Guia Completo sobre a PAC e a Agricultura em Portugal
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A Necessidade da PAC
A PAC (Política Agrícola Comum) visava remediar e atenuar as carências alimentares do pós-guerra, pois dava garantias de autossubsistência alimentar às populações dos Estados-Membros.
Objetivos da PAC
Os objetivos da PAC, fixados no Tratado de Roma, centravam-se em:
- Aumentar a produtividade da agricultura: Desenvolvendo o progresso técnico, assegurando o desenvolvimento racional da população agrícola, assim como uma utilização eficiente dos fatores de produção, nomeadamente a mão de obra.
- Assegurar um bom nível de vida: Garantir à população agrícola um rendimento individual digno.
- Estabilizar mercados.
- Garantir a segurança dos abastecimentos.
- Assegurar preços razoáveis aos consumidores.
Critérios de Realização
- Unicidade de preços: Criação de uma Organização Comum dos Mercados Agrícolas (OCM).
- Preferência comunitária: Melhor divisão e organização da agricultura.
- Solidariedade financeira: Assente na criação do FEOGA (Fundo Europeu de Orientação e Garantia Agrícola).
- Orientação: Contribui para reformas estruturais e desenvolvimento rural.
- Garantia: Financia despesas de mercado e ações de desenvolvimento rural.
Consequências da PAC
Positivas
- Aumento da oferta de emprego, fixando populações e evitando o êxodo rural.
- Atração de serviços (administrativos, financeiros, saúde).
- Melhoria das infraestruturas.
Negativas
- Abandono de explorações agrícolas.
- Recurso à intensificação agropecuária (uso excessivo de fertilizantes).
- Progressiva procura de melhoria das condições.
Reformas da PAC
Reforma de 1992 (Nova PAC)
Necessária devido à produção excessiva e preços elevados. Visava inverter a tendência produtivista e conciliar a política com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC). Introduziu reformas antecipadas, subsídios para não produzir e o set-aside para reduzir excedentes.
Agenda 2000 (Reforma de 1999)
Focada na diversificação da produção agrícola e silvícola, promoção das zonas rurais, modulação facultativa e redução de tetos financeiros.
Reforma de 2003
Orientação para o mercado, qualidade, segurança alimentar e proteção ambiental. Introduziu o Pagamento Único.
Reforma 2014-2020
Apoio a novos regadios, investimento em organizações de produtores, seguros de colheitas, proteção ambiental e apoio a jovens agricultores.
Desenvolvimento Rural
O 2.º pilar da PAC foca-se na inversão do êxodo rural, combate à pobreza, criação de emprego e igualdade de oportunidades.
Integração de Portugal na PAC
Antes da adesão à CEE, a agricultura portuguesa apresentava atrasos estruturais, técnicos e organizativos, com baixa produtividade e infraestruturas insuficientes.
Etapas da Integração
- 1.ª Fase (até 1990): Beneficiou do PEDAP para corrigir deficiências estruturais.
- 2.ª Fase (1990-1999): Enfrentou desafios com a reforma de 1992 e a abertura ao Mercado Único em 1993.
Agricultura Biológica e Valorização Rural
A agricultura biológica dispensa químicos, promovendo a fertilidade do solo e a biodiversidade. Embora apresente custos mais elevados, é uma oportunidade de valorização para o setor.
Turismo Rural e Sustentabilidade
Modalidades como casas de campo, agro-turismo e hotéis rurais promovem a economia local. Segundo a OMT, o turismo sustentável deve salvaguardar recursos naturais para gerações futuras.
Conceitos Chave
- Eco-condicionalidade: Normas de gestão obrigatórias para agricultores.
- DOP (Denominação de Origem Protegida): Protege produtos genuínos de regiões específicas.
- IGP (Indicação Geográfica Protegida): Certificação de qualidade regional.
Importância da Floresta
A floresta ocupa 38% do território português, sendo um pilar da exportação (cortiça, madeira, papel) e essencial para a captura de carbono e economia rural.