Guia de Estudo: Memorial do Convento de José Saramago

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Análise e Interpretação de Memorial do Convento

1. Na ação da obra distinguem-se três histórias. Identifique-as.

Em Memorial do Convento, podemos destacar três núcleos narrativos: a construção do Convento de Mafra, a construção da passarola e a história de amor de Baltasar e Blimunda.

2. A construção do Convento de Mafra teve origem numa promessa. Refira-a.

A construção do Convento de Mafra teve origem na promessa de que, se a rainha desse um filho ao rei, este levantaria um convento de franciscanos em Mafra.

3. Indique dois traços caracterizadores de D. João V, D. Maria Ana de Áustria e de D. Francisco.

  • D. João V: Autoritário e infantil (deseja que a inauguração do convento ocorra no dia do seu aniversário).
  • D. Maria Ana de Áustria: Fútil e superficial.
  • D. Francisco: Ganancioso.

4. Baltasar estabelece a relação entre as narrativas da construção do convento e da passarola. De que modo?

Baltasar estabelece a ligação entre os três núcleos da narrativa porque participa em ambos: no convento, para construir o sonho do rei; na passarola, para construir o seu próprio sonho. Numa atua como construtor e, na outra, como ajudante.

5. Considere as personagens Baltasar Sete-Sóis e Bartolomeu Lourenço.

5.1. Quando se conhecem?

Baltasar Sete-Sóis e Bartolomeu Lourenço conheceram-se num auto de fé, num domingo, no Rossio, ocasião em que a mãe de Blimunda foi condenada.

5.2. Que tipo de relação se estabelece entre os dois?

Tornam-se amigos cúmplices; partilham as mesmas ideias, sonhos (a construção da passarola) e confidências.

6. Caracterize Blimunda.

Madura, responsável, corajosa, persistente, fiel ao companheiro, espiritual, misteriosa, genuína e verdadeira; possui o dom de ver o interior das pessoas.

6.1. Em que se distingue das outras pessoas?

Blimunda distingue-se das outras pessoas porque tem a capacidade de ver por dentro dos seres humanos quando está em jejum.

6.2. Como se torna útil a Bartolomeu Lourenço?

Torna-se útil a Bartolomeu Lourenço porque consegue recolher as “vontades” necessárias para o voo da passarola.

7. Interprete o fim trágico das personagens ligadas à passarola.

Ao contrário de Blimunda, Baltasar e o Padre Bartolomeu Lourenço acabam por morrer. Blimunda, na obra, não morre porque representa a dimensão espiritual. Baltasar morre queimado num auto de fé. O padre morre louco, perseguido pela Inquisição. Scarlatti morre metaforicamente.

8. O sonho é uma linha de força da obra. Fundamente a afirmação.

O sonho é uma linha de força da obra porque, para realizarmos um sonho, necessitamos de força e de vontade. Na obra, o sonho da construção da passarola é uma vontade comum em que as personagens envolvidas lutam pelo mesmo fim. A vontade do ser humano assume grande importância. A partir da leitura, verificamos que o convento é parte do sonho dos franciscanos. O sonho de um padre torna-se o sonho de todos; o sonho é transmitido a Blimunda e Baltasar. Os desígnios do padre passam a ser os desígnios dos três: eles querem ultrapassar os limites e voar.

9. Distinga personagens históricas de personagens ficcionais.

Em Memorial do Convento, existem dois tipos de personagens:

  • Personagens ficcionais: Julião Mau-Tempo, João Elvas, Baltasar, Blimunda, etc., inventadas pelo autor.
  • Personagens históricas: D. João V, D. Maria Ana de Áustria, Domenico Scarlatti e o Padre Bartolomeu Lourenço são figuras que existiram na realidade e estão referenciadas na historiografia.

10. A construção do Convento assenta no sacrifício de heróis anónimos. Caracterize-os. (caderno)

10.1. Registe um acontecimento marcante na vida desses trabalhadores.

  • O transporte da pedra, desde Pêro Pinheiro até Mafra.
  • O momento em que Francisco Marques é esmagado.
  • O facto de os homens terem sido obrigados a trabalhar na construção do convento.

11. Apresente o ponto de vista do narrador sobre a construção do Convento de Mafra.

O narrador encara a construção como um capricho do Rei, considerando absurdo gastar tanto dinheiro naquela obra.

12. Os espaços de Mafra e Lisboa são privilegiados na obra. Que imagem física e social nos é dada da capital?

Lisboa é descrita como uma cidade suja, o que propicia o aparecimento de doenças como a peste.

  • Física: Um local imundo, povoado por gente ignorante e, por outro lado, por uma elite fútil e sem princípios (clero).
  • Social: Existia a extrema miséria de um lado (povo) e a extrema riqueza do outro (realeza).

13. O clero é observado de forma crítica e irónica. Justifique, recorrendo a exemplos concretos.

O clero é retratado como uma classe enganadora e pecadora que não cumpre as leis da Igreja. Exemplos disso são quando um padre fica nu na varanda da casa de uma mulher e deambula pelas ruas de Lisboa, ou quando outro tenta violar Blimunda.

14. Delimite cronologicamente a ação principal.

A ação começa em 1711, ano em que foi colocada a primeira pedra. Em 1729, ocorre o casamento arranjado de D. José com Mariana Vitória e de D. Maria Bárbara com D. Fernando. O Convento de Mafra é sagrado a 22 de outubro de 1730, dia de aniversário do Rei. Assim, a ação da construção do convento inicia-se em 1711 e termina em 1730.

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