Guia de Escuta Ativa e Micro-habilidades de Compreensão Oral

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Decálogo da Escuta Ativa

O ouvinte deve adotar um perfeito decálogo ativo:

  • Ter um olhar de curiosidade acentuado para o orador.
  • Seja objetivo: Ouça a pessoa de forma independente de si mesmo.
  • Conecte-se com a onda do orador: Para entender sua mensagem e seu modo de ver as coisas.
  • Descubra primeiro: Identifique a ideia principal, os objetivos e a finalidade do orador.
  • Classifique: Ouça a mensagem do orador e processe-a.
  • Reaja à mensagem: Fale apenas quando o orador tiver terminado.

Para desenvolver a competência expressiva do orador (hablante 27):

  • Ouça a todos com educação.
  • Honre as coisas que você recebeu.
  • Não atropele nem cobiçe a palavra do teu próximo.
  • Não se preocupe, não erre, não tome palavras duras.
  • Não deve cobiçar o seu próprio monólogo em frente ao próximo.
  • Celebrarás a inteligência dos outros e não falarás em vão.
  • Vença no diálogo, mas sendo convincente.

Micro-habilidades de Compreensão Auditiva

Reconhecer

  • Conhecer a sequência de unidades do segmento acústico que a compõem: palavras e sons, o artigo e o substantivo, verbo e pronomes, combinação de pronomes, etc.
  • Reconhecer fonemas, morfemas e palavras da língua.
  • Discriminar oposições fonológicas da linguagem: vogais tônicas/átonas, cama/cana, palha/caixa, temos/mão, etc.

Selecionar

  • Distinguir as palavras relevantes de um discurso (substantivos, verbos, etc.) daquelas que não são (frases feitas, repetições, redundâncias, etc.).
  • Conhecer os vários elementos agrupados em unidades maiores e significativas: os sons em palavras, palavras em frases, frases em parágrafos ou cabeçalhos de assunto, etc.

Interpretação

Entender o conteúdo do discurso, compreender a intenção comunicativa e o propósito. Compreender o significado global e a mensagem; identificar as ideias principais e discriminar informações relevantes de irrelevantes. Compreender detalhes ou ideias de apoio e relacionar ideias importantes (por exemplo: tese, argumento e anedota).

  • Compreender os pressupostos, as implicações e o que não é dito explicitamente (duplo sentido, elipse).
  • Compreender a forma do discurso: Entender a estrutura ou organização (especialmente em monólogos longos: as várias partes, 105 mudanças de tema, etc.).
  • Identificar as palavras que marcam a estrutura do texto, mudanças de assunto, abertura de novos temas e identificar a variante dialetal (geográfica, social, gírias, etc.) e o registro (nível de formalidade, especificidade, etc.).
  • Captar o tom do discurso: agressividade, ironia, humor, sarcasmo, etc.
  • Notar as características acústicas: A voz (vocalização grave ou aguda), a atitude do emitente, a entonação, o ritmo, a velocidade e as pausas.

Antecipar

  • Saber ativar todas as informações que temos sobre uma pessoa ou tópico para preparar a compreensão do discurso.
  • Saber prever o assunto, a linguagem (palavras, expressões, etc.) e o estilo, sendo capaz de antecipar o que será dito com base no que já foi exposto.

Inferir

  • Saber inferir dados do remetente: idade, sexo, caráter, atitude, origem sociocultural, propósitos, etc.
  • Saber extrair informações do contexto comunicativo: localização (rua, casa, escritório, sala de aula, etc.), papel do remetente e do receptor, tipo de comunicação, etc.
  • Saber interpretar os códigos não-verbais: olhar, gestos, movimentos, etc.

Reter

  • Lembrar palavras, frases e ideias por alguns segundos após interpretá-las.
  • Manter na memória de longo prazo os aspectos mais relevantes de um discurso: dados básicos da situação comunicativa, a estrutura do discurso e palavras especiais (raras, novas ou relevantes).
  • Use vários tipos de memória (visual, auditiva, olfativa, etc.) para reter a informação.

Didática da Compreensão Oral

Para o ensino da compreensão, é importante notar algumas características:

  • Os estudantes devem ter uma razão para ouvir.
  • A tarefa deve tornar o entendimento visível e observável (escrever, falar, desenhar), permitindo comentar, melhorar e avaliar.
  • É vantajoso trabalhar com mídia visual: papel, anotações, esboços, fotografias, desenhos, etc.
  • Os alunos devem ser capazes de ouvir o texto oral mais de uma vez para focar em pontos específicos: pronúncia, significado ou entonação.

Passos sugeridos:

  1. Introduzir o assunto e a situação atual, motivando os alunos com interesses pessoais para permitir a antecipação.
  2. Apresentar uma tarefa concreta e clara (ex: identificar uma ideia, contar ocorrências de uma palavra, inferir informações). Especificar o formato da resposta (escrita, desenho, etc.).
  3. Ouvir o discurso oral (leitura em voz alta, fita ou vídeo). Trabalho individual inicial.
  4. Comparar respostas em pares ou pequenos grupos.
  5. Ouvir novamente o discurso.
  6. Comparar respostas em nível de classe. Concluir verificando acertos e parando em pontos importantes.

Exercícios de Compreensão

  1. Jogos mnemônicos: Úteis para estudantes jovens, como repetir e reproduzir palavras.
  2. Ouvir e desenhar: Traduzir o entendimento em imagem. Ex: desenhar a distribuição de móveis de um quarto com base na descrição do colega.
  3. Tabelas completas: Completar quadros a partir de apresentações orais (ex: entrevistas sobre esportes).
  4. Transferência de informação: Utilizar esquemas, textos com lacunas ou desenhos para adicionar nomes e dados baseados no áudio.
  5. Escolha de opções: Identificar qual fotografia (pessoas, objetos, paisagens) corresponde à descrição ouvida.
  6. Identificar erros: Encontrar mentiras ou erros em um relato. Ex: o aluno explica sua rotina diária introduzindo três mentiras que os outros devem descobrir.

Além das técnicas acima, utilizamos recursos tecnológicos como vídeo (TV, VCR, monitor) e áudio (cassete ou fita cassete). Atualmente, o ensino de linguagem é quase inimaginável sem o suporte de vídeo, áudio ou ambos.

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