Guia de Exercícios: Condromalácia, Osteoporose e Grupos Especiais

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Questionário de Fisiologia e Prescrição de Exercícios

Condromalácia Patelar

1 – Qual o nome se dá ao acometimento posterior à condromalácia patelar (ao que ela pode evoluir)?
Síndrome Patelofemoral.

2 – Defina condromalácia patelar.
A condromalácia patelar consiste no amolecimento e aparecimento de fissuras na superfície cartilaginosa da patela.

3 – Que ação mecânica é exercida na patela na condromalácia patelar?
A patela é deslocada lateralmente, sua superfície posterior pode ser palpada e, geralmente, é hiperestésica.

4 – Quais movimentos podem ser dolorosos na condromalácia patelar?
Os movimentos de flexão e extensão.

5 – A ocorrência da condromalácia patelar está intimamente ligada a qual faixa etária e gênero? Por quê?
A ocorrência em crianças e adolescentes é alta devido ao rápido crescimento nesta fase, trazendo como consequência o desequilíbrio dos estabilizadores ativos do joelho. O deslocamento patelar é mais comum em meninas do que em meninos.

6 – Qual é o músculo mais enfraquecido na condromalácia patelar?
O vasto medial é, geralmente, o músculo mais enfraquecido.

7 – O mau alinhamento está intimamente ligado a qual desvio?
Ao joelho valgo ou joelho em "X".

8 – Cite duas causas da condromalácia patelar.

  • Correr em circuitos acidentados, íngremes ou tortuosos;
  • Excesso de peso corporal.

9 – Descreva as características da dor da condromalácia patelar.
Dor de natureza profunda, retropatelar, agravada por subir e descer escadas ou por atividades esportivas que envolvem apoio com carga na flexão do joelho.

10 – Como fazemos a inspeção da dor?

  • Crepitação: A compressão e o movimento passivo da patela geram um som de grade e sensação de aspereza ao examinar;
  • Bloqueio: Gera, ocasionalmente, a sensação de bloqueio articular.

11 – Descreva os graus da condromalácia patelar.

  • Grau 1: Amolecimento e inchaço;
  • Grau 2: Fragmentação e fissuras numa área de 0,5 polegadas ou menor;
  • Grau 3: Fragmentação e fissuras numa área de 0,5 polegadas ou maior;
  • Grau 4: Erosão na cartilagem até chegar ao osso.

12 – Explique o alinhamento da condromalácia patelar.
Inicialmente, a reabilitação é feita através de tratamento fisioterápico. Recomendam-se exercícios de alongamento da musculatura adjacente à articulação. O tratamento através da musculação vem sendo largamente utilizado, devendo-se tomar alguns cuidados para não agravar ainda mais o problema.

13 – Que trabalho deverá ser recomendado caso a patela esteja desalinhada?
Caso a patela esteja desalinhada, recomenda-se o fortalecimento da musculatura oposta específica ao desvio, de modo que se tracione novamente a patela para o centro da articulação.

14 – Alguns autores dizem que, para o fortalecimento do quadríceps, sugerem a limitação do percurso articular em quantos graus da extensão?
Limitação do percurso articular nos últimos 15º a 30º da extensão.

15 – Por que a cadeia fechada é indicada para fortalecer o quadríceps na condromalácia patelar?
Por se acreditar que este é um padrão de movimento mais parecido com as atividades esportivas e cotidianas. Assim, leg press, agachamento e afundo são os exercícios de que podemos dispor para esse fim.

16 – Descreva o alongamento e a parte principal na condromalácia patelar.
Durante a série de musculação, deve-se enfatizar os alongamentos e priorizar os exercícios isométricos, que são menos prejudiciais à articulação do joelho.

  • Alongamento: Isquiotibiais, quadríceps e TFL (tensor da fáscia lata);
  • Trabalho Principal: Leg horizontal, meio agachamento com elástico, extensão isométrica, bicicleta sentado, hidroterapia com pé de pato e caminhada com colete na piscina.

17 – A musculação é importante na condromalácia patelar? Por quê?
Sim. No que tange à reabilitação, a musculação pode ser uma forte aliada na recuperação de pacientes com condromalácia.

Osteoporose

18 – Defina osteoporose.
Osteoporose significa "osso poroso".

