Geografia Económica: Tecnologia, Globalização e Estados

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Impactos Geográficos das Tecnologias

Os impactos são desiguais e complexos:

  • a) Algumas tecnologias conduziram à reorganização da produção à escala global;
  • b) Nuns casos potenciaram a aglomeração ou a clusterização da atividade económica em certos lugares; noutros facilitaram a sua dispersão;
  • c) Por vezes contribuíram para a redução das desigualdades geográficas pré-existentes; noutros casos reforçaram-nas;
  • d) Em certos campos da economia, o potencial transformador da tecnologia foi mitigado pela necessidade contínua de interação social e pessoal.

A Complexidade das Inter-relações Geografia-Tecnologia

  1. Crítica do pressuposto simplista do fim da geografia (erradicação da distância; fim da localização como problemática económica);
  2. Novas abordagens sobre a mudança tecnológica e seus impactos;
  3. A proximidade continua a ser importante para muitas atividades económicas (as cidades continuam a ter um papel vital na geoeconomia contemporânea);
  4. A importância da noção de proximidade relacional (resultante da combinação complexa entre os contactos diretos e tecnologicamente mediados) – nós em redes globais.

Novas Abordagens sobre a Mudança Tecnológica e seus Impactos

  • a) A tecnologia não deve ser vista apenas como processo técnico, mas também como processo social;
  • b) É preciso distinguir entre diferentes tipos de tecnologia: tecnologias dos transportes e comunicações (compressão espaço-tempo) e tecnologias dos processos de produção (aumento da produtividade; facilitação da inovação);
  • c) É importante distinguir entre diferentes níveis de mudança tecnológica: inovações incrementais, inovações radicais, mudanças nos sistemas tecnológicos e mudanças no paradigma tecno-económico;
  • d) A mudança tecnológica tem que ser vista numa perspetiva de longo prazo.

Sistemas de Transporte e Comunicação

Os sistemas de transporte (avião a jato, contentorização) e de comunicação (satélite, fibra ótica, Internet) facilitaram a compressão espaço-tempo, permitindo a desintegração espacial das atividades produtivas e de serviços.

Conceitos Fundamentais

  • Deslocalização: Transferência de atividades de uma localização para outra.
  • Exteriorização: Transferência de atividades da empresa para outras empresas.
  • Outsourcing: Contratação externa de atividades produtivas antes realizadas internamente.
  • Offshoring: Outsourcing de serviços noutros países ou áreas.

Novo Paradigma Técnico-Económico (TIC)

A transição do fordismo para o pós-fordismo trouxe três sistemas industriais principais:

  • Fordismo: Economias de escala.
  • Produção flexível especializada: Produção artesanal por pequenas empresas.
  • Produção flexível japonesa: Integração de TIC com sistemas just-in-time.

Economias de Aglomeração

As empresas localizam-se em clusters para reduzir custos de transporte e melhorar a troca de informação (tacit knowledge). A aglomeração é fortalecida no período pós-fordista.

O Estado na Economia Global

Rejeita-se a visão ultra-globalista do fim do Estado-nação. O Estado mantém funções cruciais como regulador, proprietário, fornecedor de bens públicos e definidor de políticas estratégicas. Existem diversos modelos: Welfare States, Estados Desenvolvimentistas, Estados em Transição e Estados Fracos.

Migração e Globalização

A migração é impulsionada por disparidades inter-regionais e pela procura de mão de obra qualificada (brain drain). A globalização, sustentada pelo consenso neoliberal, reconfigura as relações políticas e sociais, criando novas desigualdades e tensões identitárias no cenário contemporâneo.

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