Guia de Cuidados e Higiene do Paciente Acamado
Classificado em Medicina e Ciências da Saúde
Escrito em em
português com um tamanho de 9,21 KB
O Paciente Acamado
Uma pessoa que passa muitas horas na cama, ou quase o tempo todo, exige que os cuidadores participem ativamente por vários motivos:
Nota de advertência:
Como educadores ou cuidadores, é essencial saber atender uma pessoa que está acamada permanentemente ou por longos períodos. As razões podem incluir:
- Doenças transitórias: acidentes ou pneumonia.
- Doenças crônicas: doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou doença renal.
- Deficiências graves: como a hemiplegia.
- Locais de atendimento: estas pessoas podem estar em casas de repouso, lares de idosos, centros de cuidados para estadias prolongadas, residências ou em home care.
Assistência no Domicílio
Exemplos de cuidadores: familiares, amigos, etc.
O paciente está em casa e os cuidados devem ser compartilhados entre a família e os profissionais, recebendo visitas agendadas. Os profissionais explicam como a família deve cuidar dos doentes na sua ausência. No domicílio, a ajuda profissional orienta sobre como proceder corretamente.
Este cuidado também se aplica a pessoas convalescentes ou com limitações funcionais, sem risco imediato de agravamento.
Vantagens:
- A pessoa permanece em casa, o que causa menos ansiedade e reduz o risco de infecção.
- Reduz o congestionamento do sistema hospitalar e é mais econômico do que a internação convencional.
2.1 O Paciente e o Ambiente do Quarto
A definição de um ambiente agradável envolve higiene, segurança e uma boa estética (ex: flores, cortinas, paredes coloridas, etc.). Em uma atmosfera positiva, o paciente sente-se melhor, o que melhora sua qualidade de vida e contribui para sua recuperação.
Como manter esta atmosfera:
- Quartos limpos e arrumados.
- Baixo nível de ruído.
- Temperatura confortável.
- Iluminação adequada.
- Ventilação suficiente.
Limpeza e Arrumação no Quarto
Um quarto limpo e arrumado ajuda a manter o paciente mais calmo e estimulado. O cuidador deve manter a organização ou orientar a família sobre como fazê-lo adequadamente.
2.2 O Silêncio
O ruído intenso causa nervosismo e irritação. Ruídos inesperados podem gerar preocupação e angústia. Pacientes em estado grave, com febre, recém-operados ou muito angustiados precisam de mais calma.
Como obter o silêncio:
- Falar em voz baixa.
- Baixar o volume da TV ou do rádio.
- Atender o telefone rapidamente e nunca gritar para chamar alguém para atender.
- Utilizar calçados silenciosos.
- Cuidar ao mover móveis para evitar choques ou quedas.
- Ter cuidado ao manusear utensílios de limpeza e ao abrir ou fechar portas e gavetas.
2.3 Temperatura Agradável
- A temperatura ideal do quarto deve estar entre 20°C e 25°C.
- A luz solar direta aumenta a temperatura; por isso, deve-se ajustar cortinas e persianas.
2.4 Iluminação Adequada
A falta de luz pode causar acidentes, enquanto a luz intensa pode cansar a visão ou produzir mal-estar. A luz do sol tem efeito antidepressivo, e a luz artificial serve como complemento.
Tipos de luz artificial:
- Iluminação geral: Uniforme e com intensidade adequada.
- Iluminação concentrada: Luz direcionada especificamente para a cama.
- Lâmpada piloto: Fonte de luz suave para garantir o sono sem perturbar o paciente, servindo também para orientação caso ele acorde.
2.5 Ventilação Frequente
A ventilação é essencial para renovar o ar, reduzir a concentração de germes e diluir odores. Deve-se abrir portas e janelas evitando correntes de ar diretas. Se chover, feche a janela e mantenha apenas a porta aberta.
Como eliminar odores no quarto:
- Manter a roupa de cama sempre limpa e seca.
- Remover e lavar a comadre ou o papagaio imediatamente após o uso, mantendo-os tampados durante o transporte.
- Lavar as mãos após o manuseio.
- Ventilar bem o ambiente, especialmente se houver curativos de úlceras cutâneas.
- Proibido fumar.
