Guia de Emergências e Cuidados Intensivos Veterinários
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1. Triagem e Avaliação Inicial
1.1. Indique qual ou quais das seguintes situações requerem atendimento médico imediato:
- a. Distensão abdominal aguda.
- b. Claudicação intermitente.
- c. Um episódio de diarreia com hematoquezia.
1.2. A presença das quatro extremidades frias num animal com temperatura retal normal pode indicar:
- a. Má perfusão.
- b. Ativação do sistema nervoso simpático.
- c. As duas opções anteriores são corretas.
1.3. Relativamente à triagem telefónica:
- a. Se há história de convulsão, é recomendada a deslocação imediata à clínica/hospital.
- b. Na dúvida acerca da gravidade da situação, deverá ser agendada uma consulta, mas não de forma urgente.
- c. A obtenção de informação acerca do historial clínico não é prioritária.
1.4. Indique quais os parâmetros no que diz respeito à avaliação primária da circulação.
Os parâmetros que dizem respeito à avaliação primária da circulação são: atividade mental, frequência cardíaca, observação das mucosas, tempo de repleção capilar (TRC), pulso e temperatura das extremidades.
2. Fluidoterapia
2.1. Considere um cão, com 20kg, com a percentagem de desidratação estimada de 6%. Qual seria o volume de reposição neste caso?
Vr = 20 * 6% * 10 = 1200 ml
- Taxa de manutenção: 132 x peso^0,75
- Volume de reposição: peso x % de desidratação
- Perdas contínuas anômalas: (0,5-1,5) x TM
2.2. Relativamente à fluidoterapia e anestesia:
(Anestesia não recomendada a animais desidratados)
- a. A fluidoterapia está sempre indicada previamente à anestesia.
- b. A taxa de fluidoterapia, durante a anestesia, inicia-se nos 10ml/kg/h e deve ser aumentada em casos de hipotensão. (Inicia-se: cão 6ml/kg/h, gato 3ml/kg/h e não deve passar dos 10ml/kg/h).
- c. A fluidoterapia prévia à anestesia está recomendada em animais com azotemia.
2.3. Relativamente ao estado de hidratação deste animal:
- a. A percentagem de desidratação estimada neste animal é de 10%.
- b. Não é possível, com base na informação fornecida, estimar a percentagem de desidratação.
- c. A percentagem de desidratação estimada neste animal é de 5-8%.
2.4. Relativamente às vias de administração:
- a. A via subcutânea está indicada em casos de desidratação.
- b. A via endovenosa está habitualmente indicada apenas em pacientes críticos.
- c. A via oral implica integridade do trato gastrointestinal.
Notas:
- Via subcutânea: prevenção de desidratação.
- Via endovenosa (intravenosa): défice de perfusão; administração de grandes volumes.
- Via oral: trato GI.
- Intraóssea: animais de pequeno porte.
- Intravenosa central: cuidados intensivos/críticos.
2.5. Complicações associadas à colocação de cateteres periféricos
As medidas recomendadas para prevenir complicações são: assepsia, tricotomia, desinfeção das mãos, fixação do cateter, realizar um flush com NaCl 0,9% pelo menos 4 vezes/dia, remover e substituir a banda coesiva e a compressa externa diariamente. Na presença de humidade, sujidade ou laxidez, remover o cateter e colocar um novo a cada 4 dias.
2.6. Relativamente aos coloides:
- a. Os coloides sintéticos são utilizados como expansores de volume (apenas em situações especiais).
- b. O plasma fresco congelado é normalmente utilizado como expansor de volume.
- c. Não há contraindicações na administração de coloides sintéticos a um animal com patologia cardíaca.
3. Emergências do Trato Urinário
3.1. Na obstrução uretral:
- a. A monitorização de parâmetros renais como a creatinina e o débito urinário é secundária.
- b. O objetivo do tratamento é restabelecer o equilíbrio hemodinâmico impedindo ou limitando o dano renal (para posterior desobstrução).
- c. O objetivo do tratamento é contrariar o equilíbrio hemodinâmico impedindo ou limitando o dano renal.
3.2. Considere um animal com uroabdómen:
- a. A algaliação é indicada previamente à cirurgia, mas não deve ser mantida no pós-cirúrgico.
- b. A drenagem do líquido livre abdominal e algaliação constituem partes fundamentais do tratamento.
- c. O tratamento de estabilização consiste na administração de diuréticos para aumento do volume de líquido livre abdominal.
3.3. Relativamente à lesão e insuficiência renal aguda:
- a. Apenas na presença de azotemia podemos dizer que há lesão renal aguda.
- b. A hipercalemia é uma complicação frequente na insuficiência renal aguda.
