Guia Clínico: Câncer de Mama, Ovário e Colo do Útero
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Câncer de Mama
Marcadores: CA 15-3, CA 27-29
Classificação BI-RADS:
- BI-RADS 0: inconclusivo – compressão, ultrassonografia, ressonância magnética.
- BI-RADS 1: sem alterações – manter rastreamento.
- BI-RADS 2: alterações benignas (cisto, linfonodo reativo, densidade homogênea, calcificação grosseira, fibroadenoma, esteatonecrose) – manter rastreamento.
- BI-RADS 3: provavelmente benigno – repetir em 6 meses por 3 anos. Se permanecer BI-RADS 3 em todas as avaliações, retornar para BI-RADS 2.
- BI-RADS 4: provavelmente maligno (microcalcificações pleomórficas agrupadas, lesão espiculada, forma irregular) – biópsia.
- BI-RADS 5: maligno – biópsia.
- BI-RADS 6: já com diagnóstico prévio de câncer de mama.
Classificação TNM:
- T1: ≤ 2 cm
- T2: > 2 e ≤ 5 cm
- T3: > 5 cm
- T4: qualquer tamanho, com
A: invasão da parede torácica;
B: edema ou ulceração cutânea;
C: A e B;
D: carcinoma inflamatório. - N0: sem linfonodos comprometidos
- N1: linfonodos axilares homolaterais móveis
- N2:
A: linfonodos axilares homolaterais fixos;
B: linfonodos da cadeia mamária interna homolateral, sem comprometimento axilar. - N3:
A: linfonodos infraclaviculares homolaterais;
B: linfonodos da cadeia mamária interna homolateral e axilares;
C: linfonodos supraclaviculares homolaterais.
Tratamento:
- Cirurgia: segmentectomia ou quadrantectomia (se ≤ 3,5 cm ou 20% da mama); mastectomia com linfadenectomia axilar completa (se linfonodo sentinela positivo ou clinicamente positivo).
- Quimioterapia adjuvante: > 1 cm, ≥ N1, M1.
- Radioterapia adjuvante: cirurgia conservadora, > 4 cm, 4 ou mais linfonodos axilares comprometidos.
- Hormonioterapia (tamoxifeno, inibidores da aromatase – anastrozol): receptor de estrogênio positivo.
- Terapia-alvo (trastuzumabe): superexpressão de HER2 (c-erbB2).
Câncer de Ovário
Marcadores:
- CA-125 (epitelial seroso)
- CA 19-9 (epitelial mucinoso)
- CEA (epitelial mucinoso)
- LDH (germinativo)
- Estradiol (tumor de células da granulosa)
- Testosterona (tumor de células de Sertoli-Leydig)
- AFP (germinativo)
- hCG (germinativo)
- Progesterona (tecoma)
Estadiamento FIGO:
- IA: restrito a um ovário
- IB: comprometimento bilateral
- IC: presença de líquido positivo (ascite etc.)
- II: extensão pélvica
- III: extensão abdominal
- IV: metástase à distância (fora da cavidade abdominal)
Grau histológico: I (bem diferenciado), II (moderadamente diferenciado), III (indiferenciado)
Câncer de Colo do Útero
Citologia cervical:
- LIE de baixo grau (LSIL): lesão intraepitelial escamosa de baixo grau → repetir em 6 meses (> 20 anos) ou 12 meses (< 20 anos); se persistir, colposcopia.
- ASC-US: atipia de significado indeterminado em células escamosas, provavelmente não neoplásica → repetir em 6 meses (> 30 anos) ou 12 meses (< 30 anos); se persistir, colposcopia.
- ASC-H: atipia de significado indeterminado em células escamosas, não é possível afastar alto grau → colposcopia.
- AGUS: atipia de significado indeterminado em células glandulares, provavelmente não neoplásica ou não é possível afastar alto grau → colposcopia com avaliação do canal; se > 35 anos, colposcopia e histeroscopia.
- LIE de alto grau (HSIL): lesão intraepitelial escamosa de alto grau → colposcopia.
Lesão intraepitelial:
- NIC 1: repetir em 6 meses (> 20 anos) ou 12 meses (< 20 anos); se persistir por mais de 20 anos, eletrocoagulação, crioterapia ou vaporização.
- NIC 2 e 3: CAF (cirurgia de alta frequência, conização por alça diatérmica) ou cone (se gestante, suspeita de invasão ou JEC não visível).
Estadiamento FIGO e tratamento:
- 0: in situ → cone.
- IA1: ≤ 3 mm → histerectomia tipo 1 ou cone (se deseja filhos).
- IA2: 3 a 5 mm → histerectomia tipo 2 + linfadenectomia pélvica ou traquelectomia + linfadenectomia pélvica (se deseja filhos).
- IB1: 5 mm a 4 cm → Wertheim-Meigs ou traquelectomia + linfadenectomia pélvica (se deseja filhos).
- IB2: > 4 cm → Wertheim-Meigs ou quimioterapia + radioterapia.
- IIA: parte superior da vagina → Wertheim-Meigs ou quimioterapia + radioterapia.
- IIB: invasão do paramétrio → quimioterapia + radioterapia.
- IIIA: terço inferior da vagina → quimioterapia + radioterapia.
- IIIB: parede pélvica, comprometimento renal → quimioterapia + radioterapia.
- IVA: bexiga e reto → quimioterapia + radioterapia.
- IVB: doença à distância → quimioterapia + radioterapia.
Hemograma – Valores de Referência
- Hematimetria: 4-6
- Hemoglobina (Hb): 12-17
- Hematócrito (Ht): 36-50
- VCM: 80-100
- HCM: 28-32
- CHCM: 32-35
- RDW: 10-14
- Leucócitos: 5-11
- Plaquetas: 150-400
Fórmulas Clínicas
- Clearance de creatinina: (140 – idade) × peso ÷ (Cr × 72) (× 0,85 se sexo feminino)
- Osmolaridade: (2 × Na + glicose ÷ 18 + ureia ÷ 6)
- Déficit de sódio: 0,6 × peso × ΔNa
Distúrbios Hidroeletrolíticos
Hiponatremia:
- Se hipovolemia: SF 0,9%.
- Se hipervolemia ou normovolemia: restrição hídrica, furosemida, antagonistas do ADH (se SIADH ou ICC), demeclociclina ou lítio (se SIADH).
- NaCl 3% se aguda e sintomática. Déficit = 0,6 (ou 0,5 se mulher) × peso × ΔNa (mL = déficit × 2). Máximo de 10 mEq/L/dia.
Hipercalemia: gluconato de cálcio (se alterações no ECG), glicoinsulinoterapia, beta-agonistas, bicarbonato (se acidose), furosemida e Sorcal (manutenção).
Equilíbrio Ácido-Base
- Acidose ou alcalose?
- Qual componente justifica a alteração: PCO₂ ou HCO₃⁻?
- Distúrbio misto?
Resposta respiratória esperada:
- Acidose metabólica: PCO₂ esperado = (1,5 × HCO₃⁻) + 8
- Alcalose metabólica: PCO₂ esperado = HCO₃⁻ + 15
- Distúrbio respiratório crônico: ΔHCO₃⁻ = 0,4 × ΔPCO₂
- Distúrbio respiratório agudo: acidose: ΔHCO₃⁻ = 0,1 × ΔPCO₂; alcalose: ΔHCO₃⁻ = 0,2 × ΔPCO₂
4. O distúrbio respiratório é agudo ou crônico? Agudo: BE normal. Crônico: BE alterado (normal = -3 a +3).
Anion gap = Cl⁻ + HCO₃⁻ – Na⁺ = 8 a 12