Guia de Balanço Patrimonial e Índices de Liquidez

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Balanço Patrimonial

O Balanço Patrimonial deve representar de forma quantitativa e qualitativa a posição financeira e patrimonial da empresa, a qual é composta por bens, direitos e obrigações em um determinado momento.

Na sua elaboração, as contas deverão ser classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia, ou seja: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido.

Ativo

Ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual se espera que resultem futuros benefícios econômicos para a entidade. No ativo, as contas devem ser dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados. Ele é dividido em circulante e não circulante.

Ativo Circulante

Ele é classificado assim quando satisfizer qualquer dos seguintes critérios (CPC 26, itens 66 e 68):

  • Espera-se que seja realizado, ou pretende-se que seja vendido ou consumido no decurso normal do ciclo operacional da entidade;
  • Está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado;
  • Espera-se que seja realizado até 12 meses após a data do balanço; ou
  • É caixa ou equivalente de caixa, a menos que sua troca ou uso para liquidação de passivo se encontre vedada durante pelo menos 12 meses após a data de balanço.

Ativo Não Circulante

Segundo o CPC 26, todos os demais ativos devem ser classificados como não circulante. O ativo não circulante é composto por ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível.

  • Ativo Realizável a Longo Prazo: serão classificados os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia.
  • Investimentos: serão classificadas as participações em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa.
  • Imobilizado: é o item tangível que é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos, e se espera utilizar por mais de um período. Correspondem aos direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da entidade ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram a ela os benefícios, os riscos e o controle desses bens.
  • Intangível: podem ser definidos como um conjunto estruturado de conhecimentos, práticas e atitudes da empresa que, interagindo com seus ativos tangíveis, contribui para a formação do valor das empresas. Ativo intangível é um ativo não monetário identificável sem substância física.

Passivo

Uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos capazes de gerar benefícios econômicos. É dividido em circulante e não circulante:

Passivo Circulante

Ele é classificado assim quando satisfazer qualquer dos seguintes critérios (CPC 26, item 69):

  • Espera-se que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da entidade;
  • Está mantido essencialmente para a finalidade de ser negociado;
  • Deve ser liquidado no período de 12 meses após a data do balanço; ou
  • A entidade não tem direito incondicional de postergar sua liquidação durante pelo menos 12 meses após a data do balanço.

Passivo Não Circulante

Segundo o CPC 26, todos os demais passivos devem ser classificados como não circulante.

Patrimônio Líquido

Valor residual dos ativos da entidade depois de deduzidos todos os seus passivos. De acordo com o CPC 26, no item 54, o patrimônio líquido será dividido em:

  • Participação de não controladores apresentada de forma destacada dentro do patrimônio líquido; e
  • Capital integralizado e reservas e outras contas atribuíveis aos proprietários da entidade.

Análise por Indicadores

A análise das demonstrações contábeis é importante para identificar possíveis problemas econômicos e financeiros, de forma a possibilitar a tomada de decisões em tempo, corrigir problemas que porventura possam agravar a situação, conhecer e avaliar a evolução em relação aos períodos anteriores, e também avaliar se a administração vem tendo um bom desempenho ou não e como vem desempenhando a sua missão primordial que é a de aumentar o patrimônio da empresa.

A análise através de indicadores permite um aprofundamento das informações contidas nas demonstrações contábeis. São diversos tipos e finalidades de indicadores. O principal instrumento utilizado para a análise da situação econômico-financeira de uma empresa é o índice, ou seja, o resultado da comparação entre grandezas.

Os índices estabelecem comparação entre contas ou grupo de contas das Demonstrações Contábeis, visando evidenciar determinado aspecto da situação econômico-financeira de uma empresa. Os índices, portanto, servem como termômetro na avaliação da “saúde financeira” da empresa. Porém, o índice não deve ser considerado isoladamente, mas sim sob o aspecto dinâmico e dentro de um contexto mais amplo, onde outros indicadores e variáveis devem ser ponderados de forma conjugada.

Indicadores de Liquidez

Os indicadores de liquidez são medidas de avaliação da capacidade financeira da empresa em satisfazer os compromissos para com terceiros. Evidenciam quanto a empresa dispõe de bens e direitos, realizáveis em determinado período, em relação às obrigações exigíveis no mesmo período. Entre os índices de liquidez mais conhecidos estão a Liquidez Corrente, Liquidez Seca, Liquidez Imediata e a Liquidez Geral. Cada um fornece informações diferentes sobre a situação da empresa.

De maneira geral, define-se que, QUANTO MAIOR a liquidez, MELHOR será a situação financeira da empresa.

Liquidez Corrente (LC)

O indicador de liquidez corrente mede a capacidade da empresa de liquidar seu compromisso financeiro de curto prazo. É uma relação entre o Ativo Circulante (AC) e o Passivo Circulante (PC).

