Geopolítica e Economia Global: Pós-Guerra e Desenvolvimento

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1. Reafirmação da Europa

No final da II Guerra Mundial, a Europa saiu muito enfraquecida. A grave situação económica e financeira acelerou o processo de descolonização dos territórios africanos e asiáticos. A guerra originou também a divisão da Europa, fazendo surgir um novo mapa geopolítico. O lugar que a Europa ocupou durante séculos como centro de poder e de decisão do mundo foi perdido a favor dos EUA e da URSS.

Foi nesta situação de fragilização e num mundo bipolarizado, no contexto da Guerra Fria, que surgiu o processo de integração da Europa Ocidental como única via para reconstruir a Europa com base na paz, na união e na cooperação. Com a finalidade de coordenar a ajuda americana, no âmbito do Plano Marshall, foi construída, em 1948, a Organização Europeia de Cooperação Económica (OECE), que permitiu que os Estados da Europa Ocidental desenvolvessem uma estreita cooperação, contribuindo para o aumento do comércio entre países membros, devido à liberalização progressiva das trocas comerciais e ao equilíbrio dos pagamentos internacionais.

Em 1950, Robert Schuman lançou as bases do processo de integração europeia ao propor a livre circulação do carvão e do aço. Com base neste plano, foi assinado por 6 países (RFA, França, Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo) o Tratado de Paris, que criou a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), com o objetivo de assegurar e coordenar a produção, distribuição e controlo dos preços do carvão e do aço.

Em 1957, foram assinados os Tratados de Roma, cujos objetivos eram:

  • A criação de uma união aduaneira;
  • A criação de um mercado comum;
  • A adoção de políticas comuns;
  • A instituição de um Banco Europeu de Investimentos;
  • A criação de um Fundo Social Europeu;
  • O Tratado de Euratom (Comunidade Europeia da Energia Atómica), destinada a promover o desenvolvimento das indústrias nucleares para fins pacíficos.

Estes tratados instituíram a CEE (Comunidade Económica Europeia), transformando-se num dos maiores projetos de integração política, económica e social. Em 1967, os órgãos das três comunidades (CECA, CEE e EURATOM) fundiram-se. Como reação ao aparecimento da CEE, surgiu em 1960 a EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre), defendida pelo Reino Unido.

Relançamento e Aprofundamento da Integração

Numa tentativa de relançamento do processo de integração, foram tomadas decisões cruciais:

  • Ato Único Europeu (1986): Criou o mercado único europeu (livre circulação de pessoas, mercadorias, serviços e capitais), reforçou o Sistema Monetário Europeu e a coesão económica e social.
  • Tratado de Maastricht (1992): Formalizou a União Europeia (UE), instituindo a cidadania europeia, a União Económica e Monetária (UEM), a Política Externa e de Segurança Comum (PESC) e reforçando o poder do Parlamento Europeu.
  • Tratado de Amesterdão (1997): Reforçou a cidadania europeia e a democratização das instituições.

A UE adotou uma moeda única em 2002, a "Zona Euro". Atualmente, a UE é o primeiro bloco comercial do mundo, desempenhando um papel central na globalização.

2. A Afirmação do Japão como Potência Económica

Após a II Guerra Mundial, o Japão enfrentou a destruição total, inflação incontrolável e a necessidade de reconstrução. Auxiliado pelos EUA através do Plano Dodge, o país focou-se no desarmamento, democratização e reforma agrária.

O Milagre Económico Japonês

O crescimento japonês deveu-se a fatores externos (ajuda dos EUA, Guerra da Coreia) e internos:

  • Papel do Estado: Fomento de obras públicas, planificação indicativa e proteção da indústria nacional.
  • Base Industrial Sólida: Evolução da indústria têxtil para a indústria pesada (aço, construção naval) e, posteriormente, para a alta tecnologia (eletrónica, informática).
  • Recursos Humanos: Mão de obra qualificada, disciplinada, com forte espírito de sacrifício e lealdade à hierarquia, garantindo uma elevada coesão social.

3. O Terceiro Mundo e a Emergência das Semiperiferias

O termo "Terceiro Mundo" refere-se aos países em desenvolvimento (PED) que enfrentam obstáculos estruturais ao crescimento. Caracterizam-se por:

  • Económicos: Rendimento per capita baixo e forte endividamento.
  • Políticos: Instabilidade, conflitos e corrupção.
  • Demográficos/Sociais: Elevado crescimento populacional, analfabetismo e assistência médica precária.

Reflexos da Colonização e Comércio Internacional

A colonização destruiu economias tradicionais e criou fronteiras artificiais. Os PED sofrem com a deterioração dos termos de troca (vendem matérias-primas baratas e compram produtos manufaturados caros) e o endividamento externo, que drena recursos que deveriam ser aplicados no desenvolvimento.

Ajuda Internacional

A Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) e o apoio de ONG são fundamentais para combater a pobreza e catástrofes. Contudo, a eficácia da ajuda é frequentemente limitada por interesses dos países doadores e pela má gestão dos países recetores.

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