Gestação e Genética: Hormonas, Hereditariedade e Mendel

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Alterações hormonais durante a gestação

As células externas do blastocisto segregam a hormona hCG, que atua no corpo lúteo do ovário.

Esta hormona tem composição química e estrutural idêntica ao LH e estimula o corpo lúteo para que a secreção de estrogénio e de progesterona continue, evitando assim a secreção de FSH e LH pela hipófise até depois do nascimento. Assim, a evolução de um novo folículo e a descamação do endométrio uterino ficam inibidas, mantendo-se a gestação. É esta hormona que é detetada nos testes de gravidez.

O elevado teor de hCG estimula o corpo lúteo (maior concentração de estrogénio e progesterona), que inibe o complexo hipotálamo-hipófise (menor concentração de LH e FSH), provocando a ausência do ciclo ovárico e, consequentemente, a ausência do ciclo uterino (ausência de descamação do endométrio).

O endométrio uterino passa a formar a hormona hCG cerca de 1 dia após o início da nidação. É o córion e, posteriormente, a placenta que sintetizam esta hormona. Por volta da sétima semana, a placenta começa a produzir progesterona, substituindo o corpo lúteo. Na 12.ª semana, a progesterona passa a ser produzida apenas pela placenta. O corpo lúteo deixa de ser necessário para manter a gravidez e acaba por degenerar.

No final da gestação, o feto produz oxitocina, assim como a hipófise posterior (mecanismo de retroalimentação positiva). Ocorre também a diminuição da concentração de progesterona ao nível do miométrio, o que conduz ao domínio de estrogénios. A dominância de estrogénios leva à contração dos músculos uterinos, favorecendo a deslocação do feto para o colo do útero. A pressão exercida pelo feto no colo do útero estimula o hipotálamo a induzir a hipófise posterior a produzir também oxitocina. A oxitocina estimula as contrações do miométrio, que aumentam as contrações e, novamente, a produção de oxitocina, até à expulsão do feto. Após o nascimento e a eliminação da placenta, as concentrações de estrogénios e progesterona diminuem, o que estimula a secreção de prolactina pela hipófise anterior. A prolactina atua ao nível das glândulas mamárias, estimulando a produção de colostro (rico em proteínas e anticorpos) nos primeiros dias e leite, que tem início 2 a 3 dias após o parto. Durante o aleitamento, as mamadas do bebé estimulam a libertação de oxitocina e de prolactina pela hipófise. A oxitocina estimula a contração das células que rodeiam os alvéolos mamários e a libertação do leite, enquanto a prolactina estimula a produção do leite da refeição seguinte.

Património genético

Genética: ramo da ciência que se dedica ao estudo da hereditariedade, isto é, da transmissão das características de uma geração para as seguintes e das variações hereditárias.

  • O conjunto de todos os cromossomas de uma célula forma o cariótipo.
  • O cariótipo humano é composto por 23 pares de cromossomas.
  • Uma dada porção de DNA codificante de uma proteína ou RNA é designada por gene.
  • A totalidade do material genético de um indivíduo designa-se por genoma.
  • A informação genética está contida no DNA, que se encontra no núcleo das células organizado sob a forma de cromossomas.
  • A mitose e a meiose asseguram a repartição da informação genética pelas células-filhas.

Os fenómenos ocorridos durante a formação de gâmetas, através da meiose, e na fecundação proporcionam diversidade genética.

Heterossomas: cromossomas específicos denominados X e Y, responsáveis pela determinação do sexo do indivíduo.

Autossomas: cromossomas responsáveis pelas características gerais.

Trabalhos de Mendel

Mendel desenvolveu princípios que demonstram a existência de genes, de cromossomas e processos de meiose, que são a base da física da hereditariedade. As características de um organismo diploide são determinadas pela interação entre alelos (formas alternativas de um gene). Mendel contribuiu para o conhecimento da forma como os alelos se relacionam para permitir a manifestação de uma determinada característica.

A ervilheira-de-cheiro (Pisum sativum) foi o material biológico selecionado por Mendel para as suas experiências, focando-se em 7 características bem definidas que apresentam formas contrastantes (fenótipos diferentes).

Vantagens da escolha da ervilheira

  • Possui um conjunto de características bem diferentes, constantes e contrastantes.
  • Fácil cultivo e rápido crescimento.
  • Obtenção de várias gerações e elevado número de descendentes num curto intervalo de tempo.
  • Flor com estrutura adequada à autopolinização (monóica).
  • Flor com estrutura adequada ao controlo da fecundação (fecundação cruzada e artificial).

Primeira experiência de Mendel: monoibridismo

Monoibridismo: cruzamento entre indivíduos em que se considera a transmissão de apenas um único carácter hereditário.

Linha pura: indivíduos que, cruzados entre si, originam sempre descendência toda igual entre si e igual ao progenitor para o carácter considerado.

Cruzamento parental: cruzamento entre indivíduos de 2 linhas puras que expressam formas antagónicas do carácter considerado.

Progenitores (P x P)

Cada progenitor (linha pura) possui 2 fatores iguais para cada carácter.

1.ª geração (F1)

Cada descendente possui 2 fatores antagónicos, manifestando-se apenas um desses fatores:

  • Fator dominante: o que se manifesta.
  • Fator recessivo: o que não se manifesta.

A F1 resultante do cruzamento de 2 indivíduos de linhagem pura é 100% uniforme e expressa o fator dominante.

2.ª geração (F2)

Por autofecundação dos indivíduos da F1, surge uma segunda geração em que a proporção da forma dominante relativamente à recessiva é de 3:1.

De Mendel à atualidade

Os fatores de Mendel são atualmente designados por genes (segmentos de DNA). Cada carácter é determinado por um par de alelos, situado no mesmo local (locus) em cromossomas homólogos.

  • Genoma: conjunto de genes que constitui a informação genética de um indivíduo.
  • Genótipo: constituição genética de um indivíduo.
  • Fenótipo: características observáveis (morfológicas ou funcionais) resultantes da expressão do genótipo em interação com o ambiente.
  • Indivíduos homozigóticos: os alelos do par são idênticos.
  • Indivíduos heterozigóticos: os alelos do par são diferentes.

Para saber se uma planta que manifesta a característica dominante é homozigótica ou heterozigótica, realiza-se um cruzamento-teste (cruzamento com um homozigótico recessivo).

Lei da segregação dos caracteres (1.ª lei de Mendel): “O par de fatores (alelos) que determina uma certa característica separa-se quando ocorre a formação de gâmetas (meiose).”

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