Guia Clínico: Lesões Dentárias, Periodontia e Próteses

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Aspecto e localização de lesões:

  • Iniciais em esmalte: branca, opaca e rugosa (áreas de estagnação de biofilme).
  • Ativas com cavidades em esmalte: geralmente apresentam pigmentação amarelada ou marrom-clara, amolecidas à sondagem.
  • Ativas com cavidades em dentina, coroa e raiz: coloração amarelada ou marrom-clara, úmida, localizada em área de estagnação do biofilme.
  • Obs: globular, pegajoso, brilhante, arenoso, solto, opaco.
  • Inativas sem cavidade em esmalte: brancas, marrom-escuras, negras, brilhantes (localização: não obedece padrão).
  • Inativas em superfície de fóssulas e fissuras: apresentam-se normalmente de cor marrom-escura ou negra.
  • Inativas em dentina e cemento (com ou sem cavidades): coloração marrom-escura ou negra, aspecto seco e brilhante.

Lesões Proximais

Início: na fase eruptiva. Progressão: sob a face proximal, segue a direção dos prismas de esmalte; sua evolução é lenta em presença de flúor.

Lesões de Cárie Radiculares

Só é possível em pacientes que apresentam perda de inserção.

  • Etiologia: a microbiota que dá início à lesão é predominantemente acidogênica (S. mutans); a desmineralização das superfícies é o evento mais importante que o dentista deve ter em mente.
  • Características clínicas: iniciam-se como diversas lesões que evoluem até formar uma lesão uniforme.
  • Lesões ativas: apresentam coloração amarelada ou marrom-clara, rugosas e amolecidas à sondagem; evolução lenta e respondem bem ao controle de placa e à fluorterapia.
  • Lesões inativas: apresentam cor marrom-escura ou enegrecida, lisa e resistente à sondagem.

Desgastes Dentários (Atrição, Abrasão e Erosão)

  • Atrição (causa mecânica): perda de estrutura dentária causada pelo contato oclusal ou incisal dos dentes. Aspecto radiográfico: faixa radiolúcida nas faces incisais e oclusais.
  • Abrasão (processo mecânico): desgaste patológico da estrutura dentária causada por um processo mecânico extrínseco. Aspecto clínico: região cervical.
  • Erosão (agente químico): perda da estrutura dentária causada por processo químico. Aspecto clínico: todas as faces com perda de esmalte. Aspecto radiográfico: maior radiolucidez (causada pela perda do esmalte).

Alterações Radiopacas

  • Calcificações pulpares: mecanismos de defesa, nódulos pulpares (interior da câmara pulpar) e agulhas cálcicas.
  • Dentina reacional: fisiológica ou patológica; causa deformação da câmara pulpar, atresia da câmara/conduto e completa obliteração da câmara e do conduto.
  • Pontes dentinárias: faixa radiopaca na entrada dos condutos de dentes submetidos à pulpotomia; separa o material restaurador da polpa radicular.
  • Cálculo: tártaro ou litíase; placa calcificada.

Espaço Biológico do Periodonto

Função: permite o selamento biológico em torno do elemento dental, agindo como uma barreira à penetração de microrganismos e seus produtos aos tecidos de suporte dentário (periodonto de proteção).

Causas da invasão: lesões de cárie, restaurações e próteses posicionadas subgengivalmente, fraturas subgengivais, perfurações em nível cervical e reabsorções radiculares externas.

Diagnóstico clínico: restaurações gengivais posicionadas além de 0,5 mm dentro do sulco gengival (causam inflamação e desconforto); sonda transperiodontal (sob anestesia); radiografias interproximais ou periapicais (técnica do paralelismo).

Perda de Inserção e Comunicação Pulpar

A perda de inserção pode ser progressiva ou autolimitante. O agente desencadeador é a placa bacteriana subgengival, e a expressão da doença depende da resposta do hospedeiro.

Necessidade de restabelecer o espaço biológico: em pacientes suscetíveis à periodontite e sem adequado controle de placa.

  • Paciente não suscetível: inflamação localizada, eventualmente com danos autolimitantes.
  • Paciente suscetível: provável perda de inserção.

O periodonto e a polpa se comunicam através de várias vias: forame apical, canais acessórios e túbulos dentinários.

Classificação das Lesões Endoperiodontais

  1. Lesão endodôntica: necrose pulpar, instalação de uma lesão no periápice, podendo originar canais de drenagem.
  2. Lesão periodontal.
  3. Lesão endoperiodontal combinada: induzida por alterações endodônticas em um dente que também apresenta envolvimento periodontal.

Sem comunicação: quando apresenta simultaneamente uma lesão periodonto-periapical de origem endodôntica e uma lesão no periodonto marginal. Com comunicação: doenças de origem endodôntica e periodontal no mesmo dente.

Diagnóstico Diferencial

  • Endodôntico: sinais clínicos e radiográficos (apicais), sensibilidade negativa, mobilidade vertical (estágio agudo).
  • Periodontal: sinais clínicos e radiográficos (marginais), sensibilidade positiva, mobilidade generalizada (doença crônica).

Alterações de Normalidade e Biópsia

Raspagem:

  • Se a lesão for removível (necrótica): Candida (antifúngico e cicatrização) ou Não-Candida (paliativo e cicatrização em 2 semanas).
  • Se não for removível (ceratótica): Traumática (remover fonte de irritação e cicatrização) ou Não-traumática (biópsia se não cicatrizar).

Critérios ABCD: Assimetria, Bordas irregulares, Coloração em matizes, Diâmetro.

Avaliação e Materiais Restauradores

Avaliação clínica de restaurações: Satisfatória, Limite de aceitabilidade, Não aceitável ou Substituir imediatamente.

Materiais Diretos:

  • Temporários: óxido de zinco e eugenol, fosfato de zinco, cavit, ionômero de vidro.
  • Definitivos: amálgama de prata, resina composta, ionômero de vidro.

Materiais Indiretos:

  • Temporários: resina acrílica.
  • Definitivos: resina acrílica, resina composta de laboratório, ligas metálicas, cerâmicas, metalocerâmicas e metal.

Tipos de Próteses

  • Prótese Parcial Removível (PPR): reabilitação suportada por dentes e mucosa; pode ser removida pelo paciente.
  • Prótese Total (PT): reabilitação completa para pacientes desdentados totais em uma ou ambas as arcadas.
  • Prótese Parcial Fixa (PPF): reabilitação suportada por dentes.
  • Próteses sobre Implantes: reabilitação de alta complexidade envolvendo etapas cirúrgica e restauradora.

Objetivos do Tratamento Restaurador

Correção de doença existente, prevenção de doença futura, restauração da função e melhora da aparência.

Pinos Intrarradiculares

Necessários para reter restaurações diretas ou indiretas quando o remanescente coronário é insuficiente para retê-las.

  • Comprimento: deve alcançar 2/3 do comprimento total da raiz, ou 1/2 da inserção óssea, ou o mesmo comprimento da coroa a ser restaurada.
  • Diâmetro: corresponde a 1/3 da largura mésio-distal da raiz, não devendo ultrapassá-la.

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