Guia de Argumentação, Falácias e Retórica
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Dedução e Indução
Argumentos dedutivamente válidos: é impossível que tenham conjuntamente premissas verdadeiras e conclusão falsa. Nos argumentos indutivos, isso não é impossível, mas é improvável.
Os argumentos indutivos podem ser: fracos, moderadamente fracos ou bastante fortes.
Generalizações e Previsões: Critérios de Avaliação
- Representatividade: O número de casos observados deve ser representativo da totalidade (ex.: concluir que todos os indianos têm barba após ver apenas cinco).
- Consistência: Não pode haver informação que ponha em causa a validade do argumento (ex.: concluir que um cão viverá para sempre por ter vivido até agora, ignorando que todos os animais morrem).
- Contraexemplos: Não podem existir contraexemplos após uma busca ativa (ex.: concluir que só em Portugal se fala português, ignorando outros países lusófonos).
Generalização: Argumentos cuja conclusão acerca de um grupo é estabelecida observando uma amostra. Consiste em atribuir a todos os casos possíveis aquilo que se verificou em alguns.
Falácia da generalização precipitada: Ocorre quando os critérios acima não são respeitados.
Previsão: As premissas baseiam-se no passado e a conclusão refere-se ao futuro. (A falácia associada ocorre quando os critérios não são respeitados).
Argumentos por Analogia
Baseiam-se na semelhança entre coisas diferentes. Ideia geral: se duas coisas são semelhantes em vários aspetos óbvios, serão também semelhantes noutro aspeto menos óbvio.
Falácia da falsa analogia: Quando não respeita os critérios de avaliação.
Critérios de Avaliação
- As semelhanças devem ser relevantes para a conclusão.
- O número de semelhanças relevantes deve ser adequado.
- Não devem existir diferenças relevantes que invalidem a conclusão.
Argumentos de Autoridade
Utilizam a opinião de um especialista como premissa. Forma lógica: Um especialista afirmou que P. Logo, P.
Critérios de Avaliação
- A autoridade deve ser realmente especialista na área.
- Deve-se especificar a fonte (livro ou texto) da afirmação.
- A afirmação deve ser consensual entre os especialistas da área.
- A autoridade não deve ter interesses pessoais ou de classe no tema.
Falácias Informais
- Falso dilema: Apresentar apenas duas alternativas quando existem mais opções.
- Derrapagem: Invocação de uma cadeia causal despropositada para justificar um resultado final devastador.
- Boneco de palha (espantalho): Caricaturar ou distorcer as ideias do adversário para facilitar a refutação.
- Apelo à ignorância: Assumir que algo é verdadeiro só porque não foi provado falso (ou vice-versa).
- Petição de princípio: Pressupor nas premissas aquilo que se quer provar na conclusão (P, logo P).
- Ad hominem: Atacar a pessoa em vez de refutar a conclusão por ela defendida.
Aristóteles e a História da Retórica
Retórica: Estudo da oratória. Oratória: Discurso que pretende persuadir um auditório sem diálogo.
Aristóteles distingue três meios de persuasão:
- Ethos: Confiança no caráter do orador.
- Pathos: Apelo às emoções do auditório.
- Logos: Apresentação de bons argumentos.
Dialética: Estuda a argumentação filosófica focada na defesa ou rejeição de ideias.
Platão contra os Sofistas
Os dois usos da retórica
Platão defende que não é possível ser competente em retórica sem saber filosofia.
- Mau uso: Usar a eloquência para simular conhecimento e persuadir a qualquer custo, enganando o auditório e o próprio orador.
- Bom uso: Atrair os jovens para a vida filosófica, a única genuinamente feliz.
A persuasão utiliza a retórica para superar as limitações da racionalidade do auditório. A manipulação explora essas limitações como uma oportunidade para obter vantagem.