Governo Castello Branco e o PAEG (1964-1967)

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Governo Castello Branco (1964-1967)

A condução econômica contou com Otávio Bulhões (Fazenda) e Roberto Campos (Planejamento), ambos de perfil ortodoxo. Os objetivos dos militares incluíam a retomada do crescimento econômico, o combate gradual à inflação e a expansão das exportações. O período foi marcado por uma forte repressão da sociedade civil, o que resultou na ausência de resistência à política econômica implementada.

Ajuste Estrutural e Conjuntural (1964-1967)

Esta fase visava enfrentar a inflação, o desequilíbrio externo e a estagnação econômica.

Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG)

  • Inspiração ortodoxa: Plano emergencial para combater a inflação.
  • A economia apresentou um comportamento do tipo stop and go, mas com um crescimento razoável de 4,2%.
Principais Medidas do PAEG:
  1. Programa de ajuste fiscal: aumento da receita via elevação da arrecadação e corte de despesas.
  2. Diminuição da expansão dos meios de pagamento.
  3. Controle do crédito ao setor privado.
  4. Mecanismo de correção salarial.
Inflação e Diagnóstico:
  • Contexto: Entre 1963 e o início de 1964, o país vivia uma estagflação (estagnação + inflação), com índices de 80%.
  • Diagnóstico: Inflação de custos e de demanda, decorrente de déficits governamentais, crédito às empresas e pressão salarial.
  • Estratégia: As metas para a inflação seriam gradualistas. O plano não visava eliminar a inflação abruptamente para evitar uma recessão economicamente inviável e politicamente perigosa.
  • Correção Monetária: Utilizada como ferramenta para permitir o crescimento do PIB simultâneo à queda da inflação (embora, décadas depois, esse mecanismo tenha alimentado a própria inflação).
  • Política Salarial: Bastante restritiva, penalizando os salários reais em favor dos lucros.
  • Habitação: Criação do Banco Nacional de Habitação (BNH) e do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

Reformas Estruturais

  • Objetivo: Complementar o Sistema Financeiro, constituindo um segmento privado de longo prazo no país.
  • FGTS: Criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, que substituiu a estabilidade de 10 anos no emprego para estimular contratações e diminuir custos para empregadores.
Reforma Tributária

O objetivo explícito era aumentar a arrecadação via aumento da carga tributária.

  1. Criação do ISS (municípios) e ICM (estados).
  2. Aumento do Imposto de Renda de pessoas físicas.
  3. Fim dos impostos do selo e sobre profissões.
  4. Instituição da arrecadação de impostos através da rede bancária.
  5. Criação do Fundo de Participação de Estados e Municípios (FPEM).
  • A carga tributária subiu para 20% do PIB.
  • A reforma foi regressiva, beneficiando classes altas e penalizando classes baixas, pois a maior parte da arrecadação provinha de impostos indiretos.
  • Houve centralização, limitando o direito de estados e municípios de legislarem sobre tributação.
  • O êxito da reforma deveu-se ao regime autoritário, visto que uma reforma regressiva dificilmente seria aceita em uma democracia.
Reforma Financeira

O objetivo era dotar o Sistema Financeiro de mecanismos de financiamento para sustentar a industrialização sem inflação, estimulando a poupança e o investimento.

  • Banco Central (BACEN): Executor da política monetária.
  • Conselho Monetário Nacional (CMN): Função normativa e reguladora.
  • Caderneta de Poupança: Criada para estimular o pequeno poupador.
  • Bancos de Investimento: Focados no financiamento de longo prazo.
Combate à Inflação e Mercado de Capitais:
  1. ORTN (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional): Introdução da correção monetária na dívida pública.
  2. Lei de Mercado de Capitais: Para ativos privados de renda fixa.
  3. Mecanismos de captação a longo prazo para bancos públicos.
  • Abertura Econômica: Ampliação da abertura ao capital externo, com a revogação da Lei de Remessa de Lucros para incentivar o Investimento Estrangeiro Direto (IED).
  • Fim da Lei da Usura e flexibilização da Conta Capital e Financeira.
  • Nota CESPE: Para aumentar a eficiência, a reforma permitiu a captação direta de recursos externos por empresas privadas e facilitou remessas de lucros.
  • Câmbio: Implementação de desvalorizações periódicas da taxa de câmbio.

Resultados do Período

  • A atividade econômica recuperou-se com taxas moderadas (4,2%).
  • A inflação caiu (40% em 1966), embora não tenha atingido a meta de 10%.
  • O sucesso do PAEG foi parcialmente comprometido pelo aumento de custos e pela correção monetária.
  • Houve aumento das exportações e retração das importações, com saldo do Balanço de Pagamentos superavitário.
  • Contenção do déficit público e redução de gastos com obras públicas.
  • Ocorreram muitas concordatas e falências no setor privado.
  • As reformas serviram como base para o futuro "Milagre Econômico", deixando a inflação mais baixa e a poupança maior.

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