Fórmula: Ativo Circulante / Passivo Circulante

É importante realçar alguns aspectos relativos à liquidez corrente:

  • O índice não revela a qualidade dos itens no Ativo Circulante (se os estoques estão superavaliados, são obsoletos ou se os títulos a receber são totalmente recebíveis).
  • Os índices não revelam a sincronização entre recebimentos e pagamentos, ou seja, por meio dele não identificamos se os recebimentos ocorrerão em tempo para pagar as dívidas vincendas.
  • Um aspecto que contribui para o redimensionamento da Liquidez Corrente no sentido de elevá-lo é o estoque estar avaliado a custos históricos, sendo que seu valor de mercado (valor de realização/venda) está, normalmente, acima do evidenciado no Ativo Circulante. Portanto, a liquidez corrente, sob esse enfoque, será sempre mais pessimista do que a realidade, já que os estoques serão realizados a valores de mercado e não de custo.

Para a análise que se segue, sempre consideraremos: Cálculo – Interpretação – Conceito.

Cálculo:

  • 2008: 580.000 / 340.000 = 1,70 para 1
  • 2009: 650.000 / 280.000 = 2,32 para 1

Interpretação:

  • Em 2008: Para cada $ 1,00 de dívida, há $ 1,70 de dinheiro e valores que se transformarão em dinheiro (AC).
  • Em 2009: Para cada $ 1,00 de obrigação a curto prazo, há $ 2,32 para cobertura daquela dívida (AC).

Observe no Ativo Circulante que o item que não cresceu de 2008 para 2009 é o caixa, enquanto as Duplicatas a Receber e o Estoque aumentaram consideravelmente.

Conceituação de índices: Isoladamente, os índices de LC superiores a 1,0, de maneira geral, são positivos. Conceituar o índice, todavia, sem outros parâmetros, é uma atitude bastante arriscada e desaconselhável.

Liquidez Seca (LS)

Se a empresa sofresse uma total paralisação de suas vendas, ou se seu estoque se tornasse obsoleto, quais seriam as chances de pagar suas dívidas com o disponível e duplicatas a receber? Esse índice exclui o estoque.

Fórmula: LS = (Ativo Circulante – Estoque) / Passivo Circulante

Cálculo:

  • 2008: (580.000 – 390.000) / 340.000 = 0,56
  • 2009: (650.000 – 420.000) / 280.000 = 0,82

Interpretação:

  • Em 2008: Para cada $ 1,00 de dívida de PC, a empresa dispõe de $ 0,56 de Ativo Circulante, sem os estoques.
  • Em 2009: Para cada $ 1,00 de PC, a empresa dispõe de $ 0,82 de Disponível + Duplicatas a Receber.

Conceituação: Nem sempre um índice de Liquidez Seca baixo é sintoma de situação financeira apertada. Veja, por exemplo, um supermercado, cujo investimento em estoque é elevadíssimo e onde não há duplicatas a receber (pois só se vende à vista). Nesse caso, esse índice só pode ser baixo. Voltamos a insistir na comparação com índices do mesmo ramo de atividade (índice-padrão) para conceituar o índice.

Cuidados com a Liquidez Seca: Esse índice, assim como os demais, deve ser analisado no conjunto com outros índices. O prazo médio de rotação de estoque é importante para relacioná-lo à liquidez seca. O índice de liquidez seca, por fim, é bastante conservador para apreciarmos a situação financeira da empresa.

Liquidez Geral (LG)

Mostra a capacidade de pagamento da empresa a longo prazo, considerando tudo o que ela converterá em dinheiro (a curto e longo prazo), relacionando com tudo o que já assumiu como dívida (a curto e longo prazo).

Fórmula: (Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo) / (Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo)

Cálculo e Interpretação:

  • 2008: LG = (580.000 + 50.000) / (340.000 + 100.000) = 1,43 para 1. Para cada $ 1,00 de dívida a curto e longo prazo, há $ 1,43 de valores a receber.
  • 2009: LG = (650.000 + 40.000) / (280.000 + 150.000) = 1,60 para 1. Para cada $ 1,00 de capital de terceiros, há $ 1,60 de Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo.

Como os demais índices já calculados, a LG apresenta acréscimo de um ano para o outro. Para cada $ 1,00 de dívida a curto e a longo prazo, a empresa dispõe de $ 1,60 de dinheiro e de valores que se converterão em dinheiro para 2009.

Conceituação: As divergências em datas de recebimentos e de pagamentos tendem a acentuar-se quando analisamos períodos longos; ou seja, o recebimento do Ativo pode divergir consideravelmente do pagamento do Passivo. Isso, sem dúvida, empobrece o indicador.

Lembretes:

  • Não considerar qualquer indicador isoladamente (associar os índices entre si);
  • Apreciar o indicador em uma série de anos, pelo menos três;
  • Comparar os índices encontrados com índices-padrão, ou seja, índices das empresas concorrentes.

Liquidez Imediata (LI)

Mostra o quanto dispomos imediatamente para saldar dívidas de curto prazo.

Fórmula: Disponibilidades (Caixa + Bancos + Aplicações de Curtíssimo Prazo) / Passivo Circulante

Para efeito de análise, é um índice sem muito realce, pois relacionamos dinheiro disponível com valores que vencerão em datas as mais variadas possíveis, embora a curto prazo.

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