A Gravidez na Adolescência no Contexto Brasileiro

Classificado em Psicologia e Sociologia

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A partir da transição demográfica brasileira iniciada na década de 60, marcada pela redução significativa na taxa de fecundidade da mulher e pelo uso de métodos contraceptivos, a gestação na adolescência ganhou maior visibilidade. Anterior a esta data, a taxa de fecundidade girava em torno de seis filhos por mulher, porém, com o passar dos anos (de 1965 a 1995), essa proporção caiu para duas crianças para cada mulher. Assim, de acordo com o Censo realizado no ano de 2000, a taxa de fecundidade da mulher brasileira vem decrescendo desde o ano de 1980. Por exemplo, no Brasil, em 1980, observava-se uma taxa de fecundidade de 28,9%, sendo que no ano de 2000, foi constatada uma taxa de 26,3%. No entanto, as taxas de fecundidade na adolescência, ao contrário das encontradas entre mulheres adultas, obtiveram um aumento. Por exemplo, das meninas de 15 a 19 anos, no ano de 1980, havia uma taxa de fecundidade de 9,1%, já em 2000 observou-se um aumento significativo de 9,1% para 19,4% (IBGE, 2011).

Desta forma, considera-se que essas taxas são altas, especialmente porque a partir da década de 80 a gravidez na adolescência passou a ser vista como um problema de saúde pública por ocorrer fora do casamento, sendo investigada tanto por pesquisadores brasileiros como de outros países (DIAS; TEIXEIRA, 2010). Ainda, percebe-se que a gestação nesse período passa a ser vista como um problema a partir das concepções atuais sobre o conceito de adolescência, que enfatizam que, durante esse momento do desenvolvimento, o indivíduo passa por alterações psíquicas e sociais e ainda não se encontraria pronto para o exercício da parentalidade. Nessa fase da vida, considera-se que o adolescente vive um período de preparação e maturação para assumir uma série de responsabilidades presentes na vida adulta, dentre elas a parentalidade, esperada socialmente como um evento da adultez (CABRAL, 2003).

Além das alterações psíquicas e sociais características da adolescência, ainda existem as alterações físicas e biológicas que caracterizam a puberdade. Com ela, o corpo do adolescente desenvolve-se, podendo então desempenhar as funções de reprodução de maneira plena. A vivência desta possibilidade, bem como o exercício da sexualidade, depende da educação concedida pelos pais, do histórico familiar e das influências, práticas e significados vividos no contexto sociocultural no qual o adolescente está inserido (HEILBORN et al., 2002; XIMENES NETO et al., 2007). Assim, o exercício da sexualidade associado à capacidade reprodutiva é uma das principais mudanças que ocorrem durante a adolescência, gerando uma série de consequências psicológicas, biológicas e sociais tanto para o adolescente como para as pessoas de seu entorno (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2010).

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