A Era Gorbatchev, o Colapso da URSS e a União Europeia

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A Era Gorbatchev: Uma Nova Política

Após a sua tomada de posse como secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, em março de 1985, Gorbatchev encontrou o país deteriorado. A população vivia sob as consequências do sistema de Brejnev, com um nível de vida baixo e um acentuado atraso económico e tecnológico em comparação aos EUA. O novo líder, mais jovem e decidido, procurou remediar os estragos do seu antecessor. Neste contexto, Gorbatchev investiu numa política de diálogo e aproximação ao Ocidente, propondo o reinício das conversações sobre o desarmamento. Desde o acordo SALT II (1979), não havia conversações oficiais. Incapaz de igualar o programa de defesa nuclear de Reagan (“Guerra das Estrelas”), o líder soviético procurou criar um clima internacional estável para permitir a reestruturação interna.

Decidido a ganhar apoio popular para o seu plano de renovação económica, a perestroika (reestruturação), Gorbatchev deu início a uma ampla abertura política, a glasnost (transparência). A perestroika propunha descentralizar a economia, estabelecendo a gestão autónoma das empresas, que deixaram de depender das rígidas diretivas dos planos quinquenais e dos subsídios estatais.

Reformas e Abertura Política

Paralelamente, incentivou-se a formação de um setor privado parcial para estimular a concorrência e compensar a escassez de bens de consumo. A glasnost procurou reconciliar o socialismo e a democracia, apelando à denúncia da corrupção, ao fim da censura e à participação efetiva dos cidadãos na vida política. Em março de 1989, realizaram-se as primeiras eleições pluralistas na União Soviética. Contudo, o fracasso económico da perestroika e a contestação social acabaram por levar ao colapso do bloco soviético e da própria URSS no início dos anos 90.

O Colapso do Bloco Soviético

A autoridade dos líderes comunistas do Leste Europeu foi posta em causa. Ao contrário do passado, a linha dura dos partidos comunistas não contou com a intervenção militar russa. Gorbatchev abandonou a doutrina da “soberania limitada”, permitindo que os países-satélites escolhessem o seu regime político. Em 1989, uma vaga de democratização varreu o Leste, levando à queda de partidos únicos e à realização de eleições livres. A Cortina de Ferro foi derrubada e, a 9 de novembro, o Muro de Berlim caiu. A Alemanha reunificou-se a 3 de outubro de 1990.

O Fim da URSS

A URSS não resistiu à dinâmica da perestroika, sendo sacudida por reivindicações e confrontos étnicos. As Repúblicas Bálticas foram as primeiras a desmembrar-se. Em 1991, após uma tentativa de golpe de Estado por saudosistas do Partido, Boris Iéltsin emergiu como líder, proibindo as atividades do Partido Comunista. A 21 de dezembro de 1991, surgiu a CEI (Comunidade de Estados Independentes) e Gorbatchev abandonou a presidência de uma URSS que, de facto, já não existia.

Os Problemas da Transição Económica

A transição para a economia de mercado foi um fracasso inicial. A economia deteriorou-se, o desemprego aumentou e a inflação galopante destruiu as poupanças da população. Enquanto a maioria empobrecia, um pequeno grupo de antigos gestores estatais acumulou fortunas através da privatização pouco transparente de empresas. Países como a Polónia, Hungria e República Checa, contudo, conseguiram evoluir positivamente após reformas drásticas.

A Hegemonia dos EUA

Os EUA consolidaram-se como a superpotência mundial, baseando a sua economia na livre iniciativa, alta tecnologia e serviços. O setor terciário ocupa 75% da população ativa. A agricultura e a indústria, altamente mecanizadas e integradas num complexo agroindustrial, mantêm um papel de relevo. Tratados como o NAFTA reforçaram a influência americana no Canadá e México.

Dinamismo Científico e Hegemonia Militar

Líderes na investigação científica e nos tecnopolos (como o Silicon Valley), os EUA mantiveram a sua supremacia. Após a Guerra Fria, o país assumiu o papel de “polícia do mundo”, liderando intervenções como a Guerra do Golfo (1991) e a invasão do Iraque (2003).

A União Europeia

O projeto europeu evoluiu do Tratado de Roma para o Ato Único Europeu (1986) e o Tratado de Maastricht (1992), que estabeleceu a União Europeia e preparou a moeda única (euro), introduzida em 1999. A UE expandiu-se de 9 para 25 membros, integrando antigas democracias do Leste. Apesar da prosperidade, a construção de uma Europa política enfrenta desafios, como a resistência à perda de soberania nacional e a necessidade de reformas institucionais, visíveis na assinatura do Tratado de Lisboa (2007) para superar impasses políticos.

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