Guia de Fisioterapia em Neurologia: Condutas e Patologias
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Doença de Parkinson
Manifestação: Perda de 50-60% de neurônios na substância negra, diminuição de 80% de dopamina no corpo estriado.
Fatores envolvidos: Envelhecimento, ambiente externo, trauma, presença de proteínas defeituosas; leva à ruptura das vesículas sinápticas e oxidação da dopamina, gerando radicais livres.
Tétrade do Parkinsonismo: Tremor, bradicinesia (acinesia/oligocinesia), hipertonia plástica e instabilidade postural.
- Tremor: De repouso, unilateral ou bilateral, desaparece durante o sono e movimento ativo.
- Bradicinesia: Dificuldade em iniciar movimentos, lentidão e dificuldade em movimentos finos.
- Postura: Dificuldade nos movimentos cervicais, reações posturais e contração de músculos do hemicorpo contralateral (falha na inibição recíproca).
- Hipertonia (rigidez): Plástica (85%), sinal da roda denteada, sinal do travesseiro fictício e sinal do cano de chumbo.
- Marcha: Passos curtos, tronco fletido, perda dos movimentos associados de MMSS, festinação e freezing (44%).
Objetivo: Prevenir complicações decorrentes da evolução da patologia.
Conduta: Alongamentos, exercícios respiratórios diafragmáticos, exercícios ativos livres de amplitude máxima, exercícios alternados para MMSS e MMII (com comando verbal e resistidos), padrões de movimento com iniciação rítmica, padrões rotatórios de cintura, exercícios para mímica facial e motricidade fina, decomposição de atividades complexas, marcha com obstáculos, rampa e escadas.
Recomendações domiciliares: Manobras para inibição do tremor, retirar tapetes, usar piso não escorregadio, velcro em roupas/calçados e seguir a posologia da medicação.
Esclerose Múltipla
Manifestação: Doença crônica que se inicia geralmente em adultos jovens, caracterizada por múltiplas áreas de inflamação, desmielinização e formação de cicatrizes gliais (esclerose) na substância branca do SNC. Sem causa definida, envolve susceptibilidade genética, mecanismos autoimunes e infecções virais.
Patologia: Atrofia e alargamento dos sulcos corticais, aumento dos ventrículos e placas na medula espinhal.
Sinais e sintomas: Fraqueza muscular, espasticidade, hiperreflexia, sinal de Babinski, fadiga, distúrbios sensoriais (dor, tato, temperatura), ataxia, tremor, disartria, disfunções vesicais/intestinais/sexuais, depressão e euforia.
Fisioterapia: Avaliação completa (cognição, sensibilidade, ADM, função motora, equilíbrio e marcha). Objetivos focados em força, condicionamento, flexibilidade, coordenação, prevenção de contraturas e manutenção da independência funcional.
Lesões Raquimedulares
Etiologia: Processos compressivos, inflamatórios, vasculares, traumáticos (acidentes automobilísticos, quedas, mergulho) e degenerativos.
Fisiopatologia: Lesão primária (agente agressor) e lesão secundária (inflamação, isquemia e necrose).
Disreflexia Autonômica: Descarga do sistema nervoso simpático. Conduta: Sentar o paciente imediatamente, verificar bexiga, intestino e pele; se não houver melhora, buscar pronto-socorro.
Síndromes Medulares: Centromedular, Brown-Séquard, Medular Anterior, Cone Medular e Cauda Equina.
Níveis de Lesão e Prognóstico: Do nível C4 (tetraplegia dependente) ao L5 (deambulação com tutor curto).
Traumatismo Cranioencefálico (TCE)
Escalas de função cognitiva: Níveis I (coma) a VIII (intencional e apropriado).
Fisioterapia: Fases de despertar (posicionamento), adequação (atenção e estimulação sensorial) e reorganização (tarefas complexas, marcha e corrida).
Lesões Periféricas
Comprometimento de raízes ou nervos (mononeuropatia, neurite múltipla, polineuropatia). Sintomas incluem hipoestesia, fraqueza, hipotonia, alterações autonômicas e tróficas.
Outras Patologias
Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)
Doença neurodegenerativa progressiva. Foco em alongamentos, exercícios ativos/passivos, fortalecimento progressivo (evitando fadiga), exercícios posturais e respiratórios.
Doença de Huntington
Defeito genético (cromossomo 4). Foco em preservação de movimentos, alongamento, fortalecimento, coordenação motora e exercícios aeróbicos.
Neuropatia Diabética
Lesão nervosa por glicemia elevada. Conduta: ganho de força muscular global, atividades de baixo impacto, treino de equilíbrio e alongamentos.