outras 46 cromossomos (cerca de 2% dos casos).

Nota: No caso da Síndrome de Down por translocação, os pais devem realizar exames genéticos, pois podem ser portadores da translocação, aumentando o risco de recorrência.

3. Aconselhamento Genético e Diagnóstico Pré-natal

Indicações para consulta de aconselhamento genético:

  • Perda repetitiva de gravidez ou natimorto (abortamento habitual);
  • Idade materna avançada (acima de 35 anos) ou paterna (acima de 55 anos);
  • Casais consanguíneos;
  • Histórico familiar de anormalidade cromossômica.

Diferença entre Técnicas de Diagnóstico

Os exames de diagnóstico pré-natal dividem-se em:

  • Métodos Invasivos: Implicam a introdução de instrumentos no útero, como na amniocentese e na biópsia das vilosidades coriônicas. Apresentam riscos, como o de aborto.
  • Métodos Não Invasivos: Envolvem exames de imagem (ecografia) e análises de sangue (ex: alfafetoproteína). Quando indicam risco elevado, geralmente recorre-se a um método invasivo para confirmação.

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