19 – Explique a relação cortical e trabecular dos ossos.
Na osteoporose, o osso cortical se afina gradualmente e os buracos do osso trabecular se tornam cada vez maiores e irregulares.

20 – Qual a função dos osteoblastos e osteoclastos?
Quando o osso velho é destruído pelas células chamadas osteoclastos, pequenos buracos se formam. Esses buracos são reparados por osteoblastos, células construtoras de osso novo.

21 – Por que a osteoporose é chamada de doença silenciosa?
É chamada de doença silenciosa porque, em geral, não há sintomas de perda óssea até os ossos ficarem tão fracos que um movimento brusco, uma batida ou um tombo cause uma fratura.

22 – Que cautela o professor de educação física deverá ter na realização dos exercícios? Quais atividades não são recomendadas? Quais exercícios são mais efetivos?
O exercício isoladamente não é eficaz na prevenção e no tratamento da osteoporose. É necessária cautela na utilização de exercícios com pesos, evitando impactos maiores. Não são recomendadas atividades que envolvam a flexão do tronco. Os exercícios com sustentação do peso do corpo são mais efetivos para o fortalecimento ósseo.

23 – Que tipo de exercícios aeróbicos você poderá indicar e quais são os seus objetivos?
Exercícios aeróbios de baixo impacto, para melhorar o padrão da marcha, o equilíbrio e os reflexos, a fim de diminuir a incidência de quedas.

24 – Como você deverá proceder utilizando a musculação?
A musculação, quando bem orientada, tem um grande efeito osteogênico.

  • Ênfase nos grandes grupos musculares;
  • Utilização dos aparelhos;
  • Aquecimento;
  • Alongamentos antes e depois;
  • Teste de carga máxima não é recomendado;
  • Começar com RML (Resistência Muscular Localizada) e depois força;
  • 4 a 5 vezes por semana na fase de adaptação;
  • Após a adaptação, 3 vezes por semana.

25 – Explique as repetições e os intervalos aplicados na musculação em relação à osteoporose.

  • Iniciantes: 1 série de cada exercício;
  • Adaptados: 2 ou 3 séries;
  • Repetições: 12 a 15 (adaptação) e 8 a 12 (adaptados);
  • Intervalo: 1 a 2 min (adaptação) e 2 a 3 min (adaptados).

26 – Explique qual é um dos principais benefícios do exercício para pessoas idosas?
Aumento da DMO (Densidade Mineral Óssea), hipertrofia das trabéculas ósseas e melhora do equilíbrio.

27 – Qual o benefício causado pela combinação de exercício com peso?
Um dos principais benefícios do exercício regular para as pessoas idosas é a diminuição do risco de quedas.

Crianças

28 – Nas crianças, quais são as fases da mudança e do crescimento?

  • Pré-Infância: Primeiro ano de vida;
  • Infância: Final da pré-infância até o começo da adolescência;
  • Adolescência: Final da infância até a fase adulta.

29 – Quais são os benefícios da atividade física nas crianças?
As tensões exercidas sobre o osso, tais como as produzidas pela contração muscular, aumentam a atividade de osteoblastos (células responsáveis pelo crescimento ósseo).

30 – Em qual fase a criança pode ter o aumento significativo da força?
Na fase pré-púbere, o treinamento pode causar aumento significativo.

31 – Que lesões poderão acometer a criança no trabalho com força?
A compressão dos discos epifisários antes da ossificação pode retardar o crescimento ósseo ou até interrompê-lo, daí a importância de se dosar a intensidade dos exercícios de musculação para crianças.

32 – Como você montaria um programa de treinamento para criança?

  • O programa deve conter exercícios de fácil coordenação e assimilação dos movimentos, de preferência com pesos livres (a maioria com o peso do corpo);
  • Deve conter alongamentos e exercícios de aquecimento no começo da sessão;
  • Na parte principal da aula, os exercícios que envolvem grandes grupos musculares devem preceder os que envolvem menores músculos;
  • Ao final da sessão, os exercícios de volta à calma podem ser feitos com alongamentos para o corpo todo e, dependendo da idade, com algum jogo recreativo;
  • As aulas de musculação devem ser feitas, em média, de três a quatro vezes por semana;
  • Evitar exercícios acima da cabeça com dosagem alta;
  • Programa supervisionado;
  • Enfatizar a técnica e abolir a competição;
  • Não executar trabalho de força máxima para menores de 16 anos;
  • Enfatizar o condicionamento geral;
  • Utilizar aparelhos adequados às dimensões das crianças.