3. A Unidade do Paciente
A unidade do paciente é o conjunto formado pela área ocupada e seus equipamentos (móveis, acessórios e material sanitário). No domicílio, o quarto corresponde a essa unidade.
Móveis mais comuns:
- A cama: Deve estar em bom estado, com a cabeceira encostada na parede e as laterais com pelo menos 1 metro de espaço livre.
- Mesa de cabeceira: Para itens pessoais, higiene e medicamentos. Deve estar levemente separada da parede.
- Mesa de refeição: Possui rodas e altura/inclinação regulável para ser usada sobre a cama.
- Cadeira: Para descanso do paciente (quando permitido) ou para visitas.
- Escadinha (Escabell): Auxilia o paciente a subir ou descer da cama.
Acessórios: Comadre (para mulheres), papagaio (para homens), bacia (para lavagens ou vômito) e recipientes para coleta de amostras. Estes devem ser guardados no banheiro.
4. A Cama
Quanto mais tempo o paciente passa acamado, mais importante é ter uma cama profissional.
4.1 Cama Profissional
Feita de liga inoxidável para facilitar a limpeza e desinfecção. Possui laterais curvas e rodas com trava.
Medidas padrão: Largura (90-95 cm), Altura (70 cm) e Comprimento (1,9 a 2 m).
4.2 O Colchão
O estrado profissional é articulado em três segmentos: cabeça/ombros, pelve e extremidades inferiores.
Posições comuns:
- Posição de Fowler: Semi-sentado.
- Posição de Semifowler: Pés levemente elevados.
- Posição de Trendelenburg: Pés acima do nível da cabeça.
- Posição de Trendelenburg Reverso: Cabeça acima do nível dos pés.
4.3 Ajustes da Cama Profissional
Possui motor elétrico para regular os segmentos. A altura ajustável permite que o cuidador assista o paciente sem inclinar-se, reduzindo riscos de lesões na coluna. É vital orientar a família sobre as posições aconselhadas e as que devem ser evitadas.
4.4 Acessórios da Cama Profissional
- Dossel: Barras de metal para fixação de trapézios.
- Tração: Suporte metálico com roldana e corda de nylon para tratamentos ortopédicos.
- Trapézio (Triângulo): Ajuda o paciente a se levantar ou mudar de posição, sendo útil para obesos, pessoas com fraturas ou paraplégicos.
4.5 Tipos de Colchão
O objetivo é prevenir úlceras por pressão (escaras). Existem colchões de espuma (em blocos), de água e de ar. O colchão de ar com sistema alternado infla e desinfla diferentes células, mudando os pontos de pressão no corpo do paciente.
4.6 Enxoval (Lingerie)
- Capa de colchão: Impermeável e ajustável.
- Lençóis: Lençol de baixo (ajustável) e lençol de cima (algodão ou fibra).
- Travessa: Colocada sobre o colchão para proteger contra secreções e ajudar na movimentação do paciente.
- Resguardo (Empapador): Tecido ou celulose descartável para proteger a cama da umidade.
- Cobertor e Colcha: Para aquecimento e estética.
- Fronha e Protetor de Travesseiro: Devem ser trocados com a mesma frequência dos lençóis.
4.7 Acessórios de Segurança
- Grades de segurança: Evitam quedas.
- Suporte para saco coletor de urina: Fixado na lateral da cama.
- Arco de metal: Mantém o peso das cobertas longe da pele do paciente, evitando atrito. Pode ser revestido com algodão para não machucar.
4.8 Suporte para os Pés
Estrutura em 'T' colocada no pé da cama para manter a planta do pé em posição natural, evitando a flexão plantar contínua (pé equino).
5. Técnicas para Fazer a Cama
Em centros de saúde, a roupa é trocada diariamente; em casa, a frequência adapta-se às necessidades do paciente e às possibilidades do cuidador.
Procedimentos essenciais:
- Reunir todo o material necessário antes de começar.
- Descartar o material sujo em recipientes adequados.
- Limpar materiais reutilizáveis após o uso.
- Evitar o contato entre roupa suja e roupa limpa.
- Não encostar a roupa suja no uniforme do cuidador para evitar a propagação de germes.
- Se o paciente for contagioso, a roupa suja deve ser acondicionada em sacos especiais e lavada separadamente.