Guia Completo: Figuras de Linguagem e Vícios de Linguagem

Classificado em Língua e literatura

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São recursos que tornam as mensagens mais expressivas. Subdividem-se em figuras de som, figuras de construção, figuras de pensamento e figuras de palavras.

Figuras de Som

  • Aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos sons consonantais.
    “Esperando, parada, pregada na pedra do porto.”
  • Assonância: consiste na repetição ordenada de sons vocálicos idênticos.
    “Sou um mulato nato no sentido lato / mulato democrático do litoral.”
  • Paronomásia: consiste na aproximação de palavras de sons parecidos, mas de significados distintos.
    “Eu que passo, penso e peço.”

Figuras de Construção

  • Elipse: consiste na omissão de um termo facilmente identificável pelo contexto.
    “Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.” (omissão de havia)
  • Zeugma: consiste na elipse de um termo que já apareceu antes.
    “Ele prefere cinema; eu, teatro.” (omissão de prefiro)
  • Polissíndeto: consiste na repetição de conectivos ligando termos da oração ou elementos do período.
    “E sob as ondas ritmadas / e sob as nuvens e os ventos / e sob as pontes e sob o sarcasmo / e sob a gosma e sob o vômito (...)”
  • Inversão: consiste na mudança da ordem natural dos termos na frase.
    “De tudo ficou um pouco. / Do meu medo. Do teu asco.”
  • Silepse: consiste na concordância não com o que vem expresso, mas com o que se subentende. Pode ser:
    • De gênero: Vossa Excelência está preocupado.
    • De número: Os Lusíadas glorificou nossa literatura.
    • De pessoa: “O que me parece inexplicável é que os brasileiros persistamos em comer essa coisinha verde e mole que se derrete na boca.”
  • Anacoluto: consiste em deixar um termo solto na frase. “A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa.”
  • Pleonasmo: consiste numa redundância cuja finalidade é reforçar a mensagem.
    “E rir meu riso e derramar meu pranto.”
  • Anáfora: consiste na repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases.
    “Amor é um fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e não se sente; / É um contentamento descontente; / É dor que desatina sem doer.”

Figuras de Pensamento

  • Antítese: consiste na aproximação de termos contrários.
    “Os jardins têm vida e morte.”
  • Ironia: apresenta um termo em sentido oposto ao usual, obtendo efeito crítico ou humorístico.
    “A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.”
  • Eufemismo: substitui uma expressão por outra menos brusca para suavizar uma afirmação.
    “Ele enriqueceu por meios ilícitos.” (em vez de ele roubou)
  • Hipérbole: exagero de uma ideia com finalidade enfática.
    “Estou morrendo de sede.”
  • Prosopopeia ou Personificação: atribui a seres inanimados predicativos próprios de seres animados.
    “O jardim olhava as crianças sem dizer nada.”
  • Gradação ou Clímax: apresentação de ideias em progressão ascendente ou descendente.
    “Um coração chagado de desejos / Latejando, batendo, restrugindo.”
  • Apóstrofe: interpelação enfática a alguém ou algo personificado.
    “Senhor Deus dos desgraçados! / Dizei-me vós, Senhor Deus!”

Figuras de Palavras

  • Metáfora: emprego de um termo com significado diferente do habitual, baseado em relação de similaridade.
    “Meu pensamento é um rio subterrâneo.”
  • Metonímia: transposição de significado baseada em relação lógica entre os termos.
    “Não tinha teto em que se abrigasse.” (teto em lugar de casa)
  • Catacrese: uso de um termo por empréstimo devido à falta de um específico.
    “O pé da mesa estava quebrado.”
  • Antonomásia ou Perífrase: substituição de um nome por uma expressão que o identifique.
    “Os quatro rapazes de Liverpool” (em vez de os Beatles)
  • Sinestesia: mescla de sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido.
    “A luz crua da madrugada invadia meu quarto.”

Vícios de Linguagem

A gramática é um conjunto de regras que estabelecem a norma culta. Quando o falante se desvia do padrão por desconhecimento, ocorrem os vícios de linguagem:

  • Barbarismo: grafar ou pronunciar uma palavra em desacordo com a norma (ex: pesquiza).
  • Solecismo: desvio na construção sintática (ex: Fazem dois meses).
  • Ambiguidade ou Anfibologia: frase que apresenta mais de um sentido.
  • Cacófato: mau som produzido pela junção de palavras.
  • Pleonasmo vicioso: repetição desnecessária de uma ideia (ex: brisa matinal da manhã).
  • Neologismo: criação desnecessária de palavras.
  • Arcaísmo: utilização de palavras em desuso (ex: Vossa Mercê).
  • Eco: repetição de palavras terminadas pelo mesmo som (ex: O menino repetente mente alegremente).

Por Marina Cabral
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura
Equipe Brasil Escola

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