Guia de Farmácia Hospitalar: Gestão e Segurança do Paciente

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Farmácia Hospitalar

O hospital, segundo a OMS, é parte integrante do sistema de saúde, com funções preventivas, curativas, educativas e de pesquisa. As principais funções são: prevenir doenças, restaurar a saúde, educar e promover pesquisas.

Classificação dos Hospitais

  • Nível de atendimento: primário, secundário, terciário e quaternário.
  • Regime jurídico: público ou privado.
  • Porte: pequeno (menos de 50 leitos), médio (51–150), grande (150–500), especial (mais de 500).
  • Tipo de serviço: geral ou especializado.
  • Corpo clínico: aberto ou fechado.
  • Estrutura: pavilhonar, monobloco, multibloco, horizontal ou vertical.

Serviços Hospitalares

  • Administrativos: RH, financeiro, segurança, suprimentos.
  • Técnicos: diretoria clínica, enfermagem, nutrição, SAME, SADT e farmácia.

A Farmácia Hospitalar é uma unidade clínica, técnica e administrativa, dirigida por farmacêutico (Resolução CFF nº 300/1997). Objetivo: garantir o uso racional e seguro de medicamentos e correlatos.

Funções do Farmacêutico

  • Selecionar, adquirir, armazenar, manipular e distribuir medicamentos.
  • Controlar o consumo, qualidade e conservação dos medicamentos.
  • Fornecer informações, acompanhar o tratamento e participar de comissões.
  • Elaborar manuais e participar de ensaios clínicos e farmacovigilância.

Perfil: decisor, comunicador, líder, gerente e educador.

Padronização de Medicamentos

A padronização é a elaboração de uma lista básica de medicamentos essenciais ao hospital, conforme critérios do Ministério da Saúde, garantindo segurança, eficácia e custo acessível.

Vantagens

  • Reduz custos sem prejudicar a segurança.
  • Racionaliza o número de medicamentos.
  • Facilita controle, armazenamento e prescrição.
  • Uniformiza terapias e melhora a vigilância farmacológica.

Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT)

A CFT é o órgão responsável pela padronização e revisão da lista de medicamentos.

  • Composição: farmacêutico, médicos de diversas áreas e enfermeiro.
  • Funções: incluir e excluir medicamentos, revisar lista anualmente, divulgar e registrar dados farmacológicos.

Critérios: Nome genérico e um princípio ativo; boa qualidade, menor custo e forma farmacêutica adequada; considerar faixa etária, facilidade de dose e fracionamento.

Rotinas: Levantar necessidades com a equipe; agrupar medicamentos por sistema ou classe; elaborar índice e divulgar a padronização.

Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM)

O CIM é o setor responsável por coletar, analisar e comunicar informações seguras sobre medicamentos aos profissionais da saúde.

Objetivos e Estrutura

  • Apoiar a farmacovigilância e análise farmacoeconômica.
  • Promover educação continuada e treinamentos.
  • Oferecer informações confiáveis e atualizadas.

Equipe: farmacêutico(s), estagiário(s) e secretária. Estrutura: computadores, telefone, arquivos e biblioteca atualizada.

Atividades e Resultados

  • Estudos de uso de medicamentos, boletins e guias farmacoterapêuticos.
  • Banco de dados e cadastro de fornecedores.
  • Treinamentos e suporte à CFT.

Dúvidas comuns: Enfermagem (estabilidade e compatibilidade de misturas); Médicos (interações, efeitos adversos e novas drogas). Dificuldades: falta de preparo, pouca adesão e escassez de fontes. Resultados: melhora da racionalidade da prescrição e redução de custos.

Erros com Medicação

Erro com medicação é qualquer evento evitável que pode causar dano ao paciente. Pode ocorrer em diferentes fases: prescrição, padronização, preparo, dispensação e administração.

Tipos e Causas

  • Tipos: Prescrição incorreta (dose, via, ilegibilidade), horário errado, dose incorreta, via inadequada, transcrição manual incorreta e dispensação errada.
  • Causas: fadiga, distração, múltiplos empregos, improvisos.

Prevenção

  • Padronizar rotinas e criar checklists.
  • Treinar a equipe continuamente.
  • Informatizar os processos (prescrição eletrônica).
  • Reduzir mudanças de turno e automatizar a dispensação.

O farmacêutico clínico é essencial na prevenção, garantindo a segurança terapêutica.

Prescrição Eletrônica

A informatização hospitalar é uma ferramenta para melhorar a segurança do paciente. A prescrição eletrônica substitui o receituário manual, garantindo legibilidade e controle.

Vantagens e Implantação

  • Vantagens: Reduz erros e incompatibilidades; facilita auditorias; aumenta integração da equipe; melhora controle de medicamentos controlados; reduz custos.
  • Dificuldades: Falta de capacitação, custo elevado e resistência à mudança.
  • Implantação: Planejamento, equipe multiprofissional, treinamento contínuo e avaliação gradual.

Sistemas de Distribuição

O sistema deve garantir que o medicamento chegue ao paciente certo, na dose e horário corretos. Tipos principais:

  1. Coletivo: pouca participação do farmacêutico; mais erros e desperdícios.
  2. Individualizado: separação por paciente; reduz erros e melhora controle.
  3. Dose Unitária: mais seguro e eficiente; medicamentos embalados individualmente com nome, leito e horário.
  4. Misto: combinação de sistemas conforme o setor.

Vantagens da dose unitária: Reduz erros e custos; facilita controle de estoque e devolução; maior segurança e organização. Desvantagens: requer mais pessoal, estrutura e investimento inicial.

Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF)

A CAF é responsável por adquirir, receber, armazenar e distribuir medicamentos e materiais hospitalares.

  • Instalações: Local limpo, com espaço adequado, temperatura controlada (~20°C), controle de pragas e segurança contra incêndio.
  • Etapas: Aquisição (seleção de fornecedores), Recebimento (conferência e quarentena), Armazenamento (organização e segurança) e Distribuição (envio às farmácias internas).

Nota: A CAF não dispensa medicamentos diretamente ao paciente, apenas às farmácias internas.

Conclusão Geral – Pontos-Chave

  • A farmácia hospitalar é essencial para o uso racional e seguro de medicamentos.
  • O farmacêutico atua em todas as etapas: seleção, aquisição, armazenamento, dispensação e acompanhamento terapêutico.
  • A CFT padroniza medicamentos e o CIM fornece informações seguras.
  • Erros de medicação são prevenidos com processos padronizados e informatização.
  • A prescrição eletrônica e o sistema de dose unitária garantem maior segurança.
  • A CAF assegura o abastecimento contínuo e organizado.

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