33 – Intervalado ou contínuo? Explique.
Devido à limitada capacidade aeróbica, anaeróbica e de termorregulação, as crianças se adaptam melhor ao treinamento do tipo intervalado.

34 – Qual é o processo de adaptação da criança em relação ao exercício?
Cada criança é única; os exercícios escolhidos para uma não necessariamente serão os ideais para outra criança da mesma idade.

35 – Na musculação, quantas repetições são necessárias?
Uma média de 15 a 20 repetições na fase de adaptação assegura sobrecargas leves. Já 10 a 15 repetições, em crianças com maiores níveis de adaptação, exigem um maior esforço e geram um estímulo superior, mas ainda dentro de um padrão seguro.

Idosos

36 – Nos idosos, qual a classificação cronológica?

  • Meia-Idade: 45 a 59 anos;
  • Idoso: 60 a 74 anos;
  • Velhos: 75 a 90 anos;
  • Muito Velhos: Acima de 90 anos.

37 – Quais são as alterações no processo de envelhecimento?

  • Iniciam-se aos 30 anos de idade;
  • Produção de força tem o ápice entre 20 e 30 anos;
  • Diminuição acentuada aos 60 anos (15% por década);
  • Causas comuns de lesões por quedas;
  • Perda da potência muscular (a idade afeta os componentes elásticos);
  • Diminuição da densidade óssea;
  • Declínio da capacidade aeróbia (VO₂ máx) em cerca de 0,5 ml/ano.

38 – Quais são os fatores que influenciam a redução da potência e da força?

  • Diminuição da massa muscular (sarcopenia);
  • Diminuição das fibras do Tipo II, substituídas por gordura;
  • Processo degenerativo das unidades motoras (SNC);
  • Doenças crônicas (diabetes, osteoporose, hipertensão);
  • Uso de medicamentos;
  • Redução da concentração de hormônios anabólicos (testosterona e hormônio do crescimento).

39 – Para os idosos, quais são os benefícios da musculação?

  • Melhoria da performance e qualidade de vida;
  • Aumento da densidade óssea;
  • Aumento da massa muscular;
  • Aumento de força e potência muscular;
  • Melhoria da coordenação motora;
  • Diminuição do percentual de gordura.

40 – Monte um programa de treinamento de musculação para idosos.

  • Aplicar exercícios isométricos com cautela;
  • Importância da prática de alongamento e aquecimento;
  • Inclusão de exercícios aeróbios de baixo impacto;
  • Teste de intensidade: Teste da Fala e Escala de BORG;
  • Nível ideal de intensidade: 75% da FC máx;
  • Programa individualizado;
  • Utilização de antioxidantes (Vit. A, C e Betacaroteno);
  • Proibida a manobra de Valsalva;
  • Trabalhar os grandes grupos musculares;
  • Escolher exercícios mais estáveis (máquinas);
  • Não ultrapassar 90% de 1 RM (abaixo de seis repetições);
  • Iniciar com RML;
  • Iniciar com exercícios que estabilizam as articulações: joelho, ombro, lombar e tornozelo;
  • Acompanhar os fatores de risco coronarianos.

41 – O que é manobra de Valsalva?
A manobra de Valsalva é realizada ao se exalar forçadamente o ar contra os lábios fechados e nariz tapado, forçando o ar em direção ao ouvido médio se a tuba auditiva estiver aberta. Esta manobra aumenta a pressão intratorácica, diminui o retorno venoso ao coração e aumenta a pressão arterial, além de evidenciar sopros e hérnias abdominais.

42 – Quais são os mecanismos de ação dos recursos ergogênicos?

  • Agem diretamente sobre a fibra muscular;
  • Neutralizam os produtos responsáveis pela fadiga;
  • Melhoram o suprimento de combustível necessário para a contração muscular;
  • Afetam o coração e o sistema circulatório;
  • Afetam o centro respiratório;
  • Retardam o início da fadiga ou da percepção da mesma;
  • Neutralizam os efeitos inibitórios do SNC sobre a contração muscular.

