Guia Completo sobre IRAS: Prevenção e Controle
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IRAS como um problema de Saúde Pública
Amplitude da expressão "Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde" (IRAS): A expressão é preferida em relação a "infecções hospitalares" por abranger todas as infecções em ambientes e serviços de saúde, não apenas em instituições hospitalares.
Prevalência no Brasil: Embora os dados sejam limitados, estima-se que as IRAS atinjam 14% das internações hospitalares no país, com ressalvas devido a possíveis subnotificações e falhas nos métodos de vigilância.
Conceitos importantes
- Contaminação: Presença de microrganismos em superfícies sem invasão tecidual, ocorrendo tanto em objetos inanimados como em humanos (ex: microbiota transitória das mãos).
- Colonização: Crescimento e multiplicação de um microrganismo em superfícies epiteliais do hospedeiro, sem expressão clínica ou imunológica (ex: microbiota residente em humanos).
- Infecção: Danos decorrentes da invasão e multiplicação microbiana no hospedeiro, ocorrendo interação imunológica. Quando ocorre uma diminuição nas defesas do organismo, os microrganismos patogênicos invadem e penetram no corpo, reproduzindo-se e causando sinais e sintomas que caracterizam a doença ou síndrome infecciosa.
Legislação e diretrizes no Brasil
São mencionadas diversas leis, portarias e regulamentos voltados para o controle e prevenção das IRAS no Brasil, desde a criação de comissões de controle de infecção hospitalar até programas nacionais. Essas legislações abrangem uma variedade de serviços de saúde (diálise, nutrição, endoscopia, etc.) e estabelecem diretrizes para garantir a segurança do paciente.
Precauções de Isolamento
Durante a assistência, profissionais aplicam medidas para proteger-se de infecções ocupacionais e prevenir a transmissão de microrganismos entre pacientes. Isolamentos são medidas adicionais aplicadas a pacientes infectados ou colonizados para evitar a disseminação de patógenos.
Breve histórico e evolução
Desde a peste negra, o isolamento era praticado. No final do século XIX, surgiram recomendações nos EUA, evoluindo para quartos individuais na Europa no início do século XX. O CDC, em 1975, categorizou as precauções, atualizando-as nos anos 80 devido ao aumento de infecções multirresistentes.
Papel das precauções na prevenção de transmissão
- Precauções Padrão: Medidas rotineiras aplicadas a todos os pacientes para evitar exposição a fluidos corporais e propagação de microrganismos.
- Precauções Específicas: Incluem contato, gotículas e aerossóis, direcionadas a patógenos específicos.
Sequência para colocação e retirada dos EPIs
Higienização das mãos, vestir avental, calçar luvas; seguida da remoção na ordem inversa.
Controle Ambiental e Saneantes
Controle Ambiental: Engloba a gestão do ambiente hospitalar (ar, água, resíduos) e avaliação de riscos em reformas e construções.
Uso Racional de Antissépticos e Saneantes:
- Antissépticos (tecidos vivos): Ex: preparo pré-operatório da pele, degermação das mãos e higienização. Mais utilizados: álcool, clorexidina e iodo.
- Saneantes (superfícies inanimadas): Mais utilizados: sabões, detergentes e álcool.
Limpeza x Desinfecção
- Limpeza: Remoção de sujidades por meio mecânico (fricção), físico (temperaturas elevadas) ou químico.
- Desinfecção: Processo que destrói microrganismos em artigos ou superfícies. Requer a remoção prévia de matéria orgânica para eficácia.
Gestão de Riscos e Esterilização
- Avaliação de Risco em Reformas e Construções: Identificação e gestão de riscos associados a obras, minimizando a exposição a poeira e umidade.
- Limpeza, Desinfecção e Esterilização de Produtos para Saúde: Técnicas para garantir que dispositivos médicos e instrumentos cirúrgicos estejam livres de microrganismos e seguros para o uso.