Gettier e o Problema do Conhecimento como Crença Verdadeira Justificada

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Gettier

O texto apresentado aborda o problema de saber o que significa verdadeiramente conhecer. Tradicionalmente, o conhecimento proposicional foi definido como crença verdadeira justificada (CVJ). Segundo esta definição, para conhecermos uma proposição, temos de acreditar nela, ela tem de ser verdadeira e temos de possuir uma justificação adequada, ou seja, razões que apoiem a nossa crença.

À primeira vista, estas três condições parecem suficientes para existir conhecimento. No entanto, Edmund Gettier apresentou contraexemplos que mostram que podemos ter uma crença verdadeira e justificada sem que isso seja necessariamente conhecimento. O problema está relacionado com o acaso, também chamado sorte epistémica. Nestes casos, uma pessoa tem razões para acreditar numa proposição e, por coincidência, aquilo em que acredita é verdadeiro. Contudo, a verdade da crença não está suficientemente ligada às razões que a pessoa possui.

Assim, apesar de estarem reunidas as três condições da definição tradicional, parece faltar algo para podermos falar de conhecimento.

O exemplo dos celeiros de Potemkin ajuda a compreender esta dificuldade

Imaginemos uma pessoa que passa por uma região onde existem muitas fachadas falsas que parecem celeiros verdadeiros. Ao olhar para um celeiro autêntico, acredita que está perante um celeiro. A sua crença é verdadeira e parece justificada, porque o objeto tem o aspeto habitual de um celeiro. No entanto, a pessoa não sabe que a região está cheia de fachadas falsas. Por isso, o facto de ter acertado parece depender do acaso, o que põe em causa a definição tradicional de conhecimento.

Deste modo, o exemplo mostra que a crença verdadeira justificada pode não ser suficiente para existir conhecimento. Uma possível resposta seria acrescentar uma quarta condição à definição tradicional, de modo a excluir os casos em que a verdade depende da sorte. Contudo, definir essa condição também levantaria dificuldades.

Na minha perspetiva, a crítica de Gettier é convincente, porque mostra que não basta acreditar numa proposição verdadeira e ter razões para a aceitar. Para existir conhecimento, as razões que temos devem estar adequadamente relacionadas com a verdade daquilo em que acreditamos, e não devemos acertar apenas por acaso.

Conclusão

Em conclusão, os casos de Gettier põem em causa a ideia de que o conhecimento se define apenas como crença verdadeira justificada. Mostram que o problema não consiste só em acreditar numa proposição verdadeira com boas razões, mas também em explicar o que distingue o conhecimento de uma crença verdadeira alcançada por sorte.

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