Guia Completo de Concreto Armado na Construção Civil

Tecnologia10,06 KB

Tipos de Aço para Concreto Armado e Protendido

Aços de dureza natural laminados a quente: utilizados há muito tempo no concreto armado. Nos dias de hoje possuem saliências para aumentar a aderência do concreto.

Aços encruados a frio: obtidos por tratamento a frio (trabalho mecânico feito abaixo da zona crítica), os grãos permanecem deformados aumentando a resistência.

Aços para concreto protendido: aços duros e pertencem ao grupo de aços usados para concreto protendido. Podem ser encontrados em fios isolados ou formando uma cordoalha.

Na compra de barras e fios de aço para concreto armado, o comprador deve, no mínimo, indicar:

  • Número da norma;
  • Diâmetro nominal e categoria da barra ou fio;
  • Quantidade, em toneladas;
  • Comprimento e sua tolerância;
  • Embalagem (feixe, feixe dobrado, rolo).

Tipos de Cimento Portland e Degradação

  • CP I: sem adição além da gipsita.
  • CP II: é modificado. É mais indicado em lançamentos de concreto onde o volume é grande.
  • CP Alto-Forno (CP III): adicionado com escória, apresenta maior impermeabilidade e durabilidade. Empregado em geral, mas é particularmente vantajoso em obras em ambientes agressivos.
  • CP Pozolânico (CP IV): para uso geral. É especialmente indicado em obras expostas à ação de água corrente e ambientes agressivos.
  • CP Alta Resistência Inicial (CP V-ARI): é recomendado em todas as aplicações que necessitem de resistência inicial elevada e desforma rápida.
  • CP Resistente a Sulfatos (RS): oferece resistência aos meios agressivos sulfatados, como redes de esgotos de águas servidas ou industriais.
  • CP de Baixo Calor de Hidratação (BC): tem a propriedade de retardar o desprendimento de calor em peças de grande massa de concreto, evitando o aparecimento de fissuras de origem térmica.
  • CP Branco: o cimento Portland branco se difere pela coloração.

A principal causa da deterioração do cimento é a umidade que, por ele absorvida, hidrata-o pouco a pouco, reduzindo-lhe sensivelmente as suas características de aglomerante.

Estrutura de Fôrmas e Escoramentos

Tensores: os tensores são utilizados para conectar fôrmas de pilares, vigas altas, painéis, suportando a pressão do concreto fresco.

Pontaletes: suportes das fôrmas das vigas.

Escoras: peças inclinadas, trabalhando à compressão.

Chapuzes: empregados como suporte e reforço de pregação das peças de escoramento, ou como apoio extremo das escoras.

Travamento: ligação transversal das peças de escoramento que trabalham à flambagem.

Contraventamento: ligação destinada a evitar qualquer deslocamento das fôrmas. Consiste na ligação das fôrmas entre si.

Armação de Fundação e Agressividade Externa

Armação de fundação: as fundações das estruturas podem ser expostas a agentes agressivos presentes nas águas e/ou solos de contato. Merecem menção dentre tais agentes agressivos:

  • Íons sulfatos: desagregação do concreto;
  • Líquidos que possam lixiviar o cimento: a lixiviação significa a extração ou dissolução dos compostos hidratados da pasta de cimento.

Todas as vigas baldrame não devem ter suas armaduras apoiadas diretamente sobre o solo, porque as armaduras poderão ficar descobertas pelo concreto, o que ocasionará a corrosão. Para que isso não ocorra, recomendamos que seja colocada no fundo das valas uma camada de concreto magro.

Aplicação, Adensamento e Cobrimento

Aplicação do concreto em estruturas: na aplicação do concreto devemos efetuar o adensamento de modo a torná-lo o mais compacto possível. Aplicar sempre o vibrador na vertical e vibrar o maior número possível de pontos.

Nos pilares: verificar o seu prumo, e fazer com que a fôrma fique travada nos "engastais", e contraventá-las. Em casos de pilares altos, a 2,00 m fazer uma abertura ("janela") para o lançamento do concreto, evitando com isso a queda do concreto de uma grande altura, impedindo que os agregados graúdos permaneçam concentrados no pé do pilar.

Cobrimento da armadura: a importância do cobrimento de concreto na armadura é de vital importância na durabilidade, mas também traz benefícios adicionais, como, por exemplo, a resistência ao fogo. Os cobrimentos estão sempre referidos à superfície da armadura externa, em geral à face externa do estribo. Devemos em todos os casos garantir o total cobrimento das armaduras.

