Guia de Enfermagem: Cuidados e Protocolos Críticos
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1. Gasometria Arterial
Valores de referência: pH 7,35–7,45; PaCO₂ 35–45 mmHg; HCO₃⁻ 23–26 mEq/L. O pH < 7,35 indica acidemia, enquanto o pH > 7,45 indica alcalemia.
- Acidose: pode ser respiratória (aumento da PaCO₂ por hipoventilação) ou metabólica (redução do HCO₃⁻).
- Alcalose: pode ser respiratória (redução da PaCO₂ por hiperventilação) ou metabólica (aumento do HCO₃⁻).
O organismo busca compensar essas alterações: na compensação respiratória, ocorre hiperventilação ou hipoventilação para eliminar ou reter CO₂; na compensação renal, os rins retêm ou excretam bicarbonato e íons H⁺ pela urina.
2. Monitoração Hemodinâmica
A monitoração invasiva possui maior precisão na avaliação contínua de parâmetros fundamentais, como a Pressão Arterial Média (PAM), Pressão Venosa Central (PVC), débito cardíaco e índice cardíaco.
3. Curativo de Cateter Venoso Central
Deve-se utilizar técnica estéril. O curativo convencional com gaze deve ser trocado a cada 24 horas ou sempre que estiver sujo, úmido ou solto. Já o curativo transparente (como o Tegaderm) pode permanecer por até 7 dias, desde que esteja íntegro.
4. Retirada de Introdutor de Acesso Arterial
Realizar compressão local. Após 2 horas, retira-se a fita superior; após mais 2 horas, retira-se o restante do curativo. Em acessos femorais, pode ser necessária compressão manual ou mecânica por aproximadamente 15 a 20 minutos.
5. Retirada de Cateter de Monitoração
Após a retirada do dispositivo, realiza-se a compressão do local por aproximadamente 5 minutos.
6. Banho de Leito em Paciente Crítico
Manter os dispositivos de monitorização e o controle rigoroso dos sinais vitais, observando atentamente o monitor. Deve-se manter o controle da integridade da pele e o conforto do paciente, com cuidado redobrado na prevenção de infecções.
7. Pós-Operatório de Cirurgia Cardíaca
As primeiras 24 horas são críticas. Deve-se monitorar sinais vitais, drenos, glicemia e dispositivos invasivos a cada 1 hora. Observar parâmetros como PAM, PVC, Vigileo, débito e índice cardíaco. O paciente pode apresentar dreno mediastinal ou pleural e fios de marcapasso.
8. Manejo de Lesão por Pressão (LPP)
Realizar a mudança de decúbito a cada 2 horas e manter a hidratação adequada da pele.
9. Protocolo de Sepse
Coletar culturas e iniciar a antibioticoterapia em até uma hora após a abertura do protocolo. Avaliar a reposição volêmica, principalmente diante de hipotensão ou sinais de hipoperfusão. Caso a perfusão não melhore adequadamente com o volume, podem ser iniciados vasopressores. O lactato também deve ser dosado, pois níveis elevados podem indicar hipoperfusão e maior gravidade. A meta habitual é manter a PAM ≥ 65 mmHg.
10. Drogas Vasoativas
- Noradrenalina: aumenta a PA por meio da vasoconstrição.
- Nipride: vasodilatador utilizado para baixar a pressão arterial.
- Dobutamina: aumenta a contratilidade miocárdica e o débito cardíaco.
- Tridil: vasodilatador, com ação principalmente venosa e coronariana.
11. Balanço Hídrico
Registrar todos os volumes administrados e eliminados em um período de 24 horas. Verificar se o paciente apresenta estado hipovolêmico (déficit) ou hipervolêmico (excesso).
12. Cuidados com Dreno de Tórax
O dreno tem como finalidade permitir a saída de ar, sangue ou líquido da cavidade pleural. O sistema deve permanecer abaixo do nível do tórax e nunca ser elevado acima do paciente para evitar refluxo. O selo d’água deve ser mantido no nível adequado e o sistema manipulado com técnica asséptica. A quantidade de solução no selo d’água depende do modelo e protocolo institucional. O dreno não deve ser clampeado rotineiramente, sendo o clampeamento reservado para situações específicas, pois aumenta o risco de complicações.
13. Hemotransfusão
Realizar dupla checagem obrigatória. Os principais hemocomponentes são: concentrado de hemácias, plasma, plaquetas e crioprecipitado.
- Concentrado de hemácias: administrado em 2 a 4 horas.
- Plasma: administrado em até 2 horas.
- Plaquetas: administradas em 15 a 30 minutos.
- Crioprecipitado: administrado imediatamente após o preparo ou descongelamento.
Durante toda a transfusão, o paciente deve ser monitorado quanto a reações transfusionais, como febre, calafrios, alterações pressóricas, dispneia ou dor.