Guia Completo: Fungicidas e Controle Biológico de Doenças

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Classificação e Ação dos Fungicidas

Fungicida: substância química que mata fungos. Substância fungistática: inibe o crescimento micelial ou a esporulação.

Ação Protetora

Atuam antes da penetração do patógeno, impedindo ou reduzindo a doença. Funcionam como barreira tóxica, são relativamente insolúveis em água, possuem ação multissítio e não penetram no hospedeiro. Requerem aplicações periódicas e cobertura total dos tecidos. Inibem a germinação de esporos (esporângios, zoósporos).

Ação Pós-Infecção

  • Ação curativa: paralisa o crescimento de micélios e desencadeia hipersensibilidade na planta.
  • Ação antiesporulante: reduz a esporulação e a viabilidade dos esporos.

Tipos de Fungicidas

  • Sistêmicos: Podem ser protetores, curativos, imunizantes ou erradicantes. São absorvidos por raízes e folhas e translocados pelo sistema condutor (geralmente via xilema) após o estabelecimento do patógeno.
  • Mesostêmicos: Aplicados na superfície foliar, translocam-se para outras folhas via vapor (redeposição) a pequenas distâncias. A translocação vascular é quase inexistente, exigindo boa cobertura (ex: estrobilurinas e triazóis).
  • Imóveis: Aplicados em órgãos aéreos, não são absorvidos e nunca possuem ação curativa (ex: ditiocarbamatos).
  • De contato erradicantes: Atuam diretamente sobre o patógeno (ex: calda sulfocálcica, calda bordalesa).
  • Fungicidas anti-oomicetos: Sistêmicos seletivos (para Phytophthora, Pythium, míldios, ferrugem branca). Inibem a síntese de ácidos nucleicos, aminoácidos e lipídeos; são metabolizados rapidamente pelos vegetais.
  • Multissítios: Erradicantes ou protetores, inibidores inespecíficos de reações bioquímicas na célula. Não sistêmicos e podem ser fitotóxicos.

Modos de Ação Específicos

  • Inibidores da síntese de ergosterol: Amplo espectro, com baixa probabilidade de resistência.
  • Inibidores do transporte de elétrons: Inibem a respiração mitocondrial, privando o organismo de ATP.
  • Inibidores da biossíntese da parede celular: Ex: dimetomorfe (Acrobat, Forum).
  • Triazóis: Inibem a biossíntese de triglicerídeos, desintegrando a membrana plasmática. Possuem rápida absorção, translocação e elevado efeito residual.

Resistência e Estratégias de Manejo

  • Resistência qualitativa: Resulta de um gene de efeito maior. Ocorre perda total do controle da doença, não recuperável com doses maiores.
  • Resistência quantitativa: Alteração de muitos genes. A perda de controle é gradual e pode ser recuperada com doses maiores e aplicações mais frequentes.
  • Estratégia anti-resistência: Manejo integrado, uso de dose registrada, monitoramento de linhagens resistentes, alternância de produtos químicos e respeito à frequência de aplicação.
  • Cautela: Triazóis em mistura com nitratos ou cloretos de potássio apresentam alto risco de fitotoxidez.

Controle Biológico

  • Conservativo: Modificação do ambiente agrícola para preservar ou aumentar populações de agentes de controle (ajuste de pH, temperatura, umidade e adição de matéria orgânica).
  • Aumentativo: Agentes produzidos em larga escala e aplicados em altas concentrações (ex: Trichoderma spp. para mofo branco em soja e feijão).

Mecanismos de Antagonismo

  • Antibiose: Produção de metabólitos ou antibióticos que inibem o patógeno.
  • Competição: Disputa por substrato, espaço, nutrientes (N) ou oxigênio (ex: Trichoderma e Sclerotinia).
  • Parasitismo: Micro-organismos que se nutrem de estruturas vegetativas ou reprodutivas do patógeno (hiperparasitas).
  • Hipovirulência: Introdução de linhagem do patógeno que transmite características não patogênicas às gerações futuras.
  • Predação: Organismo que caça e se alimenta do patógeno.
  • Indução de defesa: Estimula a planta a uma premunização.

Agentes e Aplicações

Trichoderma harzianum combate Rhizoctonia solani, Fusarium spp., Armillaria spp. e Botrytis. Bacillus subtilis é utilizado em algodão, amendoim e hortaliças via tratamento de sementes. A microbiolização protege mudas e órgãos de propagação. Solos supressivos possuem interações microbianas naturais que inibem patógenos (ex: adição de húmus). Em doenças pós-colheita, utilizam-se suspensões de leveduras, Bacillus e Trichoderma. A premunização utiliza estirpes fracas para proteger contra vírus (ex: tristeza dos citros, mosaico da abobrinha).

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