Processo e Tempo de Cura do Concreto

Cura: a cura é um processo mediante o qual mantém-se um teor de umidade satisfatório, evitando a evaporação da água da mistura, garantindo ainda uma temperatura favorável ao concreto durante o processo de hidratação dos materiais aglomerantes. A cura é essencial para a obtenção de um concreto de boa qualidade.

Tempo de cura e aspectos fundamentais:

  • A relação água/cimento (a/c) e o grau de hidratação do concreto;
  • Tipo de cimento;
  • Condições locais: temperatura, vento e umidade relativa do ar.

Cuidados e Limpeza das Armaduras de Aço

Armaduras: os problemas existentes com as barras de aço referem-se à possibilidade de corrosão em maior ou menor grau de intensidade, em função do meio ambiente existente na região da obra, o que provoca a diminuição da aderência ao concreto armado e redução da seção das barras.

Para a limpeza das barras com corrosão devemos seguir, em ordem de eficiência:

  1. Jateamento de areia;
  2. Limpeza manual com escova de aço;
  3. Limpeza manual com saco de estopa úmido.

Montagem de Fôrmas para Elementos Estruturais

Fôrmas e escoramentos: para se ter a garantia de que uma estrutura ou qualquer peça de concreto armado seja executada fielmente ao projeto e tenha a forma correta, depende-se da exatidão e rigidez das fôrmas e de seus escoramentos. Antes de concretar, as fôrmas devem ser molhadas até a saturação, devem ser praticamente estanques e devem estar limpas.

Tábuas de madeira serrada: elevado módulo de elasticidade e resistência razoável, não excessivamente dura, baixo custo.

Chapas de madeira compensada: as chapas têm acabamento resinado para utilização em estruturas de concreto armado revestido, e acabamento plastificado para utilização em estruturas de concreto armado aparente.

Pilares: os pilares são formados por painéis verticais travados por gravatas. Quando os pilares forem concretados antes das vigas, para garantir o prumo, temos que prever contraventamentos em duas direções perpendiculares entre si, os quais deverão estar bem apoiados no terreno em estacas firmemente batidas ou engastais nas bases, lajes, etc.

Vigas e lajes: as fôrmas das vigas são constituídas por painéis de fundo e painéis das faces firmemente travados por gravatas, mãos-francesas e sarrafos de pressão. Devemos certificar se as fôrmas têm as amarrações, escoramentos e contraventamentos suficientes para não sofrerem deslocamentos ou deformações durante o lançamento do concreto.

Juntas das fôrmas: as juntas das fôrmas devem ser fixadas para evitar o vazamento da nata de cimento, que pode causar rebarbas ou vazios na superfície do concreto. Podem ser utilizadas mata-juntas, fitas adesivas e até mastiques elásticos.

Montagem das Armaduras Estruturais

Montagem das armaduras: consiste em unir peças de aço com auxílio da torquês e do arame recozido nº 18, dando forma às estruturas de acordo com o projeto estrutural. É importante amarrar bem para que os ferros não saiam da sua posição durante a concretagem.

Técnicas de Preparo: Manual e Betoneira

Concreto preparado manualmente: dosar os materiais através de caixas com dimensões pré-determinadas. A mistura dos materiais deve ser feita numa plataforma de madeira ou cimento. Espalha-se a areia e depois deposita-se o saco de cimento, realizando a primeira mistura. Após misturar, juntar a brita. Em seguida, abre-se um buraco no meio do montante e coloca-se água aos poucos até obter uma mistura homogênea.

Concreto preparado em betoneira: colocar parte da água primeiro; em seguida, colocar o agregado graúdo. Na sequência, adicionar o cimento e depois a areia. Após todo o material inserido, colocar o restante da água até atingir a consistência ideal. Deve-se carregar os insumos com a betoneira girando e no menor espaço de tempo possível.

Desforma e Conserto de Falhas Construtivas

Desforma: a retirada das fôrmas e do escoramento deverá ser feita quando o concreto atingir a resistência característica à compressão de 15 MPa. A desforma deve ser realizada de forma criteriosa.

Consertos de falhas: remover o concreto solto, picotar e limpar bem o lugar a ser reparado. Limpar muito bem as barras das armaduras descobertas, removendo toda a ferrugem. Aplicar um adesivo à base de epóxi na superfície de contato do concreto e das barras de aço com o novo concreto de enchimento. Realizar o preenchimento do vazio com concreto forte, sendo aconselhável aplicar aditivo inibidor de retração (expansor).

Checklist Essencial Antes da Concretagem

O que devemos verificar antes da concretagem:

  • Fôrma e escoramento;
  • Armadura;
  • Lançamento;
  • Adensamento;
  • Cura.

Baixar

PDF Word HTML