- c. A analgesia não está comummente indicada no tratamento da insuficiência renal aguda.
4. Síndrome de Choque
4.1. Que tipo(s) de choque está presente no caso clínico apresentado?
- Obstrutivo: (causas: derrame pericárdico, tromboembolismo, tumores, síndrome de vólvulo/dilatação gástrica).
- Hipovolémico: (causas: hemorragia, desidratação, derrame do terceiro espaço).
- Hipóxico: (causas: anemia, hipoventilação, doença do parênquima pulmonar, metemoglobina, intoxicação por monóxido de carbono).
4.1.1. Em que fase de choque se encontra este animal?
Fase descompensada precoce, pois encontra-se obnubilado, taquipneico, taquicárdico, hipotérmico, tem as mucosas pálidas e hipotenso.
4.1.2. Qual seria o fluido de ressuscitação de primeira escolha neste caso?
Lactato de Ringer, 90 ml/kg.
4.2. No choque distributivo por sépsis:
- a. O início de antibioterapia deve ser baseado numa cultura e antibiograma.
- b. O início da antibioterapia está indicado até 1 hora após o diagnóstico de sépsis.
- c. Os glucocorticoides em doses imunossupressoras constituem um dos elementos fundamentais do tratamento.
5. Dispneia
5.1. Um padrão respiratório restritivo pode ser indicativo de:
Restritivo (vias altas inferiores, pleura, diafragma): Derrame pleural, pneumotórax, neoplasia, hérnia diafragmática.
5.2. Obstrução das vias aéreas superiores
As complicações estão relacionadas com a falta de oxigénio. As medidas ativas correspondem à oxigenação, sedação (ansiedade), entubação, traqueostomia, aspiração, glucocorticoides e controlo de hipertermia.
5.3. Relativamente à sedação em animais dispneicos:
- a. A combinação de medetomidina e butorfanol é uma opção frequente.
- b. Requer uma colocação de cateter periférico para administração endovenosa.
- c. Nenhuma das opções anteriores está correta.
6. Monitorização do Paciente Crítico
6.1. Relativamente ao lactato:
- a. A medição diária é um bom indicador da oxigenação de tecidos.
- b. O aumento sérico é indicativo de má oxigenação dos tecidos e predomínio de metabolismo anaeróbio.
- c. O aumento sérico é indicativo de má oxigenação dos tecidos e de alcalose metabólica.
6.2. Num animal medicado com um aminoglicosídeo é importante:
- a. Monitorizar a função renal.
- b. Monitorizar a função hepática.
- c. Monitorizar a função respiratória.
6.3. Num gato com hematócrito de 20% e hipoalbuminemia de 1.9mg/dl é importante:
- a. Reavaliar as doses dos fármacos utilizados.
- b. Monitorizar o hemograma.
- c. As duas opções anteriores são corretas.
6.4. Num animal no pós-cirúrgico de uma enterectomia:
- a. A albumina.
- b. A motilidade e integridade intestinal.
- c. As duas opções anteriores são corretas.
7. Emergências Oftalmológicas
7.1. Qual é o maior risco no descemetocele e que cuidado se deve ter?
Existe risco iminente de perfuração. O tratamento médico é semelhante ao das úlceras profundas. Deve-se usar antibióticos de largo espetro, analgésicos (ciclopentolato) e anti-proteinases. É essencial o uso de colar isabelino e repouso absoluto.
7.2. Num animal com proptose:
- a. A prioridade é a urgência oftalmológica.
- b. A avaliação do animal deve envolver todos os principais sistemas orgânicos.
- c. A ausência de resposta de ameaça determina a enucleação.
7.3. No hífema:
- a. Estão sempre indicados glucocorticoides tópicos.
- b. Pode resultar da ingestão de rodenticidas.
- c. Não é frequente ser secundário a outras patologias oculares.
Tópicos Adicionais
- Intoxicação por Paracetamol: O antídoto é a N-acetilcisteína, que se une a um metabolito, diminuindo a lesão celular e facilitando a excreção.
- Função do Enfermeiro Veterinário: Papel fundamental no maneio da dor, monitorização, realização de exames físicos, fisioterapia e redução do stress.
- Cetoacidose Diabética: Corrigir desequilíbrios eletrolíticos antes da insulina, pois esta promove a entrada de potássio nas células, agravando a hipocalemia.
- Entubação em Gatos: Necessária dessensibilização da laringe com spray de lidocaína para evitar espasmos laríngeos.
- Paresia: Espástica (dano no motoneurónio superior, aumento do tónus) vs. Flácida (dano no motoneurónio inferior, diminuição do tónus).
- Metoclopramida: Antiemético contraindicado em casos de obstrução gastroesofágica e abdómen agudo.