Guia Completo: Estrutura e Tipos de Argumentação

Filosofia e ética4,71 KB

Introdução à Argumentação

O ensaio argumentativo tem uma finalidade clara: convencer. Para isso, fará uso de diferentes elementos que suportam as suas ideias, como fatos, opiniões e provas. Estes são os seus argumentos. A tese é a visão que o emissor deseja que o recetor aceite.

Estruturas de Raciocínio

  • Dedutivo: A tese aparece na Introdução. O raciocínio vai da tese para a conclusão (do geral para o particular).
  • Indutivo: O argumento começa primeiro, e a tese do texto aparece no final (Conclusão). O raciocínio vai da consequência para a causa (do particular para o geral).

Recursos para Apoiar o Argumento

  • Contra-argumento: Apresenta possíveis objeções aos argumentos.
  • Comparação: Utilizada para provar ou ilustrar algo.
  • Definição: Especifica as condições do discurso.
  • Designação de Informações Externas: Citação de fontes como jornais ou estudos.
  • Nomeação de Argumento de Autoridade: Baseia-se no prestígio do emissor ou de um especialista citado.
  • Exemplificação: Utiliza exemplos para aumentar a força argumentativa, avaliando argumentos e conclusões de terceiros.

Estrutura Interna do Argumento

A estrutura interna é composta pelos seguintes elementos:

  • Tese: A ideia que se defende ou reflete. É de natureza controversa, expressa em sentenças declarativas com verbo no modo indicativo. Geralmente inicia o argumento (estrutura dedutiva).
  • Premissas ou Bases: Informações que apoiam a opinião, recorrendo à lógica ou a elementos emotivo-afetivos.
  • Garantias: Razões que sustentam a tese.
  • Apoio (Backing): Ideias que suportam o que foi dito nas garantias (dados, fatos e investigação).
  • Conclusão: Reafirma a hipótese ou a tese, expressa ou implícita.

Tipos de Raciocínio na Argumentação

Argumentos Lógico-Racionais

Baseiam-se na construção lógica do pensamento:

  • Raciocínio por Analogia: Define uma similaridade entre dois conceitos, pessoas ou coisas.
  • Raciocínio por Generalização: Cria uma visão comum a partir de casos específicos.
  • Raciocínio por Sinais (Sintomáticos): Sinais ou indícios são usados para estabelecer a existência de um fenómeno.
  • Fundamentação Causal: Define uma relação de causa e efeito entre dois fatos que defendem a tese.
  • Critério de Autoridade: Refere-se à citação de especialistas no assunto ou pessoas dedicadas a apoiar a tese.

Argumentos Afetivo-Emocionais

Abordam os sentimentos do público para mover e causar uma reação simpática ou de rejeição:

  • Apelo Afetivo-Emocional: Aborda os sentimentos do público, especialmente dúvidas, medos e desejos.
  • Argumentos por Detalhe: Usam exemplos familiares ao público, pois o afetam diretamente.
  • Confiança do Emissor: Baseia-se na confiança e credibilidade que o próprio emissor inspira.
  • Argumento-Slogan: Utiliza uma frase que é constantemente repetida.
  • Recursos da Fama: Utiliza a imagem pública de uma personalidade ou um valor socialmente reconhecido.
  • Fetichismo de Massa: Baseia-se na ideia de que a maioria escolhe a coisa certa.
  • Uso de Preconceito: Utiliza o preconceito como argumento para sustentar uma tese.
  • Apelo à Tradição: A ideia exposta baseia-se numa tradição estabelecida.

Classes de Argumentos

  • Baseados em fatos e dados observáveis e objetivos.
  • Baseados em opiniões razoáveis ou conhecimento geral sobre o assunto.
  • Baseados em argumentos de autoridade (um especialista).

O ensaio argumentativo visa refutar, expressar opiniões ou convencer um recetor.

Contextos de Uso da Argumentação

O argumento é utilizado numa ampla variedade de textos e situações:

  • Textos Académicos: Investigadores, filósofos, dissertações e relatórios.
  • Meios de Comunicação: Editoriais, obras de opinião e crítica, anúncios comerciais e monólogos.
  • Situações Interativas: Conversas, palestras, discussões, debates, fóruns, painéis e mesas-redondas.

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