43 – Explique a utilização da Creatina e do BCAA.

  • Creatina: A produção anaeróbica de energia é essencial para a manutenção do exercício de alta intensidade quando a demanda de ATP é maior do que sua produção pelo metabolismo aeróbio.
  • BCAA: Desempenha papel na mitigação do quadro de fadiga central durante o exercício prolongado.

44 – Explique a ação da Carnitina.
Devido ao seu papel no metabolismo dos ácidos graxos, poderia influenciar a queima desses nutrientes, promovendo economia de glicogênio, aumento do desempenho e diminuição da gordura corporal.

Problemas e Cálculos

Fórmulas:
FC Máx: 210 – (0,65 x Idade)
Limite Inferior (L.I): FC Basal + 0,6 (FC Máx – FC Basal)
Limite Superior (L.S): L.I + 0,675 (FC Máx – L.I)
VO₂ Máx = (D (m) – 504) / 45

Caso 1: Severino, 76 anos.
Necessita de atividade aeróbica moderada 3x por semana (50 min). Estatura: 1,72 m. Peso: 96 kg. Teste de campo: 1.900 metros em 12 minutos.

A) Baseado em Quetelet, quantos kg ele deverá perder para chegar no limite superior?
FC Máx: 210 – (0,65 x 76) = 160,6 bpm. (Basal: 50)
Limite Inferior: 50 + 0,6 (160,6 – 50) = 116,36.
Limite Superior: 116,36 + 0,675 (160,6 – 116,36) = 146,22.
Fórmula de Quetelet: Altura 1,72 m. Peso ideal (+10%) = 79,2 kg. Perda necessária: 96 – 79,2 = 16,8 kg.

B) Calcule seu VO₂ e a relação com a frequência cardíaca.
VO₂ = (1900 – 504) / 45 = 31,02 ml(kg·min)⁻¹.
50% FC → 28% VO₂.

C) Dê a distância percorrida.
VM (100%) = 1900 / 720 = 2,63 m/s. VM (50%) = 1,3 m/s.
Distância = 1,3 x 60 x 50 = 3,9 km.

Caso 2: Dulcinéia, 59 anos.
Estatura: 1,61 m. Peso: 74 kg. Atividade aeróbica 3x por semana (40 min). Teste de campo: 1.980 metros em 12 minutos. Cintura: 98 cm. Quadril: 88 cm.

FC Máx: 210 – (0,65 x 59) = 171,65 bpm.
Limite Inferior: 50 + 0,6 (171,65 – 50) = 122,99.
Limite Superior: 122,99 + 0,675 (171,65 – 122,99) = 155,83.
VO₂ = (1980 – 504) / 45 = 32,8 ml(kg·min)⁻¹.
IMC = 74 / (1,61)² = 28,5.
ICQ = 98 / 88 = 1,11.
VM (70%) = 1,92 m/s. Distância = 1,92 x 60 x 40 = 4,6 km.

Caso 3: Mulher, 55 anos (Diabetes Tipo 2, Hipertensa Estágio 1, Doença Coronária).
Disponibilidade: 3x na semana (1h/dia). Teste: 1.700 metros em 12 minutos.

FC Máx: 174,55 bpm.
Limite Inferior: 124,73. Limite Superior: 156,61.
Velocidade: 1700 / 720 = 2,3 m/s (8,2 km/h).
VO₂ = 26,5 ml(kg·min)⁻¹.
Prescrição:

  • 14 repetições com carga leve;
  • Evitar isometria (prevenção de neuropatia);
  • Cuidados com os pés (higiene e calçados);
  • Prevenção de hipoglicemia (carboidrato disponível);
  • Hidratação constante;
  • Exercícios concêntricos e funcionais.

Caso 4: Mulher, 60 anos (Obesa, Hipertensa Estágio 1).
Peso: 85 kg. VO₂: 35 ml(kg·min)⁻¹. Disponibilidade: 6x na semana.

FC Máx: 171 bpm.
Limite Inferior: 122,6. Limite Superior: 155,66.
Velocidade: 10 km/h.
Prescrição: Segue as mesmas recomendações de segurança do Caso 3, com foco em controle pressórico e metabólico.

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