Guia de Antropologia: Conceitos, Cultura e Sociedade
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O que é Antropologia?
Antropologia: É a ciência que tem como objeto o estudo sobre o homem e a humanidade de maneira totalizante, ou seja, abrangendo todas as suas dimensões.
Divisões e Ciências Auxiliares
Áreas em que se divide: A divisão clássica da Antropologia distingue a Antropologia Cultural da Antropologia Biológica. Cada uma destas, em sua construção, abrigou diversas correntes de pensamento.
Quais são as ciências auxiliares da Antropologia:
- Antropologia Educacional;
- Sociologia Educacional;
- Antropologia Pedagógica;
- Psicologia Social;
- Tecnologia da Informação.
Métodos de Estudo
Etnologia: É o estudo ou ciência que analisa os fatos e documentos levantados pela etnografia no âmbito da antropologia cultural e social, buscando uma apreciação analítica e comparativa das culturas.
Etnografia: É, por excelência, o método utilizado pela antropologia na recolha de dados. Baseia-se no contato intersubjetivo entre o antropólogo e o seu objeto, seja ele uma tribo indígena ou qualquer outro grupo social sob o qual o recorte analítico seja feito.
Tipos de Cultura
Cultura Material (Ergologia): Consiste em coisas materiais, bens tangíveis, incluindo instrumentos, artefatos e outros objetos materiais, fruto da criação humana e resultante de determinada tecnologia. Abrange produtos concretos, técnicas, construções, normas e costumes que regularizam seu emprego.
Exemplos: Machados de pedra, vasos de cerâmica, alimentos, máscaras, vestuário, habitações, máquinas, navios, satélites artificiais, cachimbo da paz, cruz, estrela de Davi, etc.
Cultura Imaterial (Aspectos Animológicos): Refere-se a elementos intangíveis da cultura, que não têm substância material. Entre eles encontram-se crenças, conhecimentos, aptidões, hábitos, significados, normas e valores.
Cultura Real: É aquela em que, concretamente, todos os membros de uma sociedade praticam ou pensam em suas atividades cotidianas. Entretanto, a cultura real não pode ser percebida em sua totalidade, apenas parcialmente e, para isso, é necessário que os estudiosos a ordenem e demonstrem em termos compreensíveis.
Cultura Ideal: A cultura ideal (normativa) consiste em um conjunto de comportamentos que, embora expressos verbalmente como bons ou perfeitos para o grupo, nem sempre são frequentemente praticados. Muitas vezes, um indivíduo, pelo seu egoísmo, pode tomar uma linha de ação diferente, ou os valores não revelados (ocultos) podem levar a comportamentos contraditórios. A cultura ideal seria a perfeita, estando, muitas vezes, além do alcance comum.
Processos de Interação Cultural
Simbiose Cultural: Ocorre quando há coexistência ou convivência entre duas ou mais culturas (subculturas, por exemplo). Esta coexistência ou convivência não pode ser ocasional ou temporária.
Osmose Cultural: Ocorre quando, por mais que as culturas sejam diferentes, alguns elementos culturais unificam-se devido a alianças matrimoniais, trocas comerciais, escaramuças e lutas ou guerras. Esta é uma relação típica em zonas fronteiriças.
Fusão Cultural: Ocorre quando os elementos culturais de duas ou mais culturas se misturam de tal modo que dão origem a outra cultura como aconteceu, por exemplo, no México: a cultura asteca nativa fundiu-se com a cultura espanhola invasora, dando origem à atual cultura mexicana.
Segregação ou Apartheid (racial e cultural): Este é o nome que se dá à recusa política de aculturação, provocando uma cisão entre cultura nativa e invasora. Se esta cisão for de natureza comercial, chama-se autarquia. Qualquer um destes fenômenos é absolutamente negativo, tentando deter, em vão, a dinâmica social.
Sincretismo: Ocorre quando se fundem características de divindades e/ou outros elementos religiosos de sistemas absolutamente diferentes, dando origem a divindades ou elementos novos.
Agentes de Mudança e Domínio
Atividade Missionária: Esta não se limita ao cristianismo, mas a todas as religiões estruturadas em igrejas que têm como objetivo mudar outras culturas nas suas vertentes religiosas, podendo incluir outros elementos culturais contrários aos seus princípios. Os missionários atuam diretamente sobre as pessoas, a título individual, e indiretamente sobre as instituições.
Comércio: Um dos veículos mais comuns e fomentador de trocas culturais é exatamente o comércio, sendo que a própria expansão territorial tem em vista alargar mercados comerciais, obter matérias-primas a baixo custo, etc.
Colonialismo: Trata-se do domínio de um povo ou região por um grupo de colonos ou imigrantes. Este é um princípio muito semelhante ao Imperialismo, que implica também um domínio cultural e político diretamente imposto pelo país de origem dos colonos. Estes dois agentes de aculturação apoiam-se muitas vezes no extermínio e na assimilação (dos dominados pelos dominantes) para atingir um equilíbrio relativo.
Colonialismo na forma de reservas: É um modo das forças dominantes controlarem os nativos através de instituições político-administrativas impostas. São medidas polêmicas pois, enquanto pretendem garantir território aos nativos e protegê-los, promovem o isolamento forçado, permitindo conter reações de descontentamento à sua situação por parte dos nativos e o extermínio incontrolado destes.
Neocolonialismo: Trata-se do domínio ao nível econômico, o que permite o domínio político devido à dependência econômica. Funciona numa base de relações bipolares: ricos dão e pobres recebem.