Geopolítica e Economia Global: EUA, UE, Ásia e China
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1.2.1. A Hegemonia dos Estados Unidos
- A prosperidade económica
Os E.U.A. são a 1ª potência económica mundial.
A “livre empresa” continua no centro da filosofia económica do país e o Estado incentiva-a, assegurando-lhe as condições de uma elevada competitividade: a carga fiscal é ligeira, os encargos com a segurança social diminutos e as restrições ao despedimento ou à deslocação da mão de obra quase não existem.
- Os setores de atividade
Marcadamente pós-industrial, a economia americana apresenta um claro predomínio do setor terciário. Em conformidade, a América é, atualmente, o maior exportador de serviços do Mundo.
Altamente mecanizadas e sabendo rentabilizar os avanços científicos, as unidades agrícolas e pecuárias americanas têm uma elevadíssima produtividade.
Assim, e apesar de algumas dificuldades geradas pela concorrência externa, os E.U.A. mantêm-se os maiores exportadores de produtos agrícolas.
A agricultura americana inclui ainda um vasto conjunto de indústrias, desde a produção de sementes e maquinaria agrícola até à embalagem, comercialização e transformação dos seus produtos, formando um verdadeiro complexo agroindustrial.
Responsável por um quarto da produção mundial, a indústria dos E.U.A. sofreu, nos últimos 30 anos, uma reconversão profunda. Os setores tradicionais, como a siderurgia e o têxtil, entraram em declínio e, com eles, decaiu também a importância económica da zona nordeste.
- Novos laços comerciais
Numa tentativa de contrariar o predomínio comercial da União Europeia, Clinton procurou estimular as relações económicas com a região do Sudeste Asiático, revitalizando a APEC – Cooperação Económica Ásia-Pacífico, criada em 1989.
No mesmo sentido, o presidente impulsionou a criação da NAFTA - Acordo de Comércio Livre da América do Norte, que estipula a livre circulação de capitais e mercadorias entre os EUA, o Canadá e o México.
- O dinamismo científico-tecnológico
A capacidade de inovar é determinante para o desenvolvimento e prestígio de um país. Liderando a corrida tecnológica, os E.U.A. asseguram a sua supremacia económica e militar. Os Estados Unidos são, hoje, a nação que mais gasta em investigação científica.
O Estado Federal tem um papel decisivo no fomento da pesquisa privada, quer através do seu financiamento, quer das gigantescas encomendas de sofisticado material militar e paramilitar. O avanço americano fica também a dever-se à precoce criação de parques tecnológicos – os tecnopólos – que associam universidades prestigiadas, centros de pesquisa e empresas que trabalham de forma articulada.
- A hegemonia político-militar
A libertação do Kuwait (conhecida como Guerra do Golfo) iniciou-se em janeiro de 1991 e exibiu, perante o mundo que a seguiu “em direto” pela televisão, a superioridade militar dos Estados Unidos. O exército iraquiano, o 4º maior do Mundo, com quase um milhão de homens, nada pôde fazer contra as sofisticadas tecnologias de guerra americanas.
Este 1º conflito pós-Guerra Fria inaugurou oficialmente a época da hegemonia mundial americana. Assim, o poder americano afirmou-se apoiado pelo gigantismo económico e pelo investimento maciço no complexo industrial-militar.
Os E.U.A. têm sido considerados os “polícias do Mundo”, devido ao papel preponderante e ativo que têm desempenhado na geopolítica do Globo. Assim:
- Multiplicaram a imposição de sanções económicas como recurso para punir os “infratores”;
- Reforçaram o papel da OTAN – função de velar pela segurança da Europa, recorrendo, sempre que necessário, à intervenção militar armada;
- Assumiram um papel militar ativo, encabeçando numerosas intervenções armadas pelos motivos mais díspares.
1.2.2. A União Europeia
A construção europeia foi uma história de altos e baixos. Com períodos de grande entusiasmo e outros de grande ceticismo, o projeto tem progredido, orientando-se por 2 vetores principais: o aprofundamento das relações entre os Estados e o alargamento geográfico da União.
- A consolidação da Comunidade: do Ato Único à moeda única
O primeiro grande objetivo da CEE foi a união aduaneira, que só se concretizou em 1968. Concebida como uma estrutura aberta, a CEE foi criando um conjunto de instituições progressivamente mais elaboradas e atuantes. Apesar destes avanços, a Comunidade enfrentava, no início dos anos 80, um período de marasmo e descrença. Só em 1985 a Comunidade reencontra a dinâmica perdida.
Decidido a relançar o projeto europeu, Delors concentrou-se no avanço da união económica. Os esforços conduziram, em 1986, à assinatura do Ato Único Europeu, que previa, para 1993, o estabelecimento de um mercado único onde circulassem livremente mercadorias, pessoas, capitais e serviços.
