Guerra Civil Espanhola e o Regime Franquista
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O Desenvolvimento da Guerra Civil Espanhola
O desenvolvimento da guerra civil causou a destruição das estruturas estatais da II República. No lado nacional, formou-se, em geral, um Estado autoritário e militarizado; já no lado republicano, o governo da República perdeu o controle para as "comissões de trabalhadores".
Houve uma enorme repressão em ambos os bandos. Na área nacional, foi dirigida contra os operários militantes e camponeses; embora a repressão fosse organizada e controlada pelas autoridades militares, isso não impediu que pistoleiros descontrolados protagonizassem excessos. Nas áreas republicanas, os setores que sofreram violência foram os sacerdotes e as classes abastadas. Primo de Rivera foi julgado e executado. Após o caos inicial, o governo foi monitorando a situação de forma gradual.
O Avanço Nacionalista e a Vitória de Franco
O progresso nacionalista durante os primeiros meses da guerra para compreender a vitória nacionalista foi a "ponte aérea", organizada com aviões alemães e italianos, permitindo o regresso rápido do Exército da África (legionários e regulares) para a península. Eles iniciaram um rápido avanço em direção a Madrid; o general comandante Yagüe desviou-se para Badajoz. A cidade caiu e começou uma ofensiva brutal.
A "Libertação do Alcázar" foi um triunfo de propaganda enorme para Franco. Enquanto isso, Mola tomou Irun e San Sebastián, isolando a fronteira do País Basco com a França. Da primavera ao outono de 1937, os nacionalistas conquistaram o País Basco e a Cantábria. Durante esta campanha, teve lugar o famoso bombardeio de Guernica.
Mola, o único general que poderia competir com Franco, morreu em um acidente de avião. Os republicanos organizaram a ofensiva de Belchite em Aragão, que resultou em fracasso. O final da guerra foi marcado pela ofensiva nacionalista contra a Catalunha. Antes disso, houve um êxodo da população.
O Fim do Conflito e as Consequências
As divisões internas tornaram-se ainda mais profundas no lado republicano. O governo de Negrín propôs a resistência extrema. Casado deu um golpe contra o governo Negrín e Franco exigiu a rendição incondicional. Em 28 de março, as tropas de Franco entraram em Madrid e, em 1º de abril de 1939, terminou a guerra sangrenta.
Entre as consequências humanas, fala-se em um milhão de vítimas. Além disso, nos primeiros anos após a guerra, o país tinha uma população carcerária de mais de 350.000 indivíduos. As consequências econômicas também foram graves; o país teve que esperar até os anos 60 para que o PIB se igualasse ao de 1936. O empobrecimento do país foi inegável, com notável destruição de casas; a riqueza do país diminuiu em 1/3. As comunicações foram as mais afetadas.
Do ponto de vista social, os vencedores desenvolveram uma política de repressão contra os vencidos. Esta política baseou-se em duas leis: a Lei de Responsabilidades Políticas (1939) e a Lei de Repressão da Maçonaria e do Comunismo (1939). Deve-se acrescentar também que pelo menos 500.000 pessoas deixaram o país para o exílio. Embora muitos tenham voltado, outra consequência foi o isolamento do país, que terminou em 1945. Por outro lado, o sistema político após a guerra não tinha vocação para a sobrevivência e teve que retornar para a democracia futuramente.
O Catolicismo Nacional (1945 - 1957)
A derrota da Alemanha e da Itália constituiu uma ameaça real para a sobrevivência da ditadura. Franco continuou a ter a mesma família política, mas dando prevalência aos católicos. Após a Segunda Guerra Mundial, iniciou-se uma campanha internacional para isolar a Espanha do mundo exterior. O anticatolicismo e o regime franquista levaram a este isolamento.
Em 18 de julho de 1945, Franco procedeu à formação de um novo governo. As linhas gerais mantiveram-se: a perda de influência da Falange, a manutenção do poder militar e o avanço católico. Em 1945, foi aprovada a terceira lei fundamental: a Carta dos Espanhóis, para defender a ditadura. A quarta lei básica foi a Lei do Referendo Nacional (1945). A quinta foi a Lei de Sucessão ao Chefe de Estado (1947). A Espanha foi definida como um reino. Esta lei estabelecia Franco como chefe vitalício, podendo propor ao Parlamento o seu sucessor com o título de rei. O gatilho para mudanças políticas importantes foram os eventos de fevereiro de 1956 na Universidade de Madrid, que sofreu confrontos de rua entre estudantes liberais e falangistas.
Desenvolvimento Socioeconômico e Resistência
A Autarquia (1939-1959): A guerra civil causou um declínio na população; a economia foi danificada e a rede de transportes, comércio e produção foi desmantelada. As reservas de ouro haviam sumido. Também foi necessário lidar com o pagamento de créditos. Os eixos da política econômica autárquica deste período incluíram:
- Indústria, Comércio e Agricultura;
- Escassez de alimentos, racionamento e mercados negros;
- Impacto social e as primeiras medidas de liberalização (1951 - 1956).
A resistência armada: No final da II Guerra Mundial, com a derrota do fascismo, aumentaram as esperanças dos exilados republicanos de derrubar o regime com a ajuda dos aliados. Para este fim, comunistas e anarquistas realizaram atividades de guerrilha em partes da Espanha. Na oposição interna clandestina dos anos 1950, liderada pelo PCE, ocorreram três alterações: a renúncia à violência, a busca pela transformação social e a adoção de greves como forma mais eficaz de protesto. A oposição no estrangeiro manteve um governo republicano no exílio com representantes liberais, socialistas, comunistas, anarquistas e nacionalistas bascos e catalães, mas este foi ineficaz.