Guia de Farmacotécnica: Fármacos e Preparações Líquidas
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Conceitos de Farmacotécnica e Preparações Líquidas
Fármaco ou princípio ativo: Compostos químicos presentes numa droga, responsáveis pela ação farmacológica. Ex.: Camomila (azuleno); Menta (mentol).
Medicamento: Substância que, administrada corretamente ao organismo enfermo, alivia ou cura um estado patológico.
Quanto à Composição
- Simples: Preparados a partir de um único fármaco. Ex.: Cápsulas de Vitamina C.
- Complexos: Preparados a partir de dois ou mais fármacos de natureza diferente. Ex.: AAS + Cafeína.
Substância proscrita: Substância cujo uso está proibido no Brasil.
Entorpecente / Psicotrópico: Substância que pode determinar dependência física ou psíquica.
Preparação magistral: É aquela preparada na farmácia, a partir de uma prescrição de profissional habilitado, destinada a um paciente individualizado, e que estabeleça em detalhes sua composição, forma farmacêutica, quantidade e modo de usar.
Preparação oficinal: É aquela preparada na farmácia, cuja fórmula esteja inscrita no Formulário Nacional ou em Formulários Internacionais reconhecidos pela ANVISA.
Definições e Solubilidade
Em termos físico-químicos, as soluções podem ser preparadas a partir de qualquer combinação de um dos três estados da matéria: sólido, líquido ou gasoso.
Solubilidade: As forças envolvidas são: dipolo-dipolo, Van der Waals, íon-dipolo e ligações de hidrogênio. Para que uma solução seja formada, é necessário que as ligações entre soluto-soluto e solvente-solvente sejam quebradas, ocorrendo a formação de ligações entre soluto e solvente.
Solução saturada: É quando um solvente, a uma determinada temperatura, dissolve o máximo de soluto possível.
Fatores que afetam a solubilidade:
- Temperatura;
- Propriedades físicas e químicas;
- Pressão;
- pH da solução;
- Estado de subdivisão do soluto;
- Agitação empregada no preparo.
pKa: É o pH no qual as formas ionizadas e não-ionizadas de uma substância estão em proporção igual. Quanto maior a fração molar da droga ionizada, maior a solubilidade em água.
Vantagens:
- Perfeita homogeneidade: Segurança na dose do princípio ativo (PA);
- Facilidade de administração: Colher ou gotas orais.
Instabilidades e Excipientes
Instabilidade química: Fármacos em soluções são mais vulneráveis à degradação química que os fármacos no estado sólido. Em alguns casos, soluções são mais estáveis. Ex.: Furosemida sofre hidrólise em pH ácido (suspensão) e se mantém estável em pH alcalino (solução).
Instabilidade microbiológica: O crescimento microbiano pode causar odor desagradável, turbidez, efeito indesejável na palatabilidade e na aparência, além de alteração de pH.
Excipientes ou ingredientes inertes: Produzem a forma farmacêutica desejada, aumentam a estabilidade e melhoram a palatabilidade. Deve-se tomar cuidado, pois alguns compostos podem levar ao desenvolvimento de reações adversas e reações alérgicas.
Edulcorantes e flavorizantes: Mais de 90% das preparações de uso oral contêm flavorizantes e edulcorantes. A percepção de sabor muda com a idade, sendo o sabor doce o de preferência. Os mais utilizados são: sacarina, sacarose, sorbitol, aspartame e frutose.
Corantes: Melhoram a aparência e proporcionam identidade única ao produto. Reações de hipersensibilidade incluem: anafilaxia, broncoconstrição, angioedema, urticária, dor abdominal, vômito e dermatite de contato.
Conservantes: Os mais utilizados são os parabenos (nipagin e nipasol) e podem causar reações de hipersensibilidade e exacerbar os sintomas da asma.
Preparações Líquidas
As preparações líquidas podem ser:
- Soluções;
- Xaropes: Preparações à base de água e açúcar, próximo da saturação, formando uma solução hipertônica.
- Elixires: Preparações hidroalcoólicas, adocicadas, para a solubilização de fármacos solúveis em álcool. São menos viscosas e menos adocicadas que os xaropes.
- Preparações orais oleosas: Princípio ativo se encontra dissolvido ou suspenso em óleo fixo flavorizado.
- Emulsões orais: Dispersões orais do tipo óleo/água (O/A) estabilizadas por um agente emulsionante.
Desvantagens: Elevada instabilidade e facilidade de contaminação.
Requisitos para solventes:
- Desprovidos de toxicidade;
- Baixo potencial de irritação das mucosas;
- Inertes fisiologicamente;
- Compatíveis com o fármaco e adjuvantes;
- Permitir a completa dissolução do fármaco e adjuvantes.