O Tratado da União Europeia (assinado em Maastricht em 1992), que entra em vigor em 1993, estabelece uma União Europeia (UE) fundada em três pilares: o comunitário (económico), o da política externa e segurança comum (PESC) e o da cooperação em justiça e assuntos internos.
Maastricht representou um largo passo em frente, quer pelo reforço dos laços políticos, quer pela definição do objetivo da moeda única. A 1 de janeiro de 1999, onze países inauguram oficialmente o euro e começa a funcionar o Banco Central Europeu. O euro completou a integração das economias europeias, tornando a CE a maior potência comercial do mundo. No entanto, no fim do século, a Comunidade Europeia mostrou-se menos pujante que os Estados Unidos.
- Da Europa dos 9 à Europa dos 25
Em 1981, a Grécia tornou-se membro; a adesão de Portugal e Espanha formalizou-se em 1986. A entrada destes países colocou à CEE o desafio de integrar economias bastante atrasadas relativamente aos restantes membros. Em 1992, o Conselho Europeu de Lisboa recebeu as candidaturas da Áustria, Finlândia e Suécia.
A Cimeira de Copenhaga definiu os critérios de adesão: instituições democráticas, respeito pelos Direitos do Homem, economia de mercado viável e aceitação do acervo comunitário. Esta Europa dos 25 perspetiva já o acolhimento de novos membros.
- As dificuldades de construção de uma Europa política
O Tratado de Maastricht estendeu o entendimento europeu à cidadania europeia.
| Cidadania europeia: Criada pelo Tratado da União Europeia (Maastricht), coexiste com a cidadania nacional, conferindo direitos como circular e residir na União, proteção diplomática e direito de voto em eleições europeias e autárquicas. |
Alguns países (Reino Unido, Dinamarca, Suécia) recusaram adotar o euro. A vontade de que os cidadãos se identifiquem com o projeto europeu nem sempre tem sido bem-sucedida, colidindo com a figura do Estado-Nação.
- Novas perspetivas
O Conselho Europeu de Laeken decidiu convocar, para 2002, uma Convenção para o Futuro da Europa, que resultou num projeto de Constituição Europeia, prevendo a criação de um ministro dos Negócios Estrangeiros da Europa e o prolongamento do mandato do presidente do Conselho Europeu.
1.2.3. O espaço económico da Ásia-Pacífico
- Os quatro dragões
O sucesso do Japão serviu de modelo à primeira geração de países industriais do leste asiático. Com vontade política, determinação e investimento no ensino, os Governos atraíram capitais e adotaram políticas protecionistas. A mão de obra barata permitiu produzir, a preços imbatíveis, têxteis e produtos de consumo que inundaram os mercados ocidentais.
- Da concorrência à cooperação
Os Novos Países Industrializados (NPI) da Ásia enfrentavam a dependência externa e a rivalidade interna. Nos anos 70, voltaram-se para a ASEAN (Sudeste Asiático). Iniciou-se uma cooperação regional: o Japão e os “quatro dragões” exportaram tecnologia e bens manufaturados, enquanto a ASEAN fornecia produtos primários. Surgiu uma segunda geração de países industriais (Tailândia, Malásia, Indonésia). O crescimento asiático alterou a balança da economia mundial, embora com custos ecológicos e sociais elevados.
- A questão de Timor
Em 1974, a “Revolução dos Cravos” em Portugal impulsionou o processo de descolonização em Timor Leste. O ano de 1975 foi marcado pelo confronto entre UDT, APODETI e FRETILIN. Em dezembro, a Indonésia invadiu o território. Refugiados nas montanhas, os guerrilheiros da FRETILIN encabeçaram a resistência. O massacre de Santa Cruz (1991) e a prisão de Xanana Gusmão mobilizaram a opinião pública mundial. Em 1999, um referendo da ONU deu uma inequívoca vitória à independência, levando à criação da República Democrática de Timor Leste em 2002.
1.2.4. Modernização e abertura da China
- A “era Deng”
Deng Xiaoping dividiu a China em duas áreas: o interior rural e o litoral aberto ao capital estrangeiro. O sistema agrário foi reestruturado e a indústria sofreu uma modificação radical, focando-se na exportação. As “Zonas Económicas Especiais” atraíram empresas de todo o Mundo. O crescimento económico chinês tem sido impressionante, alicerçado numa massa inesgotável de trabalhadores, embora as desigualdades sociais tenham crescido exponencialmente.
- A Integração de Hong Kong e Macau
A China recuperou a soberania de Hong Kong (1997) e Macau (1999), integrando-os como regiões administrativas especiais sob o princípio “um país, dois sistemas”, garantindo-lhes autonomia por 50 anos.